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Crítica

Crítica: Fala Sério, Mãe!

Uma comédia nacional que foge do pastelão e vale o ingresso ao cinema

Quem não devorou os livros de Thalita Rebouças na adolescência que jogue a primeira pedra. A escritora, capaz de se comunicar de forma direta com essa geração, já inspirou roteiro de musical: “Tudo por um Pop Star” e “Fala Sério, Gente!”, e agora de longa-metragem. Em “Fala Sério, Mãe!”, estrelado por Ingrid Guimarães (“Um namorado para minha mulher” e Larissa Manoela (“Meus 15 anos”), a trama gira em torno da relação entre mãe e filha e todos os percalços dessa convivência. A priori parece mais do mesmo, tendo em vista outras comédias nacionais com a mesma temática: “Minha mãe é uma peça 2” – protagonizada por Paulo Gustavo – mas o diferencial do filme de Pedro Vasconcelos (“Dona Flor e seus dois maridos”) é justamente o como e não o quê.

A história das duas é narrada pelos dois pontos de vista, primeiro o da mãe e logo em seguida o da filha, com intervenções pontuais de ambas. O roteiro, de Dostoiewski Champagnatte, Ingrid Guimarães, Paulo Cursino e com a colaboração da própria Thalita Rebouças, é estruturado de forma cronológica, abrangendo desde o nascimento até a saída da Maria de Lourdes (Larissa) de casa – fazendo jus aquela lição que “os filhos são criados para o mundo”. É possível afirmar que tratar de assuntos bem universais em comédias água com açúcar é a fórmula perfeita para agradar gregos e troianos. O espectador pode até identificar todas as gafes técnicas da produção, mas deixa passar porque dá boas gargalhadas ao se reconhecer naquelas situações – e todo mundo já sabe que Ingrid Guimarães sabe lidar muito bem com comédias.

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A atriz constrói todas as etapas da maternidade de uma forma hilária, desde os incômodos da gravidez até as neuroses naturais de toda mãe. A transição de uma mulher cheia de sonhos tentando se virar para pagar as contas e lidando com o divórcio é corrida e apressada pelo roteiro, mas como a proposta não é se aprofundar em camadas de construção do personagem dá para perdoar. Ao mesmo tempo em que ela acerta no tom, às vezes deixa a comédia pesar – como por exemplo no trecho em que faz um monólogo no ônibus antes da filha viajar, ele é ótimo até certo ponto, depois perde o timing e a verossimilhança.

Sua grande parceira Larissa Manoela se sai bem no trecho de maior profundidade dramática do filme, a grande briga entre as duas. Com exceção de algumas falas ditas de forma pouco natural e muito melodramáticas – o que pode ter sido um erro maior de direcionamento do que propriamente dela – a jovem atriz cumpre bem o que vende, uma pré-adolescente lidando com o amadurecimento. Paulo Gustavo faz uma participação curta e hilária. Os outros personagens não ganham muito destaque.

A estética é bem feita e valoriza o cenário em que se insere, o Rio de Janeiro. Um setor interessante e de muita qualidade é o de caracterização e visagismo, tanto Ingrid quando Larissa convencem e sustentam cada fase da vida de suas personagens – a equipe conseguiu fazer com que as duas vivessem em torno de 17 anos de forma convincente e natural. No início, a música parece fazer parte da cronologia, ela vai ilustrando a passagem do tempo, mas essa premissa não se estende até o fim. A trilha sonora acaba por se resumir a recentes sucessos nacionais – para quem gosta dá para cantar junto, porém quem já está saturado do Top 10 das rádios é melhor se preparar psicologicamente.

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É inegável que o cinema nacional comete deslizes com frequência, principalmente no que se refere a filmes para a família, porém “Fala Sério, Mãe!” vale o investimento do ingresso. Além disso, lotamos sessões para prestigiar Adam Sandler, não tem porque fazer diferente com o que é mérito nosso. É bem sessão da tarde, cheio de piadas um pouco forçadas e gírias que quase nenhum adolescente fala de fato, mas vale a pena assistir – nas primeiras semanas, isso é de extrema importância para produções nacionais – na companhia da mãe para curtir com ela boas gargalhadas e muita identificação. Corre!


Por Rayza Noiá

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