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Crítica: Goats – Ovelha Negra

The catcher in the hemp

Crescer é uma grande viagem. Crescer numa família nada convencional, mais ainda. Talvez por isso o adolescente Ellis Whitman (Graham Phillips) tenha escolhido ir para uma escola preparatória tradicional, a mesma frequentada por seu pai, que aliás foi embora de casa quando ele ainda era um bebê. A figura paterna substituta passou a ser Javier, mais conhecido como Goatman (David Duchovny), um cabeludo que cria um casal de cabras e cultiva maconha numa estufa. Por cuidar do jardim e da piscina de Wendy (Vera Farmiga), a mãe hippie de Ellis, está dispensado de pagar o aluguel.

Com roteiro de Mark Jude Poirier, baseado em seu próprio livro, “Goats: Ovelha Negra” (“Goats” é título original, disponibilizado pela Netflix) é a estreia de Christopher Neil na direção.

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O ponto alto do filme é a fotografia deslumbrante do deserto do Arizona, excelente trabalho de Wyatt Troll. Ellis mora em Tucson e vai estudar na Costa Leste. A paisagem é completamente diferente, em cores frias, mas igualmente bela. São dois lados – literalmente – da vida de Ellis. As cores fortes e vivas de seu louco ambiente familiar contrastam com o visual mais sóbrio do lugar onde estuda, espaço de crescimento e de descobertas.

Coloridíssima mesmo é Wendy. Hippie com dinheiro no bolso, esotérica e dependente de todo tipo de oficina “espiritual”, mas que se esquece de enxergar verdadeiramente o próprio filho (“Minha mãe escreveu o livro do egoísmo”, diz Ellis a seu colega de quarto), é uma ótima composição cômica de Vera Farmiga. Wendy sempre dramatiza quando se trata do filho, mas na verdade está perdida em si mesma e não vê a realidade ao seu redor. “Não entendo uma mãe que se preocupa com relações cósmicas. É só ligar” – diz Goatman, que não é tão doidão quanto sua aparência quer fazer crer.Embora seu personagem seja de grande visibilidade na trama, Duchovny não chega a brilhar. Sua atuação é o que o poderia se chamar de neutra e não empolga o espectador. Quem rouba a cena com seu jeito arrogante e afetado é Justin Kirk – Bennet, o namorado de Wendy. Sua presença irritante é sem dúvida divertida.

“Goats” é um filme sobre adolescência e crescimento, sem cair na velha fórmula de jovens bebendo e fazendo besteiras – embora o álcool também esteja presente na história (mas isso seria praticamente inevitável, nós sabemos). Alguns personagens surpreendem, como Barney (Nicholas Lobue), o colega de quarto nerd, por quem é possível nutrir uma certa simpatia, e Frank (Ty Burrell), o pai que se manteve distante por muito tempo mas que está francamente disposto a uma reconexão.

Para um filme sobre crescimento e descobertas da adolescência, “Goats” poderia ter se aprofundado mais nas questões amorosas, já que a presença da sedutora Minnie (Dakota Johnson) não chega a ser muito relevante no enredo. A trilha sonora, composta por Jason Schwartzman e Woody Jackson, é bem apropriada para a atmosfera de um filme em que a cannabis  também pode ser considerada parte do elenco. As cabras que o digam.

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Neuza Rodrigues

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