13 de dezembro de 2019
“Godzilla II: Rei dos Monstros” mostra todo potencial de um universo a
ser expandido e explorado pela Warner Bros.

Hollywood, em raras vezes, foi eficaz na adaptação de histórias de origem oriental. Exemplos ruins não faltam, vide “Dragon Ball“, “Death Note” e o filme “Godzilla” de 1998. Contudo, parece que dessa vez a Warner acertou na fórmula, e a criação de um universo de monstros pelo estúdio pode render bons frutos, e “Godzilla II: Rei dos Monstros” mostra um caminho ainda maior a ser explorado.

Cinco anos após o Godzilla vir a tona e mostrar ao mundo que os Titãs existem, a humanidade se adapta a nova realidade com esses gigantes. Enquanto isso, integrantes da agência Monarch tentam convencer as autoridades que a coexistência é possível.

Godzilla II: Rei dos Monstros” não perde tempo para mostrar ao que veio, ainda no primeiro ato o longa já nos dá ideia de quão descomunal a batalha entre os Titãs vai se tornar. A história, contudo, tem um arco familiar que gere todo o ciclo central da trama que é incomodo e clichê, entretanto, funcional dentro da mesma.

O roteiro abre espaço através dos diálogos para expor as explicações científicas da trama. Apesar da grande importância dessas, as peguntas encontram respostas muito fáceis em diálogos rasos que só servem para que não hajam lacunas na história. Outro aspecto muito incômodo do roteiro, e que também não deixa de ser um clichê de longas como esse, é o excesso de cenas com humanos em situações de extremo risco – principalmente os protagonistas. Por vezes essas situações são desnecessárias e servem de conveniência para o roteiro criar momentos de tensão mas, nesse caso, acabam por quebrar o ritmo das batalhas entre os titãs (isso ocorre mais de uma vez na produção). E se tratando de conveniência para destacar o protagonismo humano no longa, a “humano-dependência” para que a batalha seja vencida se torna forçada. Porém, nenhum desses pontos, é significativamente prejudicial ao filme.

Os acertos são descomunalmente maiores do que erros em “Godzilla”, começando por um trabalho incrível que une estética, CGI, fotografia e mixagem de som. “Godzilla II: Rei dos Monstros” consegue usar seus titãs de forma simbólica, apelando com referências a toda mitologia que os englobam e até mesmo a obra original. Cada animal tem uma iluminação própria, uma cor, sons que os caracterizam, e o mais importante, cada um tem seu momento de brilhar no filme. O trabalho de CGI, não se apega em realismo para criar as exuberantes criaturas, a questão trabalhada aqui é a fidelidade em construir na versão hollywoodiana algo que vai agradar até os mais nostálgicos fãs de Gojira.

A exploração do universo, criado inicialmente em 2014, e trabalhado posteriormente com o prequel Kong: Ilha da Caveira, consegue expor um leque ainda maior de possibilidades para futuros longas. Os diálogos apenas pincelam as aberturas que podem dar origens a novas histórias, não à toa temos comentários sobre coisas que estão muito abaixo, e outras que estão muito acima da terra (o que evitaremos falar por conta de spoilers).

Godzilla II: Rei dos Monstros” traz um elenco de peso, mas não consegue usar todas as peças da melhor maneira possível.  Vera Farmiga (“Invocação do Mal“) mantém seu bom nível de atuação aqui, assim como  Kyle Chandler. Mas quem realmente se sai muito bem é Millie Bobby Brown (“Stranger Things”), a menina continua transmitindo verdade com o olhar e esse papel caiu muito bem para ela. Remanescentes do longa de 2014, Ken Watanabe e Sally Hawkins (“A Forma da Água“) fazem uma das conexões entre os filmes, mas apenas Ken é realmente necessário na trama. Charles Dance (“Game Of Thrones”) acaba por ser um vilão misterioso, mas que não se desenvolve totalmente neste longa – uma pena.

O filme exige do espectador atenção aos detalhes, são muitas informações entre uma o outra cena de ação, informações essas extremamente relevantes ao universo que tende a ser expandir nos próximos anos. Elas são soltas desde o primeiro momento em um noticiário na tv, até os créditos finais onde se tem uma noção do que se esperar na aguardada sequência “Kong vs Godzilla”.

Por fim, “Godzilla II: Rei dos Monstros” nos entrega tudo que promete e um pouco mais até. A ação e destruição é descomunal, mesmo com alguns excessos já comentados aqui, porém a expansão de um universo gigante para ser explorado compensa. No mais, é melhor você sair apenas quando todos os créditos tiverem subido, a última cena pós crédito enaltece um caminho para o qual a franquia pode, quem sabe, seguir.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Warner Bros. Pictures

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Dan Andrade

Cursando Produção Cultural atualmente, sempre foi apaixonado por cinema e decidiu que de alguma forma trabalharia com isso. Tendo como inspiração Steven Spielberg e suas histórias que marcaram gerações, escreve, assiste, lê e aprende, para um dia produzir coisas tão grandes e que inspirem pessoas como um dia ele o inspirou.

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