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Crítica

Crítica: Green Book – O Guia

O crítico de cinema e diretor do site Cinema em Cena, Pablo Villaça, adora dizer que até mesmo o mais medíocre dos artistas podem nos surpreender com algo bom de vez em quando. E quando olhamos para “Green book -O Guia” fica fácil entender o que ele quis dizer, afinal, quem imaginaria que Peter Farrelly (cujo o maior sucesso é de longe seu trabalho em “Debi & Loide”) faria um filme biográfico que, em seus melhores momentos, lembra algo de Martin Scorcese?  

Tony Lip (Viggo Mortensen), um dos maiores fanfarrões de Nova York, precisa de trabalho após sua discoteca fechar. Ele conhece o pianista Don Shirley (Mahershala Ali) que o convida para uma turnê. Enquanto os dois se chocam no início, um vínculo finalmente cresce à medida que eles viajam.

A direção de Farrelly é surpreendentemente consistente, a velha (e um tanto formulaica) estrutura de “pessoas de personalidades opostas interagindo”  permite que a narrativa flua entre os campos do melodrama ao do humor de contraste racial, com uma naturalidade muito única. O contraste é bem estabelecido inclusive visualmente, enquanto a primeira aparição de Tony tem uma cinematografia bem enérgica, elucidando assim seu universo de trambicagens, a câmera fixa e calma dentro do apartamento de Don deixa bem claro como é psique do personagem e como ele irá agir ao longo do do filme. 

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Viggo Mortensen (“Capitão Fantástico”) tem recebido cada vez mais elogios nos últimos anos, e aqui novamente ele prova ser um tipo de camaleão ambulante – capaz de desaparecer e deixar apenas seus personagens visíveis. Seu Tony Lip é tão plausível que soa como o típico “tio tagarela do churrasco”, o trejeitos debochado, a leve elevação na voz durante a fala e também a clássica “barriga quebrada” compõe um dos personagens mais divertidos do ano passado. Já Mahershala Ali (Moonlight) vai para um um caminho diferente, com fala pomposa, e  movimentos sinuosos com o corpo, ele cria um homem de incrível a maturidade artística e a alta classe, basta um olhar para entender a natureza das ações de seu Don Shirley, e isso tudo quando contrastado com a personalidade forte de Lip cria uma dinâmica engraçadíssima.
Como já citado acima, o filme segue uma estrutura bem manjada, então já era de se esperar que nem tudo fosse flores, e o roteiro acaba por cair em convenções visuais bem óbvias, para ilustrar a natureza de seus personagens (basta ver como o filme esclarece que o personagem de Mortensen é racista), isso quando ele não é muito raso sobre o que os temas que ele aborda (algo que parece estar virando uma tendência em comédias dramáticas biográficas, vide “Estrelas Além do Tempo”).

O racismo é bem suavizado e, às vezes, o texto cai em  piadas que reforçam certos estereótipos raciais muito comuns nos estados.Um bom exemplo é uma piada com frango que é uma constante no filme, e é realmente engraçada, porém indo mais a fundo fica visível que a piada acaba por validar um velho clichê dos EUA.

Apesar de formulístico e com uma o outra piada que precisavam ser revistas “Greenbook – O Guia” é dinâmico, enérgico, e um tipo de filme não se vê há um tempo nas telonas.


Fotos e Vídeo: Divulgação/Diamonds Films Brasil

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8
8.5

Cinéfilo assíduo desde que se conhece por gente,e um amante da nona arte. É da linha de David Lynch que acredita no potencial onírico das artes.

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