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Crítica

Crítica: Manson Family Vacation

Não é o que parece

Muito antes da existência das redes sociais, já existiam no mundo os seguidos e os seguidores. Estranhamente, os seguidos poderiam até ser loucos e criminosos, como Charles Manson, que planejou assassinatos executados por membros de seu grupo – a Família Manson – no final da década de 60 nos Estados Unidos. Uma das vítimas foi Sharon Tate, então esposa do cineasta Roman Polanski. Mesmo assim, contradizendo a definição de ser humano como animal racional, inúmeros indivíduos se sentem fascinados por essas figuras, e de forma fanática arranjam sempre justificativas para os atos insanos por elas cometidos.

Em Manson Family Vacation, Conrad (Linas Phillips) é um desses indivíduos. Seus pais adotivos o deixaram de lado após o nascimento do filho biológico do casal, Nick (Jay Duplass), o que gerou um profundo sentimento de rejeição e não pertencimento. Depois de anos sem se verem, pois nem mesmo ao funeral do pai ele compareceu, Conrad resolve visitar Nick em Los Angeles antes de rumar para o Vale da Morte, onde o espera um suposto trabalho em uma organização ambiental.

Os irmãos tem personalidades completamente opostas e os atores delineiam muito bem seus personagens. O roteiro nos apresenta de imediato que há uma diferença gritante entre os dois antes mesmo que eles se encontrem. Os diálogos entre ambos também revelam esse contraste e que tanto um quanto outro tem seus motivos para pensar e agir de determinada forma.  Nick é advogado e pai de família responsável que leva uma vida certinha, enquanto Conrad, sempre tido como ovelha negra, acaba de largar o emprego e vender tudo que tinha. Apenas a notícia de sua visita já começa a abalar as estruturas de Nick, porém ainda há bem mais por vir.

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Conrad convida o irmão para um inusitado tour pelos locais em que os crimes de Manson ocorreram. Para assombro de Nick, Conrad se mostra verdadeiramente obcecado por Manson e o pinta como sendo um sujeito legal. Porém o filme não trata dos crimes horrendos; é, na verdade, sobre a relação entre os dois irmãos, seus ressentimentos e questões mal resolvidas.

O interessante aqui é ver o ponto de vista de ambos na relação familiar. Não há uma tentativa de fazer o espectador escolher um lado, e sim entender cada um deles. Acabamos torcendo pela chance de um bom relacionamento entre os irmãos.

A direção extrai uma boa atuação de Jay Duplass e Linas Phillips, que mostram ótima conexão em cena. Porém, causa um certo estranhamento algumas transições de Nick serem um tanto rápidas. No papel de irmão certinho e supostamente equilibrado, mais de uma vez ele toma atitudes que não parecem muito críveis vindas de alguém como ele. Nesse ponto, o roteiro deixa a desejar. De qualquer forma, tais atitudes geram cenas interessantes e dão um gás à história, que sem esses momentos poderia se transformar numa interminável “DR” entre irmãos.

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Os diálogos entre Conrad e outros seguidores de Manson mostram ao espectador de forma muito clara como pode ser distorcida a mente dos discípulos de uma seita. Outro ponto interessante do filme é a inserção de trechos de entrevistas dadas por Manson, o que nos situa a respeito desse notório criminoso. É uma forma inteligente de mostrar como ele era a partir das palavras e do comportamento do mesmo, deixando o público tirar suas próprias conclusões. Além disso, tais imagens provocam uma quebra positiva no andamento do filme.

Ambos os irmãos estão muito bem caracterizados em termos de figurino, especialmente Conrad, que procura se aproximar fisicamente da imagem de seu ídolo. A fotografia varia entre momentos de pouca iluminação – gerando uma certa angústia – e a beleza dourada do deserto. A trilha sonora reúne várias músicas da segunda metade da década de 60, inclusive canções compostas e interpretadas pelo próprio Charles Manson. Sim, é isso mesmo que você leu. Ele gravou discos.

Manson Family Vacation é um filme de baixo orçamento produzido pelos irmãos Duplass (Jay e Mark). Ambos se desdobram em múltiplas funções: são atores, roteiristas, diretores e produtores. Neste filme, ambos são produtores executivos e Jay trabalha como ator. O roteiro e a direção ficaram a cargo do estreante J. Davis. Os irmãos Duplass são conhecidos na meio cinematográfico independente dos Estados Unidos. Podemos dizer que fizeram um bom trabalho. Vale a pena ficar de olho nesta dupla.

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Neuza Rodrigues

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