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Crítica: No Olho do Furacão

Propositadamente ruim ou apenas ruim? A pergunta, levantada diante de alguns filmes, certamente paira na cabeça do espectador enquanto assiste a “No Olho do Furacão” (The Hurricane Heist, 2018). Diferentemente de produções como “Sharknado” (2013), no entanto, o novo longa-metragem de Rob Cohen (“Velozes e Furiosos”“Triplo X”) parece se levar a sério. Justamente por isso, fracassa em seu objetivo mais básico: entreter o público.

Como emprestar o mínimo de sobriedade, afinal, à estapafúrdia premissa? Em meio a um violento furacão, Perkins (Ralph Ineson), corrupto agente do Tesouro dos Estados Unidos, trai a confiança da colega de trabalho Casey (Maggie Grace) e planeja um roubo de 600 milhões de dólares. Para o sucesso do plano, porém, precisa de um código guardado por ela. A dedicada funcionária resiste, então, ao lado do mecânico Breeze (Ryan Kwanten) e do meteorologista Will (Toby Kebbell), irmãos cujo pai faleceu em similar catástrofe.

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Se a história já se revela um tanto absurda, o roteiro consegue piorá-la. Escrito a quatro mãos, o esquizofrênico texto denuncia a falta de sintonia dos seus autores. Como consequência, personagens desaparecem e reaparecem, diálogos soam desconexos e motivações inexistem. Apesar do visível esforço, os protagonistas Toby Kebbell (“Planeta dos Macacos – O Confronto”“Quarteto Fantástico”) e Maggie Grace (“Busca Implacável”, “Lost”) não são capazes de contornar a artificialidade das falas. Ralph Ineson (“A Bruxa”, “Guardiões da Galáxia”) e Ryan Kwanten (“True Blood”“Gritos Mortais”), por outro lado, sequer tentam. Optam, de outro modo, por interpretações caricatas, mas igualmente ineficientes. Em vez de descontração, enfim, suas expressões traduzem descompromisso. Ridículo demais para se levar a sério e sério demais para se ridicularizar, o longa se perde.

Resta, assim, um filme de ação sem confiança no próprio gênero. Sufocadas por uma excessiva verborragia, as sequências de perseguição ficam em segundo plano e não oferecem a esperada adrenalina. Principal culpada por isso, a montagem de Niven Howie (“Madrugada dos Mortos”, “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”) carece de fluidez e falha até mesmo no estabelecimento de continuidade (raccord). Durante os minutos finais, contudo, Rob Cohen se redime. Aproveitando-se de todas as técnicas antes trabalhadas em “Velozes e Furiosos” (The Fast and the Furious, 2001), o diretor constrói uma enérgica corrida de caminhões. Ainda assim, os poucos minutos de entretenimento não compensam os muitos de tédio.

Malsucedido como divertimento, “No Olho do Furacão” tenta se salvar como produto comercial. Os roteiristas Scott Windhauser (“O Grande Roubo”) e Jeff Dixon – estreante no cinema – incluem, para tanto, embaraçosos product placements – a chamada publicidade “indireta” – em meio aos diálogos. Em uma cena quase inacreditável, Will e Casey conversam sobre marcas de manteiga de amendoim e geleia enquanto se preparam para lutar contra os ladrões. A estratégia, longe de atrair o potencial consumidor, apenas expõe os atores ao ridículo e constrange o espectador.

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Profundamente inverossímil, por fim, o novo filme de Rob Cohen mais se assemelha a uma produção televisiva de baixo orçamento. Representa, ainda, outro degrau abaixo em uma carreira já em decadência. Após sucessos entre os anos 1990 e o início dos 2000, hoje o cineasta acumula fracassos. Entre os mais recentes, “A Sombra do Inimigo” (Alex Cross, 2012), por exemplo, sequer se pagou. Depois de decepcionar nos Estados Unidos,“No Olho do Furacão” aponta para o mesmo caminho. A estreia no Brasil, antes prevista para junho, foi adiada para o segundo semestre. Talvez encontre então público, mas a impressão final permanece: Cohen está cada vez mais distante de seu auge.

* O filme estreia 23 de agosto, quinta-feira.

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Carioca de 25 anos. Doutorando e Mestre em Comunicação e Bacharel em Cinema pela PUC-Rio.

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