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CríticaFilmes

Crítica: O Primeiro Homem

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D'Andrade
10 de outubro de 2018 4 Mins Read
Surge uma nova promessa de Oscar

o primeiro homemDamien Chazelle já é um dos grandes nomes do cinema, mesmo com apenas 33 anos o diretor possui um currículo de peso e premiado, trazendo nele – entre outros filmes – “La La Land: Cantando Estações” e “Whiplash – Em Busca da Perfeição”, tendo até então três indicações ao Oscar e um estatueta ganha. “O Primeiro Homem“, filme que nos cinemas nacionais estreia apenas dia 11 de outubro, é sua mais nova promessa de Oscar.

O longa conta a história de Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua. Trazendo a perspectiva de Neil, que foi protagonista de uma história já conhecida por toda humanidade (pelo menos no que diz respeito a parte midiática). Aqui Damien foge da música e consegue nos entreter em um filme, às vezes, claustrofóbico, e quase por completo dramático.

Ryan Gosling foi o escolhido de Damien para viver Neil  – os dois já haviam trabalhado juntos em “La La Land”-. O ator segue seguro durante todo o longa, e suporta bem a elevada carga dramática do filme mesmo com pouco diálogo para um protagonista. Com isso, resta para ele um trabalho mais minucioso focado na expressividade, ainda mais com uma direção pontuada em quadros fechados que vislumbram a emoção dos personagens através do olhar.

Brilhando tão quanto, e algumas vezes mais que Ryan, está a atriz Claire Foy que vive a esposa de Neil. Janet Armstrong, uma mulher forte que ao lado de Neil sofreu mas sempre o apoiou cuidando dos filhos enquanto o marido caminhava para o maior passo que a humanidade daria até então. A atriz é firme na fala e detêm um olhar penetrante, sendo perfeita ao passar as emoções vividas por sua personagem. Não seria exagero aqui uma indicação como atriz coadjuvante no Oscar.

A câmera no início é nervosa com bastante balanço, usada principalmente para fazer a introdução à vida de Neil, na qual temos um formato quase rústico de gravação e cortes bruscos de forma proposital. Tudo a fim de causar empatia com o que está se passando naquele momento do filme. O roteiro de Josh Singer (“The Post  -A Guerra Secreta”) carrega um ritmo lento durante os acontecimentos da história.  Os fatos contados são os centrais ocorrentes naquele período de tempo em que o filme se passa. Fatos esses que moldaram a personalidade de Neil, até o homem que vemos no final do filme.

Durante o longa, o uso do som é fundamental para nos causar emoção e nos deixar claustrofóbicos. Isso marca o filme em diferentes momentos. Não será nenhuma surpresa se a obra for indicada na categoria “mixagem de som”, pois proporciona cenas impactantes que não seriam nada sem essa recurso – principalmente nas missões espaciais que ocorrem durante a projeção.

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O diretor, como dito anteriormente, faz um uso excessivo de planos fechados, mas não só para mostrar a emoção e/ou a expressividade dos olhos, ele também usa esse recurso nas cenas internas nos veículos espaciais, priorizando cada detalhe desses e tornando tudo ainda mais realista. Outra coisa que Damian utiliza e que funciona bem no longa, são alguns planos sequências e algumas câmeras fixas; esses dois usados no filme para mostrar o cotidiano da família de Neil.

Quanto à  fotografia, vale destacar os poucos e belos planos abertos que revelam as cenas no espaço. Esses são visualmente deslumbrante e lembram, em determinados momentos, “2001: Uma Odisseia no Espaço”. Entretanto, são pouco utilizados principalmente por não caberem muito na forma que a história é conduzida. Um recurso mais estilístico e bastante funcional são os reflexos, seja no capacete de Neil na lua ou em um vidro espelhado durante o lançamento de um foguete, que proporcionam um vislumbre ainda maior. Contudo, é na cena final que temos o maior capricho, nela unem-se todos aspectos técnicos importantes, efeitos especiais, iluminação, o som ou a falta dele, a cenografia e a fotografia, garantindo o ápice da história, que por si só vale o filme.

“O Primeiro Homem” conta os dramas e o trabalho daqueles que por trás do foco fizeram história e serão lembrados eternamente por uma das maiores, se não a maior, conquista da humanidade até o século XX. E a forma como o filme conduz isso nos causa empatia, nos mostrando que cada um possui seus motivos para lutar pelo que acredita ser possível. Essa obra cinematográfica nos faz refletir sobre a capacidade da humanidade e suas escolhas pelo caminho. Lembramos aqui que a nossa história possui muitos homens como Neil, e que eles não devem ser esquecidos jamais.

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6.8
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Oscar

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D'Andrade

Cria da Baixada Fluminense e apaixonado por cinema desde sempre. Hoje escrevo roteiros, atuo na produção audiovisual, vou dirigir meu primeiro filme e me dedico a cada dia mais a aprender sobre o cinema. Fã de Steven Spielberg e louco por Jurassic Park, me encontro melhor quando estou perto de sucessos populares, de Titanic a Minha Mãe é uma Peça.

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