Crítica: Punho de Ferro

O imortal Punho de Ferro, é a pior Série Marvel?

Uma temporada com 13 episódios é o padrão das Séries Marvel para Netflix. Mas depois disso, “Punho de Ferro” não tem mais nada muito parecido com as séries que antecederam.

Tudo começou com “Demolidor”. A série foi um divisor de águas nas produções originais da plataforma de streaming. A sequência com “Jessica Jones” e uma segunda temporada de “Demolidor” firmaram o terreno para as ótimas produções de séries de heróis. “Punho de Ferro” veio acompanhado de “Luke Cage” para formar o quarteto dos famosos “Defensores”, que também viria em seguida mostrando na união dos personagens.

Para chegar ao auge do encontro dos quatro heróis, tivemos temporadas individuais para conhecer melhor esses personagens que a princípio parecem não ter nada em comum, além da proximidade geográfica.

A Série “Punho de Ferro” (the Iron fist, no original), foi alvo de algumas polêmicas antes do seu lançamento, devido a escalação do ator Finn Jones para dar vida ao personagem principal. Última das quatro histórias a ser lançada, a série já era aguardada com muita expectativa após o enorme sucesso das três anteriores. E talvez, por isso, muitos fãs não tenham ficado tão satisfeitos. Após a produção, a caracterização (sem uniforme) do personagem ficou bem melhor do que o esperado.

A história acompanha Danny Rand, herdeiro bilionário das indústrias Rayne, que retorna à sua cidade natal após 15 anos sendo dado como morto. A saga de Danny mostra sua readaptação ao mundo ocidental após passar todos esses anos nas montanhas geladas onde o avião de sua família caiu. Ele foi encontrado por monges e treinado por eles para ser um dos possíveis defensores da cidade sagrada de K’un-Lun, título que recebeu de vez após um torneio que o levou a se tornar o lendário “Punho de Ferro”.

A vida em Nova York é muito diferente das lembranças do Jovem Rand. Ele passa por perseguições e provações após abandonar seu posto como defensor da cidade mística. Aliás, o cenário em que a série se passa também difere muito das demais. Danny é rico, frequenta o lado caro da cidade e não passa nem perto do Harlem ou de Hell’s Kitchen. Até a fotografia da série é diferente, valorizando mais o amarelo e o verde, revelando tons mais quentes para o lado bom e rico da cidade que se mostra mais iluminado e agradável de frequentar. Porém, a maldade e a corrupção estão por todos os lados e de onde menos se espera os problemas surgem.

Danny tem que lidar com seus traumas de infância, a empresa que não é mais sua, a traição que ao posto de protetor da cidade mística. E, acima disso tudo, o grande inimigo do Punho de ferro e de K’un-Lun: o Tentáculo (The hand). Esse inimigo não é novidade nas séries da Marvel, “Demolidor” e “Luke Cage” já esbarraram com eles em suas narrativas. O inimigo além de poderoso, traz personagens conhecidos para a trama de Rand.

Cabe ressaltar a participação de Madame Gao (Wai Chin Ho), a vilã que amamos odiar desde a primeira temporada de “Demolidor” e Claire Temple (Rosario Dawson). Claire já virou figurinha fácil e é a enfermeira oficial dos heróis defensores de Nova York. Ambas atrizes tem um ótimo desempenho, Rosario Dawson solidificou de vez sua carreira em Hollywood. Tanto como dubladora, como atriz, Dawson tem filmes como “Sin city”, “Sete vidas”, “Percy jackson” e também diversos jogos de videogames e animações como lego Batman e Liga da Justiça. Já a veterana atriz chinesa Wai Chin Ho, nos brinda com uma atuação impecável, daquelas de ter raiva mesmo sabendo que é tudo ficção.

A direção fica a cargo de Scott Buck, que também é um dos roteiristas da série. Buck conseguiu acertar o tom da narrativa e colaborou para conseguirmos acompanhar nitidamente a evolução de Danny. Falando nele, Finn Jones acabou sendo uma grata surpresa. Ao contrário do que o rosto jovem prometia ao anunciarem seu nome, ele soube captar as nuances do personagem e suas lutas internas e dar vida a um complexo herói com seus traumas e desafios. Jessica Henwick, faz da sua Coleen muito mais que uma sidekick. A atriz , que esteve em “Game of Thrones” como Nymeria Sand, é uma das revelações da série. Dentre os nomes já conhecidos do público, o eterno Faramir David Wenham traz um dos vilões mais controversos das sagas Marvel-Netflix. Ele era amigo da família e está muito mais envolvido do que Danny possa imaginar. A série também conta com a participação especial de Carrie- Anne Moss (“Matrix”), que apareceu anteriormente em “Jessica Jones”.

Achar aliados, identificar os inimigos, fórmula padrão seguida com competência no decorrer da temporada. Não é a melhor série Marvel-Netflix, mas também não é descartável como alguns pensaram. Danny pode ser o imortal Punho de Ferro, porém continua humano com erros e defeitos e isso é um aspecto bem abordado. Vale assistir e entender um pouco mais da origem desse herói com o soco iluminado mais forte do mundo.

A segunda temporada já foi confirmada por Jeph Loeb, chefe dos projetos televisivos da Marvel, em um recente Painel da San Diego Comic Con. Junto com o anúncio, o produtor deixou no ar que uma nova heroína, Misty Knight, pode se juntar ao elenco.

Crítica: Punho de Ferro
7.5Pontuação geral