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Crítica: Star Trek: Discovery

A franquia de filmes e séries “Star Trek” possui um sucesso inegável ao longo da história. Diversas tramas já foram criadas e muitos atores deram vida a personagens desse conto e suas sucessões. Assim, a sétima série televisiva da saga, situada 10 anos antes da série original de Star Trek, “Star Trek: Discovery” é feita para atrair fãs, não fãs e novos fãs. E, para isso, não se poupam esforços do elenco, da produção e nem dos efeitos de computação ao longo dos quinze episódios.

Atenção: essa crítica contém spoilers!

A história começa a bordo da nave USS Shenzou, comandada pela capitã Phillipa Georgiou (Michelle Yeoh). Com ela, trabalham a primeira oficial Michael Burnham (Sonequa Martin-Green, de The Walking Dead”), uma humana que foi criada na cultura vulcana por Sarek (James Frain, de Orphan Black”) e o kelpien Saru (Doug Jones, de A Forma da Água”). Após um ataque do Império Klingon onde a capitão Georgiou morre, Burnham é condenada a prisão perpétua por assassinato e formação de motim. Mas, o capitão Gabriel Lorca (Jason Isaacs, de The OA”), que comanda a USS Discovery, a resgata como cientista, onde ela reencontra Saru e conhece a jovem cadete Silvia Tilly (Mary Wiseman) e o astromicólogo Stamets (Anthony Rapp). Juntos, a tripulação da Discovery se prepara para enfrentar uma guerra com um inimigo pessoal da Federação.

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A série possui um grande elenco e não é pra menos, pois cada papel ali existe para um propósito e se adequa, a cada episódio, a aquilo que o público espera. Burnham, a protagonista, é uma personagem complexa e que vive cercada em muros invisíveis, para se proteger das diversas falhas emocionais que surgiram em seu caminho. O passado dela é bem explicado através das relações que tem com Phillipa e Sarek. Sonequa faz um trabalho impecável e bem diferente do apresentado em “The Walking Dead”, onde já interpretava uma protagonista forte. Novamente, dessa vez com todos os holofotes para si, a atriz conquista pouco a pouco o público para lutar pela personagem e torcer por ela, porque Burnham é a representação de muitas heroínas que se procuram por aí: negra, independente, forte, inteligente, segura de si e que se reergue, episódio após episódio, mesmo que todas as situações mais dolorosas cruzem seu caminho. Há muito tempo não se via e se estimava tanto uma personagem.

Não menos importante, temos Saru, personagem do ator Doug Jones. Saru é um kelpien e, na trama, kelpiens são medrosos e o medo os permite sentir a morte, uma questão que o roteiro aprofunda muito e às vezes o público releva essa informação quando ela, na verdade, é crucial para a história. Apesar de ser vendido como um covarde por sua raça, Saru tem uma postura diferente, surpreendendo até em alguns dos episódios finais, principalmente ao assumir o comando da Discovery. A mesma coisa pode ser dito de Stamets, que inicialmente passa uma impressão egocêntrica e, com o desenrolar da trama, acaba por mostrar seu verdadeiro eu e cativar o público – além de seu relacionamento com Hugh (Wilson Cruz), que é bonito de se ver até o surpreendente final.

Jason Isaacs, que já havia se destacado anteriormente como antagonista em “The OA”, aqui assume o mesmo esteriótipo misterioso, frio e calculista – e que dá certo. O verdadeiro vilão, Gabriel Lorca, é aquele personagem que faz a crítica querer motivos para amar e para odiar. E, sim, a atuação de Isaacs permite esse sentimento dúbio. Primeiramente, porque o ator não decepciona nem um pouco, nem na cena que revela suas verdadeiras intenções – e que fica impossível decidir se vamos torcer para Lorca ou para Giorgiou. A jogada por parte da produção, de investir num breve “sentimento” dele por Michael, também foi um ótimo ponto a ser explorado, pois mascarou as verdadeiras intenções do personagem.

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Do outro lado, lutando pelo coração vulcano da protagonista, temos Ash Tyler (Shazad Latif), que na verdade é um Klingon que foi submetido a uma cirurgia para infiltrar a Discovery e assim ganhar vantagem em relação a guerra. A dupla interpretação do ator – principalmente quando os pensamentos de Voq interferem diretamente nos de Ash – causa uma sensação angustiante, um desejo em ver o jovem livre do que foi submetido ao passado. Por isso, e por ter um coração tão sincero, que não tem como não querer ver Tyler e Burnham juntos. Não que Burnham não se garanta sozinha, pois é exatamente isso que ela faz durante os quinze episódios, mas o casal cria uma pequena esperança de final feliz para aqueles que possuem um passado sofrido.

Também temos a brilhante atuação de Michele Yeoh, como a capitão Phillipa Giorgou no começo da história e como a imperatriz Phillipa após a série investir, após 15 anos, no Universo Espelhado, situação que gerou um alvoroço enorme em quem acompanha a série. Principalmente com as novas posições que foram assumidas nesse universo, onde a falante e gentil Tilly se torna a capitã da Discovery e Michael a capitã da Shenzou. Após colocar todos os pingos nos “is” em doze episódios, é a partir do décimo terceiro que o foco volta a ser inteiramente na guerra contra os Klingons. Na trama, existe um salto de nove meses que mostra a derrota da Federação na guerra, e a tripulação da Discovery fora do Universo Espelhado – e sem Lorca, que merecia um final melhor – se desdobrando para consertar as perdas deixadas pela guerra.

O departamento de arte é outro ponto que merece o seu destaque. A começar pelos figurinos e seus detalhes em tons azuis e dourados, que dão um ar chique à bordo da nave. A mesma coisa pode ser dita dos trajes que os personagens usam no Universo Espelhado, e que investe em belos padrões dourados e prateados, como uma armadura desenhada. Do lado dos Klingos, também temos uma boa caracterização, desde suas vestimentas a aparência física e a nave, que é feita de “caixões”. A caracterização de Saru também não pode passar despercebida, principalmente os “fiapos” que saem do pescoço do kelpien ao sentir perigo, uma sinalização importante e que já deixa vários easter eggs ao longo dos episódios.

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A cena de luta entre Phillipa, Michael e Lorca, e que bota um ponto final no primeiro arco da história, entra como a melhor no meio de tantas outras cenas boas de ação. Os efeitos também não decepcionam, e investem nas luzes, sons e tudo aquilo que seja moderno – como a Discovery. Se a série tem um ponto negativo, esse é prolongar em doze episódios uma história que não merecia tanto e fechar, em dois episódios corriqueiros, o principal argumento (que era a guerra principal).

“Star Trek: Discovery” é uma série diferente, que toca em vários temas atuais, acerta na questão da representatividade que é tão exigida no audiovisual hoje e cria esperança, quando no último episódio, traz de volta brevemente a USS Enterprise ao som original de Star Trek e fecha sua primeira temporada em grande estilo. Se veremos Spock e Kirk? Não sabemos, até porque Spock só é mencionado brevemente na série, mas a trama já foi renovada para a segunda temporada. A série é da CBS, mas é transmitida internacionalmente pela Netflix, com quinze episódios disponíveis.

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10
9.5
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Acredita ser uma criação do Projeto Leda enquanto espera o Doutor com a sua Tardis. É apaixonada por cachorros, gosta de acender incensos, observar estátuas e tomar café. Descobriu que tudo é passível de crítica e desconstrói os enredos das mais de cem séries que já viu, para os leitores da Woo Magazine.

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