O que acontece na HQ da Supergirl desenhada e colorizada por dois brasileiros, principal referência para o filme do DCU?
O filme “Supergirl” é a nova adaptação para os cinemas da prima do “Superman” que estreia em 25 de junho, 42 anos depois do famigerado longa que, de tão ruim, acabou se tornando um cult. A produção de James Gunn, estrelada por Milly Alcock, com direção de Craig Gillespie, tem como inspiração a HQ “Supergirl: Mulher do Amanhã” – inclusive este seria o título do filme a princípio -, escrita por Tom King com arte dos brasileiros Bilquis Evely e Matheus Lopes.
Trata-se uma narrativa de fantasia espacial e western cósmico que utiliza a jornada de vingança de uma jovem para explorar a psique e o trauma da “Última Filha de Krypton”.
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A origem clássica da Supergirl nos quadrinhos remonta a 1959, na revista “Action Comics #252”, com a introdução de Kara Zor-El, a prima biológica do Superman. Nascida em Argo City, um pedaço de Krypton que inicialmente sobreviveu à destruição do planeta graças a uma redoma de força, a jovem foi enviada à Terra por seus pais, Zor-El e Alura, quando uma chuva de meteoros perfurou o solo da cidade e começou a envenenar a população com radiação de kryptonita.
Kara já era adolescente, sua missão seria proteger o primo na Terra. Porém, enquanto a cápsula que trazia o menino Kal-El para a Terra pousou rapidamente, a nave de Kara, no entanto, ficou presa na Zona Fantasma, deixando-a em animação suspensa. Quando chegou aqui, Kal-El já se tornara o Superman.
O arco que serve de mote para o filme do DCU é um arco de transformação e amadurecimento para a personagem.

O Encontro e o Incidente Motivador
A história se inicia com Kara Zor-El aos 21 anos, comemorando seu aniversário em um planeta banhado por um sol vermelho. Devido à radiação desse sol, seus poderes são neutralizados, permitindo que ela fique bêbada para tentar esquecer as dores de seu passado. Lá, ela conhece Ruthye Marye Knoll, uma jovem que busca um mercenário para vingar a morte de seu pai, assassinado de forma cruel por Krem das Colinas Amarelas.
A situação escala quando Krem ataca Kara e seu supercão, Krypto, com flechas envenenadas. Kara aceita o contrato de Ruthye não por dinheiro (a garota oferece a espada que matou seu pai), mas porque Krem rouba sua nave e possui o único antídoto que pode salvar a vida de Krypto.
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A Jornada pelas Estrelas
A dupla viaja por diversos sistemas estelares utilizando “ônibus espaciais” para seguir o rastro de Krem. Durante a viagem, Kara demonstra sua resiliência e o fardo de ser uma sobrevivente. Em um momento de perigo contra um dragão espacial sob um sol vermelho, Kara ingere uma pílula de kryptonita vermelha condensada. Para kryptonianos, essa substância torna alucinações realidade, permitindo que ela manifeste poderes flamejantes para salvar os passageiros.
Outro ponto chave é o Massacre em Maple. As duas descobrem que Krem se aliou à Brigada de Barbond, um grupo genocida que aniquila civilizações por diversão. No planeta Maple, Kara revela a verdade sobre um genocídio ocultado, onde a população “azul” sacrificou a população “roxa” para se salvar da Brigada.

Confrontos e Provações Físicas
Krem utiliza itens mágicos chamados Globos de Mortro para tentar banir Kara. Em um desses ataques, Kara e Ruthye são enviadas para Barrington, um planeta que orbita uma estrela de kryptonita verde. Kara fica à beira da morte, e a jovem Ruthye precisa protegê-la de monstros locais por dez horas até o pôr do sol, momento em que Kara recupera forças suficientes para tirá-las de lá.
O Passado de Kara e a Lição sobre Vingança
A trama aprofunda o trauma de Kara: ao contrário de Superman, que era um bebê, Kara tinha 14 anos quando viu Argo City (onde morava) sucumbir lentamente à radiação após a destruição de Krypton. Ela passou anos enterrando mortos e tentando salvar sua cidade antes de ser enviada à Terra.
No clímax da história temos:
- O Sacrifício de Cometa: O super-cavalo Cometa morre (em sua forma humana original) para proteger Kara e Ruthye durante a batalha final contra a Brigada.
- A Grande Revelação: Kara revela a Ruthye que Krypto nunca esteve em risco de vida; ele se recuperou do veneno rapidamente. Kara manteve a farsa para acompanhar Ruthye, sabendo que apenas vivenciar a jornada e o vazio da vingança faria a menina superar o trauma, em vez de apenas ouvir conselhos.
- O Destino de Krem: Ruthye derrota Krem em combate, mas escolhe não matá-lo, inspirada pela bondade e contenção de Kara.
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O Legado (300 anos depois)
A narrativa é contada sob o ponto de vista de uma Ruthye idosa, 300 anos no futuro, que escreveu um livro sobre suas aventuras com a “Mulher do Amanhã”. O final mostra Kara e Krypto visitando a velha Ruthye para libertar um Krem envelhecido da Zona Fantasma, onde ele cumpriu sua sentença e demonstrou real arrependimento por seus crimes.
A importância da dupla brasileira
A obra se sagrou vencedora do Prêmio Eisner 2022 como “Melhor Minissérie”, é celebrada tanto pelo roteiro de King quanto pela arte detalhada de Bilquis Evely, além das cores narrativas de Matheus Lopes, fundamentais para a narrativa, atuando como uma espécie de “trilha sonora visual” que define o peso emocional de cada cena. Elas não só tornam a obra esteticamente agradável, mas são integradas diretamente ao contar da história, influenciando a percepção do leitor sobre o tom e a vida da jornada de Kara Zor-El.

Esta narrativa através da cor é descrita como parte ativa da narrativa, com destaque para momentos em que ele utiliza a ausência de cores para gerar um impacto emocional profundo no leitor, reforçando pontos críticos da trama. As paletas de Lopes dão o tom, a vida e a emoção necessários para a jornada da personagem. Isso é especialmente visível na edição #6, a favorita do colorista, que explora o passado traumático da Supergirl em Argo City.
A parceria entre Lopes e Bilquis Evely permite soluções complexas onde as cores se adaptam perfeitamente ao estilo detalhado da arte, facilitando a exploração de novas abordagens visuais que acompanham a evolução da história.
Em resumo, a colorização de Matheus Lopes é um pilar da obra, sendo essencial para transformar o roteiro de Tom King em uma experiência imersiva que comunica os sentimentos das personagens sem a necessidade exclusiva de diálogos.
Imagem: Divulgação/DC Comics/Warner Bros. Pictures


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