A noite da última sexta (28/10) foi diferenciada pra quem esteve no Vivo Rio. Fernanda Abreu tomou conta do espaço com o lançamento do seu novo projeto, o CD “Amor Geral”. E a maneira como ela lançou o projeto? A melhor possível, vou te dizer porquê.

Fernanda Abreu começou sua carreira musical como backing-vocal da banda Blitz e sua carreira solo com o CD Sla Radical Dance Disco Club, trabalho embalado por músicas com estilo disco. Logo em 1992 lançaria a música que se tornou um grande clássico com potencial de atravessar gerações, “Rio 40º Graus”. Em sua discografia, mesmo com o passar dos anos, presenciamos poucos lançamentos de Fernanda na indústria fonográfica, fato inclusive mencionado por ela no show tornando-o ainda mais especial.

Passados alguns anos desde sua última gravação em estúdio, aguardou-se ansiosamente pelo projeto que fez Fernanda Abreu lançar um disco em 2016.

Em seu repertório, Fernanda nos trás a crua realidade carioca retratada de maneira leve, descontraída e responsável. Canta o cotidiano de muita gente com muita destreza. Ações que em tudo tem a ver com seu jeito extremamente carismático. Carisma que cativa e envolve qualquer público preparado para um espetáculo.

Muitas vezes associamos ‘espetáculo’ com estruturas caríssimas e de grande porte, estou certa que toda aquela ornamentação maravilhosa que admiramos no palco contribui para esse status que atribuo a apresentação do projeto, um espetáculo. Entretanto, é preciso saber que o empenho, dedicação, vontade, trabalho e paixão pelo que faz é o que torna a coisa toda em um espetáculo. Qualidades que Fernanda Abreu transbordou durante sua apresentação no Vivo Rio.

A casa tem uma estrutura de primeira e funcionários que sabem fazer tudo funcionar em plena ordem numa noite tão importante, pra música brasileira, para quem gosta de Fernanda e para a própria.foto-4-gui-paganini-arte-giovanni-bianco2

Chegamos com as cortinas do palco fechadas, sem saber exatamente o que estava por vir. E a surpresa não poderia ter sido melhor. Fernanda Abreu e toda sua equipe organizaram um esquema de palco que favoreceu, embelezou e abrilhantou toda apresentação. Esquemas de luzes e cores extremamente envolventes na arte de Fernanda e sua “trupe”. É importante ressaltar o quanto os músicos estiveram participativos e revelando uma satisfação enorme por estarem produzindo um trabalho tão bom. E não era pra menos, é uma reunião de músicos excepcionais no que fazem. Tuto Ferraz (bateria), André Carneiro (contra-baixo), Fernando Vidal (guitarra), Donatinho (teclado) e Vanderlei Silva (percussão). Músicos que não se resumem a tocar perfeitamente as músicas, mas participaram de outras formas, dançando e brincando com Fernanda durante as músicas. Como resultado de tanta entrosação, presenciei muitos sorrisos e a satisfação estampada no rosto de cada um por estarem ali no palco, tocando e dançando aquelas músicas.

Fernanda passou para o público sua vibrante energia, contando ainda o quanto estava sendo importante aquela oportunidade. Foi o primeiro show de lançamento de “Amor Geral”. Como ela disse: estávamos todos perdendo a virgindade, tendo ‘nossa primeira vez’ com o projeto (e foi bom demais).

O show todo contou com jogo de luzes e efeitos sensacionais, além da coreografia também montada por Fernanda Abreu. E se você ainda não sabe, ela também estudou balé, dança contemporânea e dança clássica. O que explica coreografias tão marcantes que ressaltaram ainda o poder da coreografia junto à música. Gerando uma interpretação que agrega melodia e letra. E falando em coreografias, não poderia de jeito algum deixar passar em branco o trabalho de Alegria Mattus e Victorya Devin. O que é o trabalho delas? É deslumbrante assisti-las em apresentação. Muito bem sincronizadas e bem a vontade no palco, fizeram toda diferença com coreografias de cair o queixo.

Durante sua apresentação, colocou sorriso no rosto e vontade de dançar em quem compareceu. Esquentou o público cantando músicas suas que são extremamente queridas e que sabemos de cor. “Rio 40 Graus”, “Kátia Flávia, a Godiva de Irajá”, “Garota Sangue Bom”, “Veneno da Lata” e “Brasil é o País do Suingue”. Em outro momento de show, nos encontramos em meio a um cenário de discoteca, que é uma de suas vertentes musicais.

Finalizando o evento, aconteceu um medley com funks clássicos e marchinhas de carnaval. Uma das marcas dela, se dá pela sua importância com o funk antigo. Inclusive respeito também foi uma das mensagens levadas. Fernanda deixou claro o quanto é lastimável ainda no século 21 existir ações racistas e homofóbicas contra pessoas.

Show envolvente, convidativo, preparado, animado, produzido. Fernanda deixou bem explícita sua gratidão por estar nos apresentando aquele projeto, com a presença de família e amigos. Estava extremamente agradecida por estar apresentando seu trabalho no Vivo Rio, e nós também!

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Por Letycia Miranda