Nos anos 80 surgia um inspetor que tinha à sua disposição diversos aparelhos para trabalhar nos seus casos, ou melhor, diversas bugigangas… E não só as tinha, mas eram parte dele, fazendo com que ficasse conhecido como o “Inspetor Bugiganga”! Mas ter helicóptero, patins a jato, braços de longo alcance ou qualquer um dos inúmeros dispositivos de combate ao crime não eram o suficiente para o inspetor trapalhão conseguir ter sucesso em seus casos. Ele acabava conseguindo, mas contava com três “fatores” para isso: Penny, Crânio e sorte. Muita sorte!

A série animada original foi uma produção franco-americana-canadense da DiC Entertainment, exibida pela primeira vez em 1983. Criado por Bruno Bianchi, Jean Chalopin e Andy Heyward, o inspetor surgiu no episódio piloto “Winter Olympics”, mas lá ainda tinha um detalhe que o diferenciava do Bugiganga que conhecemos e amamos. Um bigode. Bigode esse que foi convidado a se retirar pelos estúdios MGM, que reclamaram sobre o fato do personagem lembrar muito o Peter Sellers no papel do Inspetor Closeau, no filme de 1963 “A Pantera Cor de Rosa”. Bem, vai-se o bigode e ficam as bugigangas, e assim a adorável criação do trio fez sucesso, ainda que com essa pequena adaptação. Afinal, para esse inspetor, adaptações não são problema algum, não é?

Da esquerda para a direita: A esperta Penny, seu cachorro Crânio e o atrapalhado Inspetor Bugiganga

A série tinha um enredo bastante simples. A organização criminosa MAD, comandada pelo misterioso “Garra”, estava sempre tramando algo sinistro e o único que poderia frustrar seus planos era o Inspetor Bugiganga. Apesar de ter os mais diversos dispositivos acoplados em seu próprio corpo, o inspetor é trapalhão, distraído e sua capacidade de distinguir os “bons” dos “maus” é praticamente nula, mas ele acaba obtendo sucesso todas as vezes, graças a sua sobrinha Penny, uma menina esperta e ágil, e ao seu cachorro Crânio, que embora sempre estivesse salvando o “tio Bugiganga” de algum perigo, acabava sendo confundido com um malfeitor, enquanto os verdadeiros bandidos passavam por inocentes.

A trama além de simples não era tão original, já que podemos ver algo bem parecido, por exemplo, com “Hong Kong Fu”, produzido pela Hanna-Barbera nos anos 70. Apesar do protagonista levar os créditos, quem realmente salvava o dia no desenho era o gato China. Mas, se o desenho não tinha muita complexidade ou originalidade, sua beleza estava em como a história era contada e no carisma dos personagens. Impossível não se divertir vendo o agente se atrapalhando em meio aos milhares de dispositivos, sempre com a melhor das intenções. Ele era salvo por seus aliados ou por pura sorte sem ao menos se dar conta disso. O Chefe Quimby, responsável por levar as missões ao inspetor, sempre acabava sofrendo com a mensagem que se autodestruía em sua cara por descuido do Bugiganga. No final de cada episódio, ainda havia uma mensagem para as crianças, típica dos desenhos dos anos 80, onde os personagens davam alguma lição sobre amizade, honestidade, perigos a serem evitados e coisas do tipo.

O desenho ganhou vários spin-offs, entre eles o “Garoto Bugiganga” (Gadget Boy & Heather, 1995) e o “Inspetor Bugiganga 2.0” (2015), feito em computação gráfica. Esse último está disponível na Netflix, e traz o inspetor de volta de sua aposentadoria após o Garra retornar de seu exílio. A principal diferença está no fato de Penny, sobrinha do inspetor, não ser mais uma criança. Na nova série ela é uma adolescente que se apaixona por Talon, garoto prodígio e sobrinho do maior inimigo de Bugiganga, que se infiltra entre os aliados do inspetor para saber onde está a garra de seu tio. Outra diferença significativa é que Garra, o principal vilão da série, está muito mais incompetente do que de costume, não representando uma ameaça realmente grande. Embora a nova série esteja bem longe da essência da primeira, que tinha roteiros simples, mas, bem construídos, a atual ainda diverte, e mesmo com tramas curtas e sem muita aventura, ainda é possível se divertir com o velho inspetor e dar boas risadas de algumas situações.

O Inspetor em seu spin-off mais recente, em computação gráfica: Inspetor Bugiganga 2.0

Dois filmes foram produzidos pela Disney, um em 1999 o outro em 2003, mas entre eles e a série original fica mais fácil achar diferenças que similaridades. Para começar, o inspetor ganha aqui um nome e uma origem diferente. John Brown é um segurança que sofre um acidente que tem partes de seu corpo substituídas pelos mecanismos de combate ao crime. O vilão envolvido no acidente também perde sua mão, ganhando em seu lugar a garra que daria sua identidade. Na série original, não havia a revelação nem do nome e nem da origem do inspetor, embora essa tenha sido publicada em uma coleção de cards e seja bem mais simples que no filme: O inspetor escorregou em uma casca de banana, essa foi a causa de seu acidente. (Admita, é muito mais a cara dele!)

Enfim, ainda que possa ser considerada uma afirmação nostálgica dizer que a série clássica é uma maravilha e incomparável com qualquer de suas adaptações, por tudo o que vimos, é o correto! Ainda assim, se for para rever nosso querido Bugiganga em ação novamente, podemos considerar toda tentativa válida e bem vinda! Go! Inspector! Go! Bugicóptero, entre em ação!


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Tom Dutra

Tom Dutra é ator e formado em Artes Visuais. Além disso, faz desenhos e tem dificuldades em dizer se é cartunista, quadrinista, desenhista ou ilustrador! É apaixonado por animações e quadrinhos. Coleciona trilhas sonoras de desenhos animados e é comum encontrá-lo na rua cantando essas músicas.

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