Já diziam os mais velhos: se conselho fosse bom, vendia. E não é que essa premissa mostrou-se verdadeira? Hoje, frequentemente, vemos livros com os mais diversos conselhos sobre tudo: como morar sozinha, como consertar algo, como fazer nossos dias mais produtivos, como nos tornarmos melhores pessoas… Ou seja, alguém realmente capitalizou a sabedoria antiga.
Hoje, livros de auto-ajuda, categoria que mais dá conselhos para as pessoas, tornou-se um negócio que não parou de crescer mesmo em tempos de crise. Em 2015, a venda desse tipo de obra cresceu 42% se comparados ao mesmo período de 2014. E engana-se quem pensa que são escritos com bases religiosas: muitos deles, na verdade, são conselhos sobre carreira, dinheiro e vida profissional.
Augusto Cury, psiquiatra, professor e escritor, é autor de diversos livros de auto-ajuda e seus temas abrangem bastante conselhos de como ser um melhor profissional e como ter uma ocupação estável. Cury já escreveu cerca de 40 livros, que venderam mais de 25 milhões de exemplares e foram publicados em mais de 70 países. Entre suas obras mais famosas estão: “Bons Profissionais e Excelentes Profissionais”; “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes”; e o “Vendedor de Sonhos”, que em 2016 ganhou uma versão cinematográfica, algo que já vem sendo tendência no cinema mundial: livros que visam aconselhar, agora também se tornam filmes.
Sem dúvidas, existem leitores ávidos à busca deste tipo de literatura. Nunca houve tanta pressão, a economia (nacional e mundial) passa por níveis baixíssimo de rendimentos, crianças, jovens, adultos e idosos sofrem com doenças causadas pelo estresse, depressão, ansiedade e outros males que nada mais são do que consequências. E ao precisarem de ajuda recorrem a auto-ajuda, visando conhecer e pôr em prática o que está escrito lá.

Outro livro que já gerou diversos documentários, filmes e debates é “O Segredo”, de Rhonda Byrne. O livro, muito mais que oferecer conselhos, faz uma verdadeira análise sobre a lei da atração, que diz que podemos ter tudo o que de fato desejamos, desde que saibamos como usar o universo para atrair as coisas. A primícia dele serviu como forma de catapultar outras centenas de livros que debatem sobre essa informação, bem como ensina a melhor maneira de usá-la e o que fazer com ela. O Segredo conversa também com a baixa auto-estima, a falta de confiança, a depressão e o medo, e ainda que não mostre caminhos seguros de vencê-los, mostra que existe lugares diferentes do que as pessoas estão hoje.
E é justamente sobre a mudança o que os livros mais falam atualmente. Até mesmo grandes contadores de histórias, como Paulo Coelho, volta e meia colocam em seus escritos temas que dão conselhos, mas bem disfarçados em seus contos. Não é incomum vermos obras de Coelho misturadas entre os livros de auto-ajuda justamente pelas temáticas que o escritor trabalha. Ele conquista um público que entende a mensagem que está intrinsecada no material, mas ao mesmo tempo não se sente a vontade buscando ajuda nesse tipo de conteúdo. O conselho é passado, mas de forma indireta.

Outra obra que há pouco tempo chegou no cinema foi o sensível (e religioso) “A Cabana”, de Willian P. Young. Lançado em 2007, só até 2009 já tinha vendido mais de 10 milhões de cópias pelo mundo. O enredo do livro é dramático e triste, mas pode ser enriquecedor: uma família perde seu membro mais jovem, a mãe se apega a Deus e o pai se afasta, culpando o ser divino pela morte da filha. A história é sobre perdão e compaixão. Bem como qualquer obra, essa não deixou de ser controversa: enquanto muita gente amou o livro, outras pessoas o odiaram e fizeram campanha contra. De qualquer forma, este é um dos produtos de auto-ajuda mais exitosos do mundo e constantemente está entre os livros mais vendidos.
Seja como for, dar conselho tornou-se algo bom porque ajuda milhões de pessoas mundo afora, mas, e de maneira obvia, transformou-se em algo lucrativo, já que todo mundo precisa de um conselho. Ainda mais se ele tiver ares de ajuda profissional.


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