Super-heróis, se alguém pode dizer qual foi uma das maiores tendências do cinema nessa última década foi a dos vigilantes mascarados. O que antes era visto como um tipo de filme muito pouco explorado pelos estúdios e até apontado como um investimento de risco – e até brega – hoje é um gênero consolidado que gera bilhões de dólares em bilheteria e que todo mundo quer fazer o seu, mas será que essa moda tem data pra acabar?

Muitos críticos de cinema e cinéfilos dizem que estão bem saturados dos super-heróis nas telas do cinema e que muitos desses filmes se tornaram genéricos e repetitivos, sempre com a mesma estrutura de trama em seu enredo, alguns até já batizaram isso de “Fórmula Marvel” por causa dos filmes do estúdio com o mesmo nome, que está sendo o maior produtor de mascarados na telona.

Isso está sendo uma verdade, mas parece que o mercado acordou para essa preocupação e aos poucos está mudando suas obras pra não morrer. Heróis que flertam com gêneros que parecem destoantes com o modelo de blockbuster, estão começando a aparecer nos últimos anos e parecem que estão agradando o grande público.

Em 2016 Deadpool surgiu de uma forma completamente inesperada, começou com uma campanha de marketing hilária que mais parecia piadas filmadas pelo Ryan Reynolds (protagonista do filme) para alguma pegadinha, depois vieram trailers que mostravam que a censura para o filme seria alta, e então veio o filme. Uma comédia bem violenta, com momentos totalmente no-sense que entregava uma história nada mirabolante, mas bem redonda e interessante de se ver. E quando isso aconteceu, os estúdios perceberam que a inovação seria necessária, porque além do público ter gostado de ser surpreendido com algo novo, aquilo seria uma demanda que precisaria ser atendida daquele ponto em diante. 

A “Fórmula Marvel” continuou também, outros filmes padronizados continuaram sendo feitos, mas a centelha da inovação tinha sido acesa e uma pessoa que viu isso e decidiu aproveitar o momento com unhas e dentes foi Hugh Jackman – eterno Wolverine – que queria se despedir do papel com uma obra que fã nenhum pudesse colocar defeito. E foi isso que ele fez, foi atrás do estúdio e mostrou seus planos para “Logan”, queria fazer um drama que explorasse todo o lado emocional do seu personagem, que até aquele momento não tinha sido devidamente mostrado em nenhum filme dos X-men ou do próprio Wolverine.

Os produtores deram sinal verde para a produção e em 2017 “Logan” estreava, sendo elogiado pela crítica e sendo um sucesso de bilheteria, conseguiu ficar na maioria das listas de melhores filmes de 2017 e até foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e assim o drama do mutante das garras de adamatium teve seu lugar ao sol e mais uma vez mostrou que pensar fora da caixa é algo que funciona para os super-heróis. 

Também em 2017 foi lançado “Mulher-Maravilha”, que até agora foi o único acerto da DC filmes. A primeira heroína protagonista feminina, foi uma das maiores bilheterias do ano e ainda conseguiu ser apontada como símbolo de representatividade para mulheres. A diretora Patty Jenkys, mostrou tanto na tela quanto em entrevistas que queria fazer um manifesto com a história da amazona, fazendo seu público pensar e se divertir.

A Marvel percebeu o sucesso disso e fez questão de dar o filme do “Pantera Negra” pro diretor que iria entregar um filme com um conteúdo bem reflexivo e politizado. Ryan Coogler, encheu seu filme com um teor bem político e usou seus personagens não apenas para contar uma história de um herói em um universo fantasioso, mas para falar sobre representatividade e criticar o momento atual em que o mundo se encontra, onde as fronteiras estão cada vez mais demarcadas e as pessoas estão fazendo cada vez mais questão de se distanciar umas das outras. 

Uma coisa é certa, para essa onda continuar sendo bem-sucedida no cinema, não se pode mais querer agradar apenas fãs de quadrinhos e mesmo esse grupo de pessoas já mostra que quer inovação. Por isso, só nos resta torcer para que cada vez mais os estúdios entreguem seus personagens para autores com assinatura que queiram entregar um conteúdo inédito que surpreenda sua audiência.


Por Fernando Targino