O Portrait de hoje traz uma Pernambucana “arretada” que veio com a cara e a coragem ao Rio de Janeiro para construir uma nova vida. Ela que além de dançarina e coreógrafa é fisioterapeuta e já esteve em vários palcos do Rio e pelo mundo à fora. Vamos de Portrait com a lindíssima Micha Nunes! 

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Aimée: Micha, com quantos anos escolheu essa carreira e o que te levou a isso?

Micha: Eu costumo pensar que foi a dança que me escolheu! Eu comecei aos 11 anos na escola por diversão e entrei para a dança profissional aos 17 e mesmo assim não vivia dessa profissão, apenas levava como hobby, mas de uma maneira mais séria como era exigido na Cia em que eu dançava danças folclóricas. E a partir daí o comprometimento foi ficando cada vez mais intenso até que me mudei para o Rio de Janeiro e passei a viver disso. E foi um processo natural e nada planejado.

Aimée: Você é Pernambucana, e veio para o Rio ainda nova. Essa decisão foi baseada em que? Qual foi a reação da sua família com a sua saída?
Micha: Eu fiz um teste para um Show brasileiro dirigido e coreografado pelo Jaime Arôxa, por incentivo de amigos bailarinos que também fizeram. Passei no teste assim como vários dos meus amigos e decidimos que só iríamos se todos fossem juntos. Pois bem, todos vieram! Era uma experiência de um ano e meus pais se assustaram, usaram vários argumentos, mas eu estava decidida. No fim, meus pais com o coração na mão, cederam e deixaram. Bom, gostei tanto que acabei ficando (rs) e eles demoraram a se acostumarem.
Aimée: Entre as diversas danças de seu conhecimento, qual você se relaciona melhor?
Micha: Atualmente, as danças à dois, “dança de salão”.

Aimée: O Rio de Janeiro, para você, oferece um bom mercado para dançarinos? Quais são as dificuldades do dia-a-dia?

Micha: Penso que oferece um mercado melhor do que é oferecido em outros estados, mas que poderia ainda ser melhor e mais valorizado. As dificuldades vão tanto da questão da valorização do profissional de dança, quanto da credibilidade e respeito da sociedade perante essa profissão. Infelizmente, nos tempos de hoje, podemos ser aclamados e emocionarmos o público, e em outros meios sociais, ainda  podemos ser questionados se essa pode ser considerada realmente uma profissão ou não.

Aimée: Você cursou  faculdade de fisioterapia. No caso, a fisio, foi por opção, vontade sua, ou foi para complementar a dança?

Micha: Quando escolhi a fisioterapia pensei primeiramente que eu poderia de alguma forma trabalhar com o movimento (dançado ou não) como instrumento de reabilitação, que é um propósito da fisioterapia. Então não pensei em complementar a minha dança, pensei em como eu poderia ajudar as pessoas através da minha experiência com movimento somada a formação em fisioterapia. Hoje, formada, eu sinto que a dança é que complementa a minha formação em fisioterapia e não o contrário.

Aimée: Bom, a dança traz muitos benefícios, sejam eles, mentais ou físicos. Na sua opinião, a dança deveria estar na grade escolar? Por que?

Micha: Sem dúvida, acho que deveria  ser implementada dentro da grade escolar. Por fugir da proposta de sala de aula trazendo o lúdico a partir do movimento levando a benefícios psicomotores e sociais comprovados cientificamente. Penso que poderia fazer parte da disciplina da educação física, sem deixar de priorizar também as outras atividades dentro da disciplina necessárias para o desenvolvimento infanto-juvenil.

Aimée: Vamos falar de crise! Essa que vem afetando a todos. Quanto a isso, como o meio da dança vem respondendo? Prejudicou você de alguma forma?

Micha: Sim, as pessoas passaram a dar prioridades com relação aos gastos, de forma que o entretenimento de uma forma geral, falo da arte (teatro, dança e música), não se encontram entre as primeiras prioridades.

Aimée: Dançar! Só quem conhece, faz ou está perto de quem pratica ou leva como profissão sabe dos sacrifícios. Horas e horas tomadas, além dos finais de semanas, que às vezes são inexistentes por longos períodos. Como foi conciliar uma faculdade de fisioterapia com a dança?

Micha: Foi difícil para caramba, porém não é nada impossível. Cada um sente o cansaço a sua forma. Hoje vejo que muitos fizeram os mesmo sacrifícios e talvez tenham sentido menos ou mais cansaço do que eu. Acho que depende também da determinação e organização, e foi isso que me manteve firme e capaz de seguir até o final.

Aimée: Você tem uma parceria com seu noivo Josuel, e nem sempre é fácil separar o profissional do pessoal. Como vocês lidam com isso na hora das “DRs” profissionais (sendo isso muito comum em parcerias)?

Micha: Acho que o começo é sempre muito difícil e acabamos confundindo um pouco mesmo, mas como qualquer relacionamento, seja ele profissional ou pessoal, sempre atinge uma fase de maturidade em que a convivência fica muito mais fácil e adaptada de acordo com as expectativas e gosto de cada um,  e assim a separação entre as duas coisas também se torna muito mais natural, a ponto de que fora da sala de ensaio pode parecer que nenhuma divergência aconteceu. Bom, falo por nós! (rs)

Aimée: E para finalizar, fale um pouco sobre a Micha dançarina e a pessoa que ela é fora dos palcos.

Micha: A Micha dançarina é sonhadora, humilde, um pouco perfeccionista e que está sempre querendo aprender algo e que ama compartilhar os palcos com as pessoas queridas do meio da arte no geral. Já a Micha fora dos palcos é mais difícil falar, mas acho que ela tem todos esses adjetivos da dançarina com alguns defeitinhos básicos de inquietudes e TOCs. (rs). No mais, tem uma virtude que considero importante na minha formação como ser humano, antes de qualquer coisa, sou honesta, para caramba.

Finalizando com o nosso Portrait da Micha!

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Aimée Borges

Aimée Borges gosta de dançar ao vento, beber água gelada e sorrir para Lua. Apaixonada por contos e fadas, deixa-se levar por sua curiosidade que a transporta para um mundo ainda mais louco que o da Alice.

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