Filmes de ação fazem sucesso e sempre fizeram (pelo menos na maior parte das vezes), com a sua receita Hollywoodiana de cenas frenéticas, histórias fáceis de entender e um bom astro que faça as pessoas irem ao cinema (às vezes sem nem saberem sobre que se trata o filme). Mas esse último ingrediente dessa receita parece estar em falta atualmente, a nova geração carece de astros de ação como o cinema teve em outras épocas como nas décadas de 1980 e 1990.

A produção de ação nunca parou, ao contrário, até aumentou principalmente por conta dos  filmes de super-heróis como os da Marvel e da DC, porém os personagens que estão levando a audiência ao cinema estão sendo praticamente apenas heróis e vilões de quadrinhos que estão sendo adaptados, não estamos dizendo que isso seja uma coisa ruim, mas o cinema não está criando seus heróis originais, ele está tendo que ir atrás dos quadrinhos para achar seus novos ícones.

Os heróis musculosos sem qualquer compromisso com a realidade que estrelavam os filmes que vimos tantas vezes no VHS ou na “sessão da tarde” como Stallone, Arnold, Bruce Willis ou até Van Damme não estão tendo mais seu lugar ao sol. Não estamos dizendo que esses atores ainda não estão produzindo bem, porque eles estão, mas não está mais aparecendo astros tão icônicos quanto eles nos dias atuais.

Talvez a única franquia frenética de ação da atualidade que não é produto de adaptação seja “Velozes e Furiosos”, que tenta juntar o maior time de estrelas possíveis e que tem os únicos candidatos dos dias atuais a brucutus de ação, que são o Dwayne Johnson e o Vin Diesel. 

O primeiro citado desses dois até que está em uma carreira ascendente, fazendo filmes bons (às vezes, dando uma escorregada, como foi o caso de Baywatch), mas no geral ele está conseguindo escolher bons papéis e até salvar uma franquia ou outra que precisava de uma alavancada como o caso de “G.I. Joe” ou uma história que teve uma continuação depois de muitos anos e precisava de uma repaginada e uma presença carismática no elenco como foi o caso do “Jumanji”.

Já o Vin Diesel, se tornou refém dos carros de “Velozes e Furiosos”, o ator não emplaca um filme que não seja dessa franquia já faz um tempo, tanto que ano passado até produziu o “Triplo X: Reativado”, continuação de um dos seus primeiros filmes como protagonista, onde ele tenta juntar a atmosfera de espionagem com o descompromisso com a realidade de uma forma nada séria e que faça a audiência se divertir. O filme não foi ruim, mas também não foi nada que marcasse quem viu.

Existem também atores que fazem filmes em menor escala e tentam ganhar seu lugar nesse gênero, é o caso de Jason Statham que faz seus filmes com golpes de karatê e tiros, quase que uma mistura de Steven Seagel com Van Damme, mas que ainda não conseguiu chegar no patamar que nenhum desses dois já teve outrora.

Não dá pra esquecer dos atores que volta e meia tentam fazer filmes de ação, sejam eles bem-sucedidos ou não. Um caso que quase nunca acerta é o Nicolas Cage, que já fez tanto “Con Air – Fortaleza Voadora” – filme que fez quase sucesso nenhum de crítica e de público  – quanto também fez “A Rocha” em que dividiu a tela com Sean Connery e que acabou sendo um dos filmes mais icônicos do diretor Michael Bay.

Nessa mesma leva de atores que flertam com o gênero está também o Keanu Reeves que nos últimos anos encarnou o “John Wick”, personagem que parece ter saído de um túnel do tempo, já que quase não tem antecedentes mostrados na tela e que só busca vingança, no estilo mais oitentista possível. A franquia é muito boa, mas não tem a mesma visibilidade que “Velozes e Furiosos” e Keanu Reeves ainda é mais conhecido por ter encarnado o Neo do que o próprio John Wick.

O cinema de ação pode até não ser constituído de filmes que devam ser levados a sério ou que gerem grandes discussões em círculos cinéfilos, mas ainda é uma categoria que entretém e que tem o potencial de gerar filmes que fiquem na memória das pessoas. Seria triste saber que toda a ação estaria contida apenas a adaptações de quadrinhos ou a filmes nostálgicos como é o caso de “Mercenários”, a reinvenção é necessária! Seja de boas histórias ou de grandes astros.


Por Fernando Targino