Quando falamos de games de terror, atualmente, pensamos em “Amnesia” ou “Outlast”. Ainda há, também uma grande – senão maçante – variedade de títulos com zumbis. Até Resident Evil, para o bem ou para o mal, tentou substituir seus zumbis, eventualmente – mas isto é assunto para outro post. No entanto, entre os anos noventa e a primeira metade da década de 2000, uma das maiores franquias era Silent Hill.

Desde então a franquia “colega” que acabamos de citar, Resident Evil, já esteve no fundo do poço e voltou, enquanto SH teve seu título mais recente e promissor devidamente cancelado. Uma pena, pois um novo jogo da franquia cairia muito bem.

Como nossos leitores aqui provavelmente já sabem, “Silent Hills” seria o título. O projeto havia ficado conhecido mundialmente como ‘P.T’. – sigla para Playable Teaser, ou seja, uma demo do que poderia vir a ser ao menos uma parte da versão final do jogo.

Resumindo a dolorosa história: Kojima, um dos nomes mais respeitados da indústria gamer, seja pelos profissionais do meio ou pelos próprios jogadores, se desentendeu feio com a Konami. Hills, que vinha sendo desenvolvido em parceria como o cineasta Guillermo del Toro (“A Forma da Água”) e o ator Norman Reedus (“The Walking Dead”), seria cancelada definitivamente, em abril de 2015. Enquanto o trio voltaria a se reunir para um novo projeto de Kojima, o aguardado Death Stranding, parece que nunca saberemos o que seria do cancelado (e necessário) game da lendária franquia de horror.

Norman Reedus no ‘Playable Teaser’ do cancelado ‘Silent Hills’ (reprodução)

É claro que, entre si, as franquias SH e RE são diferentes, mas vieram na mesma geração, ajudando a consagrar o gênero survival horror (terror de sobrevivência) dos videogames. Por esse motivo, RE precisará ser citado e comparado no próximo trecho deste post, mas temos certeza que vocês, leitores, não levarão para o lado pessoal.

Beira do Abismo

Na época do desolador cancelamento, o Resident Evil mais recente era o spin-off “Revelations 2”, que era quase um pedido de desculpas pelo último game principal da série, “Resident Evil 6”, de 2012. O verdadeiro grande retorno da franquia da CAPCOM para o terror seria apenas em 2017, com RE7.

Já Silent Hill, tinha Downpour, de 2012, como sua última grande impressão no planeta terra. Uma impressão um tanto ruim, que notoriamente não agradou em cheio a crítica e os fãs. O aclamado teaser de Silent Hills seria lançado em meados de 2014.

E é claro, Resident 7 pegou anotou direitinho com P.T. como criar hype. O jogo foi lançado, foi bem recebido, mesmo com todas mudanças, e levando o jogador de volta ao clima de vulnerabilidade e terror dos anos 90. Mas há coisas que Resident Evil não sabe fazer como Silent Hill. A franquia da Konami soube, até em seus títulos mais fracos, explorar o lado sombrio da mente humana.

Pyramid Head em uma das adaptações cinematográficas de Silent Hill. A criatura tornou-se, involuntariamente, o “mascote” da franquia, aparecendo então em vários games, desde sua estreia em Silent Hill 2.

No Abismo da Mente Humana

Num ‘resumão’, as criaturas grotescas que habitam os games de Silent Hill são, em vários casos, frutos do subconsciente de seus protagonistas – não é preciso explorar muito na deep web para descobrir que, por exemplo, o icônico Pyramid Head, de Silent Hill 2″ (considerado por muitos um dos melhores títulos da franquia), representa a culpa de James Sunderland, o protagonista do game, que sente que deveria ser punido pela morte de sua amada – evento este que serve como gatilho para que ele fosse parar em Silent Hill, aliás.

E tudo isso é apenas uma pequena parte de uma complexa mitologia que a série criou. Enquanto o consagrado Hideo Kojima parecesse ser uma das melhores escolhas para criar um novo e aterrorizante capítulo na história de SH, nos resta apenas aguardar por novidades – a Konami vem garantindo que a franquia não terminou. Só que já tem um bom tempo que não ouvimos falar mais nada que realmente valha a pena ser mencionado.

Enquanto isso, a forte marca que Silent Hill deixou na cultura pop e gamer, corre o risco de simplesmente sumir no meio da neblina…