Uma garota comum, muitos mistérios e companheiros de aventura para lá de diferentes

Em “Os Mistérios de Warthia – A Profecia de Midria”, conhecemos Serafine, uma jovem com opiniões fortes que foi adotada por um casal de um vilarejo pacato. Porém, desde criança seus pais adotivos sabiam  que ela era diferente. Afinal, ela foi deixada na porta da casa deles em um momento em que não tinham mais esperança de ter um herdeiro, e uma linda garotinha apareceu.

No entanto, a aparência da menina poderia trazer problemas, uma vez que Vila do Sol, por mais que fosse um lugar pacato, tinha um povo bastante descrente quanto à magia, além de não aceitarem muito bem seres que consideravam diferentes. E Serafine, com toda certeza, era diferente, principalmente por causa das marcas que têm em seu corpo. Porém, para entender realmente o significado disso só lendo livro.

“Podia-se dizer que Serafine era uma garota diferente de tudo o que aquele reino já vira. A começar por sua personalidade, que era bem diferente, excêntrica para os padrões esperados: em vez de delicadeza e dedicação em se tornar a perfeita futura dona de casa, Serafine tinha o espírito de guerreira.”

A história gira em torno não só de Serafine, mas também de mais três personagens que são essenciais para o andamento da narrativa, são eles: Jarek, Yvela e Guilman. Todos eles saem em uma longa jornada de aprendizado e em busca da paz para Warthia – pelo que parece, Serafine é a sua esperança – e a função desses três personagens é protegê-la.

” – Você é especial, minha cara, mas não tem ideia do quanto. Livros já falavam sobre você muito antes que você nascesse…”

A forma como eles se conhecem é triste e dramática, porém faz com que Serafine se torne uma pessoa mais forte. Principalmente, ao pensar no que a espera. Isso porque Serafine é a esperança que todos estavam esperando, mas para que ela possa cumprir a sua missão o seu espírito deve ser despertado.

Uma história de desencontros, encontros, descobertas e da busca pela paz para um reino que há muito está fragmentado, e que entre os seus governantes ainda há hostilidade. Além disso, é preciso destacar que o reino em que vivem ainda existem regras bastante opressoras que a nossa personagem principal não vai descansar enquanto não mudar isso.

Com uma narrativa envolvente, o primeiro livro da série “Os Mistérios de Warthia – A Profecia de Midria” traz um novo mundo para o nosso conhecimento, em que existem feiticeiras más, reis magos bons e maus, elfos muito sábios dispostos a entregar o seu conhecimento para o bem, ondinas (seres das águas) e outros que deixaram as suas terras – se tornando traidores de seu próprio reino para ajudar a esperança de Warthia a percorrer o seu caminho.

A escrita é bastante fluida e mesmo com as 304 páginas, a autora – Denise Flaibam – fez um belíssimo trabalho, pois, conseguiu mostrar os personagens de forma clara e fazer a ponte entre o mundo mágico e não mágico de maneira crível.

O melhor de tudo é pensar que cada vez mais temos autores brasileiros criando narrativas muito bem construídas e usando a sua imaginação para nos trazer ótimas obras e que a história de Serafine surgiu quando a autora tinha apenas 11 anos, tendo como inspiração a sua paixão pela Terra Média de Tolkien.

Com uma capa que nos remete à personagem principal, uma vez que vem com uma mulher de tez morena, cabelos negros e marcas brilhantes em seu corpo, além de ter como o fundo a Floresta de Midria; conseguimos nos remeter ao que acontece ao longo desse primeiro volume da série.

Denise Flaibam já tem outros livros lançados que não pertencem a essa série, mas já temos a continuação dessa história em nossas mãos que falaremos em breve.

Por enquanto, o que mais nós queremos saber é como vai terminar essa história envolvente, o futuro e o passado dos nossos personagens, uma vez que nesse primeiro livro a autora nos traz um pouco do que já aconteceu com os personagens, mas não nos diz exatamente tudo.

“Serafine sorriu ao constatar que também tinha fé em si mesma.”

Resenha: Os Mistérios de Warthia - A Profecia de Midria, de Denise Flaibam
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