Cantor apresentou clássicos da música negra norte-americana, incluindo sucessos de Michael Jackson e “My Girl”, em um espetáculo que empolgou o público e destacou sua versatilidade
O Palco Sunset recebeu uma das apresentações mais interessantes desta segunda-feira, 7 de setembro, no Rock in Rio 2026. Péricles levou ao festival o espetáculo “Péricles Canta Motown”, dedicado à música negra norte-americana, e encontrou uma multidão disposta a acompanhar um repertório diferente daquele que costuma apresentar em seus shows de pagode.
A proposta surpreendeu positivamente quem estava diante do palco. Ao longo da apresentação, o cantor interpretou músicas conhecidas de artistas como Michael Jackson e trouxe “My Girl”, clássico associado ao grupo The Temptations. A plateia respondeu com entusiasmo, cantando, dançando e acompanhando os momentos mais marcantes do espetáculo.
O espaço ficou lotado, reforçando a força de Péricles entre públicos de diferentes gerações. A apresentação também mostrou como sua voz se adapta a outros estilos musicais, especialmente ao soul e ao R&B, gêneros que possuem uma relação histórica com o pagode e com a formação musical de diversos artistas brasileiros.
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Uma homenagem à história da música negra

Criada em Detroit, nos Estados Unidos, em 1959, por Berry Gordy, a Motown tornou-se uma das gravadoras mais influentes da música popular. Seu catálogo ajudou a projetar artistas negros para o mercado internacional e reuniu nomes como Stevie Wonder, Marvin Gaye, The Jackson 5, The Temptations e Smokey Robinson.
O projeto apresentado por Péricles foi pensado justamente para revisitar esse universo. Antes do festival, o cantor explicou que a preparação envolvia adaptar as músicas com respeito às gravações originais, preservando suas características enquanto incorporava sua própria experiência como intérprete.
O repertório preparado para o espetáculo reunia clássicos desses artistas e buscava apresentar a história da gravadora a pessoas que talvez ainda não conhecessem sua importância. O cantor também agradeceu a Zé Ricardo pela oportunidade de desenvolver a homenagem para o festival.
A escolha de “My Girl” representa bem essa proposta. Lançada por The Temptations em 1964, a canção se tornou um dos grandes símbolos da Motown, com sua melodia reconhecível e uma interpretação que atravessou décadas. No Sunset, o público acompanhou o clássico e demonstrou familiaridade com um repertório que continua presente na cultura popular.
Versatilidade vocal foi um dos destaques

Conhecido principalmente por sua trajetória no pagode, Péricles encontrou no espetáculo uma oportunidade de explorar outras referências musicais. Sua interpretação mostrou domínio de repertório, presença de palco e capacidade de conduzir canções que exigem diferentes nuances vocais.
A apresentação também evidenciou a proximidade entre o soul norte-americano e a música brasileira. Elementos como harmonias vocais, interpretação emocional e influência do R&B fazem parte da formação de muitos músicos ligados ao samba e ao pagode, criando uma conexão natural entre os estilos.
Para quem acompanha o cantor há anos, o show revelou uma faceta que merece receber mais espaço em grandes eventos. A força de sua voz, somada à escolha de músicas conhecidas, fez com que a homenagem funcionasse tanto para admiradores da Motown quanto para fãs que foram ao festival principalmente para vê-lo.
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Multidão confirma a força do Sunset

A lotação do Palco Sunset foi outro ponto marcante da apresentação. Depois de receber Vanessa da Mata e Roupa Nova ao longo da tarde, o espaço voltou a reunir uma grande plateia, mostrando a importância de uma programação capaz de oferecer experiências musicais diferentes dentro do mesmo festival.
O show de Péricles também dialogou com a presença de Belo no Palco Favela, criando uma noite especialmente atrativa para o público que gosta de pagode. A homenagem à Motown, porém, ampliou essa experiência ao apresentar um repertório internacional de música negra.
Ao final, a impressão foi de um espetáculo muito bem recebido, com público animado e uma proposta artística que merece continuidade. Péricles demonstrou sua versatilidade e transformou o Sunset em um espaço de celebração da música negra, entregando uma apresentação que ficou entre os momentos mais interessantes do dia.
Imagem Destacada: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes/@dopamineblur)


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