Em declaração, o lendário vocalista de 82 anos afirma que a agressividade, os amplificadores de Pete Townshend e a insanidade do quarteto moldaram o topo do rock pesado antes de qualquer outra banda.
Quando se discute a certidão de nascimento do heavy metal, os suspeitos de sempre costumam ser Black Sabbath, Led Zeppelin ou Deep Purple. No entanto, se dependesse de Roger Daltrey, a história do rock teria apenas um legítimo pioneiro: The Who.
Em uma recente entrevista à revista Rolling Stone (via LouderSound), o icônico frontman de 82 anos reagiu aos comentários de Ian Paice, baterista do Deep Purple, que surpreendeu o mundo da música ao apontar o Who como os verdadeiros inventores do gênero. Para Daltrey, Paice não poderia estar mais correto.
“Nós fomos a primeira banda de heavy metal”, disparou Daltrey. “Nós éramos simplesmente diferentes de todo mundo. Os americanos não conhecem direito o The Who do início dos anos 1960, mas, como o baterista do Deep Purple disse recentemente em uma revista: ‘O Who começou tudo’.”
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A engenharia do barulho: O nascimento do “Stack” Marshall
O argumento de Daltrey não se baseia apenas em atitude, mas na própria evolução tecnológica do peso sonoro. Foi a busca incessante do guitarrista Pete Townshend por mais volume que forçou a indústria a criar as ferramentas que definiriam o metal.
Daltrey relembrou o papel crucial de Jim Marshall, o homem por trás dos amplificadores mais famosos do mundo.
“Jim Marshall inventou a parede de amplificadores de 4×12 e 100 watts especificamente para o Pete Townshend“, pontuou o vocalista.
De acordo com Daltrey, até mesmo o ato ritualístico de quebrar guitarras no palco — que se tornou uma marca registrada de Jimi Hendrix — nasceu com seu companheiro de banda. “Toda aquela destruição de guitarras pela qual Jimi Hendrix ficou famoso, no estilo dele, foi basicamente copiada de Pete Townshend, antes de qualquer outro.”
Esta não é a primeira vez que a banda reivindica essa coroa. Em 2019, o próprio Townshend já havia declarado que o Who “meio que inventou o heavy metal” com o lançamento do seminal álbum Live At Leeds, de 1970.
O veredito de quem estava lá: O endosso do Deep Purple
O estopim para a declaração de Daltrey veio de uma entrevista de Ian Paice ao veículo Metal Sticks. Como uma autoridade máxima da chamada “segunda geração” do metal, o baterista do Deep Purple fez questão de contextualizar o impacto do The Who na transição do rock de garagem para algo muito mais visceral.
“Nós ajudamos a criar o que eu chamo de ‘a segunda vinda’ do metal. Todo o resto, a banda que fez primeiro — o The Who fez antes de todo mundo”, afirmou Paice. “Eles foram os primeiros a usar amplificadores gigantes, os primeiros a empurrar o rock’n’roll para além das canções pop bonitinhas. Não vamos esquecer a importância do The Who.”
Para Paice, a dinâmica do quarteto britânico era um prenúncio da violência sonora que dominaria as arenas nos anos seguintes: a postura cênica de Townshend, os vocais agressivos de Daltrey, o controle técnico do baixista John Entwistle e, claro, a loucura autodestrutiva do baterista Keith Moon. “Eles simplesmente mudaram tudo para os garotos que queriam fazer algo um pouco mais violento”, concluiu o baterista.
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Entre a ópera e o caos
Além do peso, Daltrey destacou que o Who foi responsável por trazer a grandiosidade intelectual ao estilo ao criar a primeira ópera rock da história (Tommy, de 1969). “Nós elevamos o rock para um patamar onde ele talvez tenha ficado um pouco pretensioso, por assim dizer. Estávamos fazendo isso antes de qualquer um”, refletiu.
Apesar da defesa ferrenha de seu legado, o vocalista manteve a postura despretensiosa de um veterano que já conquistou tudo. Ao ser questionado sobre o peso definitivo dessa autoria histórica, ele minimizou com a sabedoria de quem tem seis décadas de estrada: “No fim das contas, isso não é o mais importante.”
Pode não ser importante para Daltrey, mas para os livros de história do bom e velho heavy metal, a discussão ganhou um capítulo definitivo.
Imagem destacada: Reprodução/The Who site oficial


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