Aos 82 anos, Mick Jagger e Keith Richards abandonam o caos criativo das décadas passadas e adotam a precisão cirúrgica para dar vida a Foreign Tongues, o 25º álbum da banda
Os Rolling Stones já cruzaram a barreira dos 80 anos de idade, mas se engana quem pensa que o ritmo diminuiu. Prestes a lançar “Foreign Tongues”, o 25º álbum de estúdio da carreira, Mick Jagger e Keith Richards deixaram claro que a única coisa que eles não se dão mais ao luxo de fazer é perder tempo.
Em uma rara e honesta imersão nos bastidores do seu processo de composição, a dupla dinâmica do rock revelou uma mudança drástica de postura: a era das sessões caóticas que duravam madrugadas inteiras ficou no passado dos anos 60 e 70. Hoje, os Stones entram no estúdio como operários de precisão, munidos de canções rigorosamente prontas.
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Da linha de montagem ao cronômetro: adeus ao caos dos Anos 70
Se no auge da carreira os álbuns dos Stones podiam levar meses de pura experimentação (e excessos) dentro do estúdio, “Foreign Tongues” foi finalizado em questão de semanas. Mick Jagger, hoje com 82 anos, foi categórico ao criticar o método de “ir para o estúdio rezando pelo melhor”:
“Antes de entrar em um álbum, você precisa estar com as músicas prontas. Em outro mundo, a gente não fazia isso. E muitas bandas que eu conheço ainda entram no estúdio com pouquíssima ideia do que vão fazer (…). Eu nunca fui um grande fã desse método de gravação. O que você quer fazer é se preparar, e se algo incrível e inesperado acontecer, ótimo. É um bônus.”
Essa obsessão por preparação transformou o iPhone na principal ferramenta de composição de Jagger. Em vez de revirar cadernos de notas atrás de rimas perdidas, o frontman agora simplesmente grava melodias a cappella direto no gravador do celular assim que elas surgem.
O Quebra-Cabeça à Distância de Jagger e Richards
O processo de criação de uma das maiores parcerias da história da música agora acontece a milhares de quilômetros de distância. Morando longe um do outro, Mick e Keith passam meses trabalhando isolados. A magia acontece quando eles se reúnem por um ou dois dias em um estúdio caseiro para juntar as peças.
Richards, também com 82 anos, compara o método a um quebra-cabeça mecânico. Ele prepara os riffs e as sequências de acordes em sua guitarra e os apresenta a Jagger:
- A Troca: “Mick me mostra o que escreveu, eu mostro minhas ideias e digo: ‘Ok, vou pegar isso aqui e tentar terminar para você’ “, explica Keith.
- A Inspiração: Segundo Jagger, as letras misturam experiências profundamente pessoais com ficção pura, inspiradas em tudo, desde poemas lidos até programas de televisão.
- O Combustível: O guitarrista Ronnie Wood resume bem a dinâmica no estúdio atual: “Meu papel é colocar mais carvão nessa fogueira. O trabalho deles como dupla de composição é genial”.
Instinto, loops e dança com Steve Jordan
Mesmo com toda a estrutura pré-definida, Keith Richards faz questão de manter uma janela aberta para o imprevisto nas guitarras. Seu método flui de forma orgânica: ele senta, toca alguns acordes de Buddy Holly ou Otis Redding e espera o instinto agir. “Às vezes seus dedos te levam para um lugar que você não planejava, mas que soa incrivelmente bem”, revela o guitarrista.
Na hora de gravar com a banda inteira, Keith aponta um detalhe curioso sobre a química dos Stones: os melhores takes acontecem quando ninguém está se olhando. Com os fones de ouvido isolando o som, a música simplesmente flui pelo tato e pela audição, sem necessidade de contato visual.

Na outra ponta da produção, o perfeccionismo de Jagger assume o controle do ritmo. “Foreign Tongues” traz o baterista Steve Jordan consolidado no posto que foi do lendário Charlie Watts. Para garantir que o balanço do álbum estivesse perfeito, Jagger passou dias trancado no estúdio sozinho com Jordan, testando as composições da forma mais visceral possível:
“Eu entrava, tocava piano, começava a pular e a dançar com o Steve porque eu precisava testar os ritmos diferentes e cantar por cima. É tudo sobre como as linhas vocais se encaixam na batida da bateria”, concluiu o vocalista.
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O resultado dessa mistura entre modernidade e tradição poderá ser conferido na próxima sexta-feira, quando “Foreign Tongues” finalmente chegar aos aplicativos de streaming e às lojas de discos.
Imagem destacada: reprodução/The Rolling Stones


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