Novo single de Adéla, “Ain’t in LA”, transforma a busca pelo sucesso em uma reflexão sobre identidade, pertencimento e o fim de uma certa crença comum
O novo single de Adéla, “Ain’t in LA”, parte de uma provocação simples para discutir uma mudança cada vez mais evidente na indústria musical: o pop já não pertence apenas a um lugar em específico. No início do ano, aprendemos com Bad Bunny que cultura é parte da nossa identidade. Resgatamos o orgulho latino e nos sentimos pertencentes ao mundo. Com Adéla, aprendemos que as mulheres mais extraordinárias não estão nos Estados Unidos, mas espalhadas pelo mundo.
É quase um senso comum a ideia de que os maiores cantores do mundo são norte americanos, isso porque os Estados Unidos se consolidaram como um dos principais polos da indústria fonográfica mundial, reunindo grandes gravadoras, produtores e artistas. Segundo um artigo publicado pela revista digital “Vinil Records” os Estados Unidos seguem sendo um dos maiores exportadores de música do mundo inteiro e um detalhe interessante é que boa parte dessa exportação acontece com músicas em inglês, seu idioma mais difundido.
Quando trazemos esse detalhe para américa latina fica cada vez mais fácil de entender os motivos pelos quais artistas brasileiros sentem a necessidade de cantar em inglês e espanhol (segundo idioma mais falado do mundo e dominado por todos os países da américa latina, exceto Brasil). Com talento e investimento é possível ultrapassar fronteiras e alcançar um público internacional. No entanto, essa estratégia tem um custo: o enfraquecimento da identificação com o público do país de origem.
LEIA MAIS
EQUILIBRIVM II | Anitta Entrega o Álbum Mais Humano de Sua Carreira
Black Eyed Peas no Rock in Rio | A Evolução Constante de Um Gigante do Pop Mundial
21 Discos dos Anos 2020 Que Já São Aclamados
Anitta é um ótimo exemplo quando falamos sobre esse assunto. Durante anos, a cantora priorizou sua carreira internacional, lançando poucas músicas em português. Por causa disso, chegou a ser acusada por parte do público de recorrer a estética favelada apenas quando seus números diminuíam. A crítica é curiosa, considerando que Anitta cresceu em um subúrbio brasileiro e sempre manteve sua cultura e suas referências vivas.

Ainda assim, o afastamento temporário de suas raízes musicais acabou criando uma distância entre a artista e parte do público, a ponto de algumas pessoas deixarem de enxergá-la como representante da música brasileira. Tudo mudou quando ela decidiu abraçar novamente suas origens com o álbum “Equilibrivm”. A princípio, a ideia era que parte do projeto fosse lançada em inglês e espanhol. No entanto, as músicas em português despertaram um sentimento de pertencimento tão forte que o álbum acabou seguindo majoritariamente em sua língua materna.
Com isso, conseguimos entender parte do sucesso que a cantora e dançarina eslovaca Adéla vem construindo. Nos últimos anos, o público passou a valorizar cada vez mais artistas que preservam sua identidade e suas origens, em vez de seguir um padrão de sucesso historicamente associado à indústria do entretenimento norte-americana.

Na faixa “Ain’t in LA”, lançada em 23 de julho e que integra “PRIMA”, seu primeiro álbum de estúdio, Adéla transforma essa discussão em uma reflexão e afirmação bastante pessoal. A canção acompanha mulheres comuns, de cidades desconhecidas, que cresceram ouvindo que seus sonhos só poderiam se tornar realidade longe de casa. Ao longo da letra, a cantora desmonta esse imaginário ao defender que talento, beleza e personalidade não pertencem exclusivamente aos grandes centros da indústria do entretenimento.
A mensagem fica ainda mais evidente quando Adéla canta que “as garotas mais incríveis não estão em Los Angeles” e, que mais adiante afirma que prefere “ser um ninguém a ser igual a todo mundo”. Em vez de incentivar uma fuga ao lugar onde supostamente os sonhos acontecem, a artista propõe justamente o contrário: reconhecer valor naquilo que torna cada um diferente e compreender que o sucesso não precisa passar por um único endereço.
APROVEITE JÁ
JBL, Caixa de Som, Boombox 4, Bluetooth
Luz de vídeo ULANZI VL120 RGB, Luzes de vídeo de bolso LED On-Camera
Hollyland Lark M2 Microfone de Lapela sem Fio(2TX+3RX)
Esse movimento pode ser percebido no cenário atual da música. Se nos anos 2000, as principais referências do pop feminino eram estadunidenses, hoje esse protagonismo é muito mais distribuído. Artistas de diferentes países ocupam o topo das paradas, influenciam tendências e conquistam públicos ao redor do mundo sem renunciar a suas identidades culturais.
Nomes como Zara Larsson, Tayla, FLO, Adéla, Blackpink, Ludmilla, Marina Sena, Tini e Karol G mostram que o centro da cultura pop deixou de estar restrito a um único país. Talvez Adéla tenha razão: as mais incriveís realmente não estão em Los Angeles, elas estão espalhadas pelo mundo.
Imagem Destacada: Reprodução/YouTube (@ADÉLAJERGOVÁ)


Sem comentários! Seja o primeiro.