Dez anos de desenvolvimento, crimes reais, western, política e uma estética pensada para fugir dos clichês fizeram da série uma das produções brasileiras mais marcantes do streaming
“Cangaço Novo” parte de assaltos a bancos para construir uma história muito mais interessada em pertencimento, herança e poder. Criada por Mariana Bardan e Eduardo Melo, a produção da O2 Filmes para o Prime Video encontrou no sertão brasileiro um território perfeito para combinar crime, western, drama familiar, religiosidade e política sem transformar o Nordeste em paisagem genérica para uma trama de ação. A primeira temporada chegou ao streaming em agosto de 2023; a segunda, lançada em 24 de abril de 2026, ampliou os conflitos dos irmãos Vaqueiro em sete novos episódios.
O sucesso veio acompanhado de números relevantes. A primeira temporada apareceu entre as produções mais assistidas da plataforma em 49 países, ganhou o Grande Otelo de Melhor Série em 2024 e rendeu a Alice Carvalho o prêmio de Melhor Atriz em Série de Ficção. No Rotten Tomatoes, a produção mantém 97% de aprovação do público, embora a amostragem ainda seja pequena, com pouco mais de 50 avaliações registradas.
Esses resultados ajudam a dimensionar o alcance de uma produção que levou cerca de dez anos para sair do papel. O dado mais interessante, porém, está naquilo que “Cangaço Novo” fez com esse tempo: desenvolveu uma linguagem que parece conhecer o lugar onde pisa.
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Dez Anos Entre “O Profeta”, Assaltos Reais e a Procura por Pertencimento

A origem da série remonta a 2013. Bardan e Melo haviam estudado Cinema na FAAP, onde se conheceram em 2008, e passaram seis meses em Los Angeles estudando roteiro depois da graduação. A ideia começou a tomar forma durante uma viagem de carro, pouco depois de assistirem a “O Profeta”, de Jacques Audiard. Mariana enxergou no sentimento de deslocamento do protagonista francês uma questão que poderia ser transportada para o interior de onde vinha a família paterna de Eduardo, filho de mãe baiana e pai cearense.
Essa conexão pessoal encontrou outra referência que Eduardo já colecionava: notícias sobre grupos fortemente armados que atacavam pequenas cidades do Nordeste para roubar instituições financeiras. Os criminosos ficaram popularmente associados ao termo “novo cangaço”, ainda que estudos de segurança pública utilizem classificações mais específicas para esse tipo de operação. A pesquisa também levou os autores à história de Valdetário Carneiro, figura ligada a grandes assaltos no Rio Grande do Norte. O nome de Valdetária, mãe dos irmãos Vaqueiro, nasceu como homenagem direta a essa referência.
A série cresceu quando realidade e ficção encontraram uma questão dramática comum: o que acontece quando alguém retorna a um lugar que deveria reconhecer como origem, mas se sente estrangeiro dentro dele? Ubaldo funciona a partir dessa fratura. Criado em São Paulo, ele chega a Cratará carregando experiência bancária e militar, mas desconhece a família, a reputação do pai biológico e os códigos sociais que determinam a vida das irmãs Dinorah e Dilvânia.
Bardan também trouxe uma influência pessoal para a construção feminina. Criada cercada pela mãe, avó, tias e primas, queria mulheres com poder dramático suficiente para escapar das figuras decorativas que ainda surgem com frequência em narrativas de crime. Essa intenção aparece com particular força em Dinorah, personagem que disputa liderança, território e memória familiar em condições muito diferentes das de Ubaldo.
O caminho até a produção de “Cangaço Novo” foi longo. Um laboratório do Prodav obrigou os autores a desenvolver bíblia, personagens e estrutura dos episódios. Depois, o projeto chegou a Fábio Mendonça, que o apresentou à O2 Filmes. Mesmo com uma produtora estabelecida, a escala assustava plataformas e emissoras: segundo os criadores, Netflix e Globo estiveram entre as empresas que recusaram o projeto. O sinal positivo apareceu anos depois, com a expansão da Amazon no Brasil.
O intervalo acabou fortalecendo a criação. A série chegou ao set depois de anos de discussão sobre personagens, referências e território, em vez de nascer como resposta apressada a uma tendência de mercado.
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Cratará, o “nordestern” e um Sertão que Recusa Virar Decoração

Cratará pertence à ficção, embora sua presença física venha de dezenas de locações reais. A primeira e a segunda temporadas utilizaram cidades da Paraíba e do Rio Grande do Norte para construir a geografia do município cearense inventado. Só a segunda fase trabalhou com 59 locações na Paraíba, incluindo Campina Grande, Cabaceiras, Pocinhos, Boa Vista, Fagundes e Boqueirão. Cabaceiras, conhecida como “Roliúde Nordestina”, ganhou importância tão grande que recebeu a première da segunda temporada para cerca de três mil pessoas.
A fragmentação geográfica produz um efeito interessante. Prefeitura, banco, estrada, igreja e propriedades podem pertencer a cidades diferentes na realidade, mas a montagem cria uma Cratará coerente. Essa coerência permite que a série use o espaço como ferramenta dramática. A distância entre um ponto e outro influencia estratégias de fuga; a igreja concentra fé e influência; a escassez de água ganha valor político; a posse da terra define alianças e conflitos.
Fábio Mendonça explicou que a segunda temporada aprofundou temas ligados à água, propriedade e coronelismo justamente porque a intenção era tratar o conflito regional como um microcosmo de relações de poder brasileiras. A série acerta quando incorpora essas questões à ação dos personagens, sem transformar cada episódio em aula sobre desigualdade.
É nesse encontro que o termo nordestern ganha sentido. A produção de “Cangaço Novo” bebe em John Ford, no western italiano, em “Vidas Secas”, na literatura de Guimarães Rosa e em uma longa tradição brasileira que já colocou sertão e faroeste em diálogo muito antes da era do streaming. Os próprios criadores citaram essas referências durante o desenvolvimento.
O valor da série está na atualização dessa gramática. O cavalo convive com caminhonetes e carros blindados; os ataques envolvem fuzis, explosivos e conhecimento bancário; velhas estruturas de mando encontram empresários, políticos e crime organizado. A memória do cangaço permanece no imaginário dos personagens, mas a violência pertence ao presente.
A comparação com o western funciona porque ambos lidam com territórios onde poder institucional, propriedade, família e violência mantêm relações íntimas. Cratará ganha personalidade quando esses elementos passam por códigos brasileiros, evitando que o sertão pareça uma cópia ensolarada do Oeste americano.
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O cangaço histórico e o “novo cangaço” pertencem a tempos diferentes

A escolha do título “Cangaço Novo” carrega uma provocação importante porque aproxima duas formas de violência separadas por quase um século e por contextos bastante distintos. O cangaço histórico surgiu dentro de uma realidade marcada por disputas de terra, ausência do Estado em determinadas regiões, coronelismo e relações particulares entre poder político, violência e sobrevivência. Lampião, Maria Bonita e outros integrantes desses grupos acabaram incorporados ao imaginário brasileiro em uma mistura permanente de história, mito, romantização e brutalidade.
O chamado “novo cangaço” nasceu de outra realidade. A expressão passou a ser utilizada popularmente para definir quadrilhas especializadas em ataques de grande escala contra bancos e cidades pequenas, com armamento pesado, explosivos, bloqueio de estradas e estratégias pensadas para neutralizar a reação policial. Pesquisadores e profissionais de segurança também utilizam o termo “domínio de cidades”, considerado mais preciso para descrever esse tipo de operação.
“Cangaço Novo” trabalha justamente na distância entre essas duas coisas. Os Vaqueiro não reproduzem os cangaceiros históricos, e a série evita transformar Ubaldo ou Dinorah em versões contemporâneas de Lampião e Maria Bonita. O que permanece é uma espécie de memória cultural da violência como instrumento de poder em territórios nos quais instituições, famílias, interesses econômicos e autoridades locais se confundem.
Essa diferença deixa o título mais interessante. O “novo” não está somente nas armas automáticas, nos carros e nos explosivos. Está na maneira como formas antigas de concentração de poder sobrevivem dentro de uma sociedade tecnologicamente diferente. Bancos, eleições, empresas, redes criminosas e estruturas contemporâneas ocupam o lugar de elementos que antes pertenciam a outra configuração social, enquanto disputas por terra, dinheiro, influência e controle político continuam reconhecíveis.
A série ganha força quando trabalha essa continuidade sem tratar passado e presente como equivalentes. O cangaço histórico pertence ao seu contexto e possui contradições próprias. Cratará vive outro Brasil. A conexão entre os dois existe no imaginário, na memória e nas relações de poder, exatamente o terreno onde a ficção encontra espaço para trabalhar.
Fotografia, Direção e Ação: Como “Cangaço Novo” Encontrou Sua Imagem

A direção da primeira temporada de “Cangaço Novo” foi dividida entre Fábio Mendonça e Aly Muritiba. Na segunda, Mendonça permaneceu na direção geral, com Caito Ortiz assumindo a direção dos episódios. A mudança ocorreu dentro de uma produção mais ampla, agora com participação da Amblin Entertainment, enquanto Mariana Bardan, Eduardo Melo e Fernando Garrido comandaram a sala de roteiro. Os criadores também passaram um período trabalhando com profissionais da Amblin nos Estados Unidos durante o desenvolvimento da nova fase.
O primeiro ano já tinha revelado uma ambição técnica incomum. As filmagens aconteceram durante a pandemia e foram seguidas por aproximadamente um ano de pós-produção. Cerca de 90 profissionais trabalharam diretamente nos efeitos visuais, com 735 intervenções registradas e 176 planos envolvendo a criação digital dos clarões produzidos pelos disparos. Armas de airsoft foram usadas pelos atores durante os tiroteios para preservar resposta física e segurança, enquanto os efeitos finais eram acrescentados posteriormente.
A fotografia de Azul Serra merece atenção porque parte de uma decisão estética muito clara: fugir daquele amarelo permanente que durante décadas virou atalho visual para representar calor e Nordeste. Serra e o diretor de arte Thales Junqueira observaram a região durante a estação seca e buscaram sua paleta em beges, areia, cinzas e tons magenta, reservando amarelos intensos para situações em que a própria luz os justificasse.
A escolha muda a relação do espectador com o espaço. O calor vem da incidência da luz, das superfícies, da pele, da poeira e da secura da vegetação. A imagem deixa respirar tonalidades que desapareceriam sob um tratamento visual mais óbvio.
O formato 2.35:1 reforça a filiação ao western ao abrir espaço para horizontes largos, enquanto câmeras RED V-RAPTOR 8K VV e lentes Blackwing combinam precisão digital com pequenas imperfeições ópticas, flares e variações de cor. Serra explicou que a equipe também evitava prender os atores a marcações rígidas, favorecendo um trabalho de câmera capaz de responder aos movimentos e às interpretações.
Esse princípio ajuda as cenas de ação. A câmera entende a geografia dos assaltos, acompanha deslocamentos e mantém proximidade suficiente para que a violência pareça física. O espetáculo surge da combinação entre coreografia, montagem, desenho de som e espaço. Existe um cuidado particular em mostrar como cada ação altera a relação entre os personagens, algo que impede que perseguições e tiroteios virem blocos independentes da dramaturgia.
O trabalho sonoro também merece crédito. Em uma discussão publicada no Reddit, um profissional que afirmou ter trabalhado na pós de som descreveu a criação de Foley para brigas, cavalaria e ações de maior escala, além das mudanças de montagem realizadas enquanto VFX e som avançavam paralelamente. É um relato informal e deve ser tratado como tal, mas oferece um pequeno retrato da complexidade técnica envolvida na finalização.
Cangaço Novo: Dinorah, Ubaldo e Dilvânia Fazem da Violência uma Questão de Família

A força narrativa de “Cangaço Novo” depende do contraste entre os três irmãos. Ubaldo retorna como alguém que precisa reconstruir a própria origem; Dinorah permaneceu naquele território e conhece a violência como parte concreta de sua formação; Dilvânia busca na fé uma resposta para traumas e para a memória do pai. Cada um reage à mesma herança por caminhos distintos.
O processo de seleção ajuda a explicar a sensação de pertencimento do elenco. Mais de duas mil pessoas nascidas no Nordeste foram consideradas, e a equipe preparou aproximadamente 70 cenas específicas para os testes realizados em vídeo durante a pandemia. Algumas funcionaram tão bem que acabaram incorporadas à série. A preparação passou ainda por Fátima Toledo, conhecida pelo método físico e intenso utilizado em obras como “Cidade de Deus”.
Alice Carvalho encontra em Dinorah a interpretação mais magnética da produção. A personagem combina impulsividade, violência, inteligência e uma vulnerabilidade que aparece em momentos muito calculados. Sua força vem especialmente do corpo: postura, direção do olhar, maneira de ocupar uma sala e relação com as armas revelam informações que o roteiro não precisa verbalizar. O Grande Otelo de 2024 reconheceu justamente esse trabalho.
O desempenho de Allan Souza Lima como Ubaldo exige uma leitura diferente. O personagem começa deslocado, e parte dessa contenção combina com um homem que retorna a um lugar que conhece apenas por fragmentos. Ainda assim, a primeira temporada possui momentos em que a transformação dramática de Ubaldo avança mais rápido do que a intensidade do ator consegue acompanhar. A segunda melhora essa relação ao lhe entregar um protagonista já comprometido com as consequências das escolhas anteriores, permitindo uma presença mais firme e menos reativa.
Dinorah também ganha nuances interessantes nessa continuação. O perigo para uma personagem criada com tanta energia seria manter a agressividade como única nota; a nova fase abre espaço para responsabilidade e desgaste, enquanto Ubaldo se aproxima de decisões mais frias. Essa redistribuição enriquece a dinâmica entre os dois porque impede que a família fique presa ao mesmo desenho de forças.
Thainá Duarte assume outro registro. Dilvânia cresce por meio da religiosidade e passa a exercer liderança espiritual dentro da Irmandade. A segunda temporada amplia sonhos, símbolos, devoções e experiências próximas do fantástico. Esse recurso funciona melhor quando surge conectado à cultura, à culpa e à forma como os personagens interpretam o mundo. Em alguns momentos, a série se aproxima perigosamente de usar o misticismo como atalho dramático; a força está justamente na ambiguidade entre crença, trauma e experiência subjetiva.
O elenco secundário de “Cangaço Novo” amplia essa impressão de comunidade. Marcélia Cartaxo dá a Tia Zeza uma autoridade afetiva que dispensa grandes discursos, enquanto Hermila Guedes, Luiz Carlos Vasconcelos, Ênio Cavalcante, Adélio Lima, Bruno Belarmino e outros nomes formam um conjunto de rostos e vozes que fazem Cratará parecer habitada antes mesmo de o primeiro episódio começar.
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Música, Segunda Temporada e o Futuro de uma Série que Encontrou Identidade Própria

A música segue a mesma lógica visual: o Nordeste apresentado pela série possui memória e tradição, mas vive no presente. A primeira temporada teve trabalho de Beto Villares, Érico Theobaldo e do coletivo Submarino Fantástico, com participação de Siba e Allen Alencar. Foram criadas ou regravadas 16 faixas especificamente para a produção, dentro de uma pesquisa que passou por artistas da Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
A seleção vai de uma nova versão de “Da Lama ao Caos”, da Nação Zumbi, à gravação de “Espumas ao Vento” por Alice Carvalho, passando por Rachel Reis e Getúlio Abelha. É uma escolha inteligente porque evita empilhar signos folclóricos sobre a imagem. Música popular, eletrônico, manguebeat, rabeca, produção contemporânea e referências regionais convivem como partes de uma cultura atual.
Na segunda temporada, essa relação ficou ainda mais evidente com “Línguas e Léguas”, composição de Russo Passapusso, Ubiratan Marques e Alice Carvalho interpretada pelo BaianaSystem com participação da atriz. A faixa foi criada para a série e conduziu o trailer da temporada. O álbum posterior reuniu 19 músicas e trouxe nomes como João Gomes, Thainá Duarte, Kiko Dinucci, Zeca Baleiro, Fernando Catatau e Siba.
A presença de João Gomes também nasceu da própria cena. Fábio Mendonça contou que a equipe precisava de um artista para uma sequência ambientada em vaquejada e sugeriu o cantor imaginando que a agenda tornaria a participação improvável. O convite foi aceito e acabou reforçando a conexão entre ficção e cultura popular contemporânea.
A segunda temporada chega mais segura tecnicamente e mais ambiciosa politicamente. A crise hídrica de Cratará, a disputa por propriedade e serviços públicos e a guerra contra os Maleiro ampliam o alcance da trama. Ao mesmo tempo, sete episódios deixam alguns núcleos pressionados por uma quantidade grande de conflitos, personagens e ideias. É uma temporada que ganha escala e, em determinados momentos, sentiria benefício com mais espaço entre seus acontecimentos.
Esse excesso, porém, nasce de um universo que encontrou matéria para continuar. A parceria com a Amblin, a maturidade da equipe e o crescimento dos personagens indicam uma produção que aprendeu com a primeira fase sem tratá-la como molde intocável. Bardan e Melo já disseram possuir vontade e ideias para seguir com a história, e Fábio Mendonça considera que os Vaqueiro ainda têm caminhos a percorrer. Até 12 de agosto de 2026, o Prime Video não anunciou oficialmente uma terceira temporada.
Talvez a maior conquista de “Cangaço Novo” esteja justamente na reação internacional. A primeira temporada chegou ao Top 10 em 49 países, incluindo mercados da África, América Latina, Ásia, Europa e Canadá. A especificidade cultural acabou funcionando como força de exportação.
A série compreendeu que uma produção brasileira de grande escala ganha personalidade quando seus recursos técnicos trabalham a favor de um ponto de vista. Cratará convence porque possui geografia, música, memória, linguagem, relações econômicas, crenças e disputas próprias. Os Vaqueiro interessam porque o crime expõe conflitos familiares que já existiam muito antes do primeiro banco explodir.
O chamado nordestern oferece uma boa definição para essa mistura de western e sertão, mas o rótulo explica somente parte do resultado. “Cangaço Novo” fala de um Brasil em que modernidade e antigas estruturas de poder continuam dividindo a mesma rua. A tecnologia dos assaltos avançou; a concentração de terra, o controle político, a desigualdade e a disputa por pertencimento continuam reconhecíveis.
É dessa contradição que nasce sua personalidade. A série consegue entregar ação com escala, fotografia sofisticada e acabamento internacional enquanto mantém sotaques, conflitos e referências ligados ao lugar de onde sua história saiu. Quando todos esses elementos encontram o mesmo tom, “Cangaço Novo” faz algo mais interessante do que provar que “o Brasil também sabe fazer” uma determinada televisão.
Ela mostra como essa televisão pode ter sotaque próprio.
As duas temporadas completas de “Cangaço Novo” estão disponíveis da Prime Video.
Imagem: Divulgação/O2 Filmes/Prime Video


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