Entre assaltos, memória familiar e um sertão filmado com personalidade, a série encontra sua força quando a violência revela algo maior sobre quem a pratica
“Cangaço Novo” começa falando de herança, uma palavra que costuma carregar uma ideia bastante confortável de continuidade. Herdamos um imóvel, um pedaço de terra, algum dinheiro, objetos guardados por alguém que morreu. A burocracia resolve porcentagens e define proprietários, mas existe uma parte desse processo que documento algum consegue calcular: famílias também deixam hábitos, ressentimentos, traumas, segredos e consequências de escolhas realizadas muito antes dos herdeiros compreenderem o que estavam recebendo.
A primeira temporada da série criada por Mariana Bardan e Eduardo Melo mergulha nessa dimensão com bastante inteligência. Ubaldo Vaqueiro (Allan Souza Lima) chega a Cratará preocupado com a propriedade deixada por seu pai biológico e encontra um patrimônio bem mais complicado. Ali estão Dinorah (Alice Carvalho), Dilvânia (Thainá Duarte), a memória quase mitológica de Amaro Vaqueiro e uma cidade onde sobrenome, terra, poder político e violência possuem relações antigas. Sua entrada naquele espaço deixa claro que receber algo também significa lidar com a história que veio grudada no pacote.
Produzida pela O2 Filmes para o Prime Video, “Cangaço Novo” estreou em agosto de 2023 com oito episódios e direção de Fábio Mendonça e Aly Muritiba. O roteiro parte de Ubaldo, bancário criado em São Paulo que precisa de dinheiro para cuidar do pai adotivo doente. A notícia sobre uma herança o leva ao interior do Ceará, onde descobre as duas irmãs e a ligação da família biológica com um grupo especializado em assaltos. Aos poucos, seus conhecimentos bancários e sua experiência militar começam a ser utilizados em operações criminosas.
Esse caminho poderia levar facilmente à velha fantasia do sujeito pacato que descobre dentro de si um grande criminoso. A série encontra algo mais interessante porque relaciona a transformação de Ubaldo a um conflito de identidade. Ele deseja pertencer àquela família na mesma medida em que desconfia daquilo que encontra nela. O crime vira uma forma distorcida de aproximação, reconhecimento e poder. Quando começa a assumir uma posição de liderança, também passa a experimentar uma versão da própria identidade que lhe foi negada durante boa parte da vida.
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O Peso da Herança Começa no Roteiro
A criação de “Cangaço Novo” nasceu do encontro entre histórias sobre grandes assaltos no Nordeste e uma reflexão sobre pertencimento. Bardan e Melo desenvolveram o projeto durante anos, criando uma cidade fictícia capaz de abrigar o imaginário do cangaço e uma modalidade contemporânea de crime que ficou popularmente conhecida pelo mesmo nome. A associação com o western aparece desde a concepção e coloca a série dentro de uma tradição brasileira muito anterior ao streaming, que já havia aproximado sertão, violência, território e códigos do faroeste em diversas fases do cinema nacional.
O roteiro acerta ao usar essa referência como linguagem e não como fantasia temática. Os personagens não circulam por Cratará imitando Lampião, e o cangaço histórico permanece em outra posição temporal e social. O elo vem da permanência de determinadas estruturas de poder: famílias dominantes, influência política, propriedade, desigualdade, território e violência utilizada como instrumento de autoridade. A série atualiza os meios – carros, explosivos, armas pesadas, bancos – enquanto deixa algumas relações sociais desconfortavelmente familiares.
Esse encontro produz uma história muito brasileira, sobretudo porque Cratará funciona como uma pequena sociedade em que quase toda escolha pessoal possui alguma consequência coletiva. Ubaldo nunca está decidindo somente por si, já Dinorah carrega sobre o corpo a maneira como cresceu, enquanto Dilvânia procura na fé uma forma de preservar a memória do pai. Zeza (Marcélia Cartaxo) mantém viva uma história familiar que o protagonista perdeu. O passado aparece aos poucos, e cada revelação acrescenta alguma peça ao entendimento daquele homem que saiu dali criança.
A narrativa demora, contudo, para encontrar o ritmo adequado a essa riqueza. Os primeiros episódios acumulam informações sobre São Paulo, o pai adotivo, a herança, Cratará, as irmãs e a estrutura criminosa que cerca os Vaqueiro. Há uma preparação longa para uma série que demonstra possuir muito mais energia quando seus personagens começam efetivamente a interferir uns na vida dos outros. O problema está menos na quantidade de contexto e mais no tempo usado para colocá-lo em movimento.
Quando o roteiro finalmente aproxima a família e sua herança, a temporada ganha outro impulso. Os diálogos rápidos ajudam a criar a tensão e tornam-se parte fundamental desse processo. Em alguns momentos, existe uma boa economia na maneira como os personagens conversam, especialmente quando o texto confia nas diferenças entre eles e deixa parte do conflito escapar através de provocações, silêncios e expressões regionais. As palavras pertencem àqueles personagens e raramente soam como exposição disfarçada.
A própria ideia de liderança de Ubaldo também se torna mais interessante quando entra em choque com Dinorah. Ele possui conhecimento técnico para planejar algumas operações; ela possui conhecimento daquele mundo. O roteiro cria um conflito valioso entre inteligência adquirida e experiência vivida, evitando transformar a chegada do irmão de São Paulo em uma espécie de iluminação para pessoas que já conheciam a própria realidade muito antes dele.
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A Direção Encontra Sua Melhor Linguagem Quando a Violência Ganha Corpo

Fábio Mendonça e Aly Muritiba conduzem a temporada com uma segurança que cresce conforme o roteiro abandona a apresentação e entra definitivamente no conflito. Há influência clara do western na composição dos espaços e na maneira como grupos rivais ocupam Cratará, porém a direção estabelece um grau de proximidade que diferencia a série das imagens mais contemplativas tradicionalmente associadas ao gênero.
As cenas de ação são um ótimo exemplo dessa escolha. Existe movimentação de câmera, montagem acelerada e uma quantidade considerável de elementos em cena, mas a direção preserva a geografia dos confrontos. Sabemos onde os personagens estão, de onde vem a ameaça e como determinada ação afeta os demais participantes. Essa clareza faz diferença porque o espectador acompanha a estratégia e compreende quando um plano começa a desmoronar.
A violência também possui um aspecto bastante físico, deixando algumas cenas viscerais ao ponto de uma tensão gradativa extremamente funcional. Parte das cenas de Alice Carvalho foram feitas sem dublê, a atriz contou que passou por treinamento em armas, equitação, direção de precisão, levantamento de peso, muay thai e jiu-jitsu, e esse preparo aparece na naturalidade com que Dinorah se movimenta durante os confrontos; o corpo da atriz demonstra intimidade com aquelas ações antes que qualquer diálogo tente convencer o público de sua experiência.
Todo esse cuidado foi essência para ajudar “Cangaço Novo” a escapar de um vício recorrente nas produções de ação em que disparos e perseguições existem como pequenos intervalos de espetáculo. Aqui, os confrontos costumam gerar consequências dramáticas e revelam comportamentos. Ubaldo encontra prazer no controle que começa a exercer. Dinorah reage com a velocidade de alguém acostumada a sobreviver. Outros personagens demonstram medo, despreparo ou crueldade pela forma como ocupam essas mesmas situações.
A direção também sabe desacelerar quando encontra espaço para observar a cidade e os personagens, embora algumas passagens da primeira metade pudessem ter recebido cortes mais firmes. A temporada possui oito episódios e, em determinados momentos, transmite a sensação curiosa de ter muita história para contar enquanto demora demais em algumas etapas do caminho. Essa irregularidade aparece com maior evidência justamente porque os melhores episódios alcançam uma fluidez bastante superior.
Existe, porém, muita personalidade na encenação. Mendonça e Muritiba tratam Cratará como uma cidade com relações próprias, e isso impede que as grandes cenas se tornem genéricas. Uma perseguição por aquelas estradas carrega outra temperatura quando o público já compreendeu quem controla determinados espaços, quais famílias possuem influência e quanto cada movimento pode provocar represálias.
Fotografia e Direção de Arte Recusam o Sertão de Cartão-Postal

A fotografia de Azul Serra é um dos trabalhos mais marcantes da primeira temporada porque parte de uma decisão que deveria parecer óbvia, mas ainda encontra resistência no audiovisual: olhar para o sertão contemporâneo antes de repetir a imagem que o cinema construiu sobre ele durante décadas.
Serra e o diretor de arte Thales Junqueira questionaram a predominância dos filtros amarelos e alaranjados usados como código visual para lugares quentes e buscaram uma paleta observada na própria região durante o período seco, trabalhando com bege, areia, cinza e magenta. O formato 2.35:1 amplia os horizontes e conversa diretamente com o western, enquanto as lentes Blackwing introduzem pequenas irregularidades, flares e variações cromáticas que reduzem a assepsia da imagem digital.
Essa fotografia compreende bem a relação entre escala e intimidade. Os planos abertos valorizam a extensão das paisagens e ajudam a estabelecer as distâncias de Cratará, mas Serra e a direção preservam os rostos e a pele dos atores como parte importante da imagem. O espaço ganha imponência sem transformar as pessoas em adereços minúsculos diante de uma paisagem turística.
O passado recebe tratamento em preto e branco, uma escolha eficiente para separar os tempos e criar uma identidade imediata para as lembranças de Ubaldo. É justamente nessa opção que aparece uma das poucas ressalvas visuais. A imagem permanece muito bem controlada em alguns flashbacks e poderia suportar uma textura mais agressiva, com maior sensação de desgaste, imperfeição ou materialidade. A memória desse personagem está cheia de trauma e lacunas; visualmente, certas passagens parecem mais preservadas do que aquilo que representam.
A direção de arte compensa esse pequeno excesso de limpeza ao construir ambientes que carregam sinais de uso. Cratará foi criada a partir da combinação de diferentes locações reais, mas a unidade visual evita a sensação de colagem. Casas, ruas, estabelecimentos, áreas rurais e espaços ligados ao poder político convivem dentro de uma lógica social convincente.
Esse trabalho ganha força nos detalhes econômicos. A casa de uma família, a qualidade de determinado móvel, um estabelecimento comercial ou a conservação de uma construção ajudam a contar quem possui dinheiro e quem vive contando moedas. Existem alguns objetos e composições que podem provocar dúvidas pontuais sobre condição econômica ou contexto, porém são pequenas fissuras diante da consistência geral.
O figurino segue a mesma linha de raciocínio. Dinorah veste roupas compatíveis com uma personagem que se movimenta, trabalha e entra em confronto. Dilvânia possui outra delicadeza visual, ligada também à sua espiritualidade. Ubaldo carrega inicialmente marcas de alguém vindo de outro espaço social. Nenhum deles precisa vestir uma fantasia contemporânea de cangaceiro para estabelecer sua relação com aquele imaginário.
É nesse conjunto que a estética encontra maturidade. O sertão possui beleza, aspereza, cor e vida cotidiana, e a produção consegue filmá-lo com admiração sem transformá-lo em cartão-postal ou vitrine de sofrimento.
Alice Carvalho Compreende Dinorah Antes de Todos

Entre os três irmãos Vaqueiro, Alice Carvalho encontra a personagem mais completa da temporada e também oferece a interpretação mais segura.
Dinorah tem uma agressividade muito evidente, mas a atriz compreende que força constante se torna monotonia quando não existem outras camadas por baixo. Seu trabalho aprofunda diferenças de comportamento conforme a personagem está diante de Ubaldo, Dilvânia, Zeza ou de alguém que representa ameaça. A postura continua firme, embora a emoção mude de acordo com a relação.
Como já mencionado, todo o treinamento físico faz uma grande diferença em algumas cenas. Dinorah segura uma arma sem aquele cuidado visível de quem acabou de aprender onde colocar os dedos. Ela dirige, luta e se movimenta de maneira compatível com uma mulher acostumada àquele universo. Ainda mais importante: Alice não transforma essas habilidades em demonstração, elas aparecem como parte da personagem. A atuação ganhou posteriormente reconhecimento no Grande Otelo, onde Carvalho recebeu o prêmio de Melhor Atriz em Série de Ficção.
Se Dinorah parece chegar à série completamente formada, Ubaldo enfrenta justamente o problema oposto. Allan Souza Lima precisa interpretar um homem em processo de reconstrução, alguém que desconhece parte da própria memória e ainda tenta compreender a família que encontrou. Essa condição justifica uma atuação mais contida no início, mas cria dificuldades quando o roteiro começa a acelerar sua transformação.
Há momentos em que Ubaldo assume decisões e posturas que exigiriam uma mudança interna mais perceptível. Allan acompanha o personagem, melhora progressivamente e possui boas cenas, sobretudo nos confrontos familiares, mas algumas viradas pedem maior intensidade antes de acontecer. O texto parece saber que o personagem já chegou a determinado ponto enquanto a interpretação ainda está alguns metros atrás.
Isso não significa que o ator esteja mal. A questão está na velocidade de seu arco e na necessidade de preencher espaços que o roteiro oferece de maneira muito rápida. Curiosamente, essa limitação também cria expectativa para o que viria depois, pois Ubaldo termina a primeira temporada bem distante do homem apresentado nos episódios iniciais.
Thainá Duarte encontra em Dilvânia uma frequência completamente distinta. A personagem poderia desaparecer entre a violência de Dinorah e a transformação de Ubaldo, mas a atriz utiliza a fé, a delicadeza e a relação com a memória familiar para construir outro centro de energia dentro dos Vaqueiro. Sua presença amplia a dimensão espiritual da história e prepara um terreno que ganha importância posteriormente.
Marcélia Cartaxo merece destaque pela maneira como transforma Tia Zeza em memória viva. Há uma naturalidade particular na sua relação com os três irmãos, como se aquela personagem conhecesse histórias anteriores ao roteiro que estamos assistindo. Hermila Guedes, Luiz Carlos Vasconcelos, Ênio Cavalcante, Adélio Lima e o restante do conjunto reforçam uma qualidade importante da escalação: Cratará parece habitada por pessoas pertencentes àquele universo.
A produção mobilizou um elenco majoritariamente nordestino e a preparação contou com Fátima Toledo, profissional conhecida por um método baseado em corpo, instinto, escuta e presença. Essa escolha é percebida principalmente nas cenas coletivas, em que sotaque, gesto e comportamento raramente parecem elementos aplicados sobre a interpretação.
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A trilha sonora segue um pensamento semelhante ao da fotografia: a cultura nordestina apresentada pela série está viva no presente.
Beto Villares, Érico Theobaldo e o Submarino Fantástico assinam o trabalho musical, com participação de Siba e Allen Alencar. O álbum reúne 16 faixas compostas ou recriadas para a produção, passando por artistas como Rachel Reis, Getúlio Abelha, Aíla & Jader e Daniel Groove. A Nação Zumbi ganhou uma nova versão de “Da Lama ao Caos”, enquanto Alice Carvalho interpreta “Espumas ao Vento”.
Essa seleção ganha valor pela maneira como entra na dramaturgia. A música surge no carro, no rádio, em festas e em outros ambientes cotidianos, construindo uma ideia de região que acompanha sua própria produção cultural. Elementos tradicionais convivem com eletrônico, manguebeat e outras sonoridades contemporâneas sem transformar a trilha em exposição didática de referências.
Há momentos em que a música assume maior presença e ajuda a marcar a energia das sequências, porém o desenho de som ganha destaque justamente quando a trilha recua. Disparos, motores, passos, veículos e ambientes oferecem uma densidade física importante para as cenas de ação. A temporada entende que volume sozinho pouco resolve; distância, direção e pausa também ajudam a construir perigo.
A montagem enfrenta o mesmo problema de ritmo percebido no roteiro. A primeira metade carrega o peso da apresentação e poderia ganhar mais precisão em determinados trechos. Algumas informações permanecem por tempo maior do que o necessário, principalmente antes que os conflitos familiares e criminosos comecem a se misturar.
A situação melhora consideravelmente nos episódios mais avançados. Nas cenas de ação, os cortes aceleram sem sacrificar a compreensão espacial, permitindo que o público acompanhe o planejamento, o erro e a reação. Essa clareza valoriza a direção porque as sequências mantêm intensidade sem virar uma sucessão confusa de planos fechados.
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Os flashbacks também trabalham como fragmentos de uma memória que Ubaldo precisa recuperar. A montagem revela o passado em partes, alterando gradualmente a percepção sobre Amaro, a família e o próprio protagonista. Certas informações podem ser antecipadas por espectadores mais atentos, mas isso não destrói o efeito, pois a temporada está menos interessada em produzir grandes reviravoltas do que em mostrar como cada descoberta interfere na identidade daquele homem.
Ao final, é justamente essa construção de identidade que impede “Cangaço Novo” de se resumir a uma boa série de assaltos. A ação impressiona, a fotografia chama atenção e o elenco entrega momentos muito fortes, mas esses departamentos ganham sentido porque estão ligados à mesma discussão.
Ubaldo chega a Cratará acreditando que recebeu um patrimônio. Conforme conhece Dinorah, Dilvânia, Zeza e a história de Amaro, percebe que aquela herança vem acompanhada de uma maneira de ser visto, de um lugar dentro da comunidade e de um tipo de poder que começa a seduzi-lo.
Talvez essa seja a leitura mais incômoda da temporada. Herdar também significa escolher o que faremos com aquilo que nos formou antes mesmo de termos consciência. Algumas pessoas passam a vida tentando repetir seus pais. Outras gastam a mesma energia tentando fugir deles e acabam descobrindo traços semelhantes pelo caminho.
“Cangaço Novo” encontra sua identidade quando coloca essa contradição no sertão contemporâneo e deixa o western conversar com questões brasileiras sem usar o gênero como fantasia importada. A primeira temporada possui problemas de ritmo, poderia desenvolver melhor algumas etapas da transformação de Ubaldo e ainda guarda personagens secundários que mereciam mais espaço. Mesmo assim, há uma segurança artística rara em sua imagem, em sua direção e na maneira como a produção entende o espaço cultural que escolheu representar.
A comparação com produções internacionais se torna pequena diante do resultado. O mérito de “Cangaço Novo” está em saber exatamente onde sua história acontece e em perceber que nenhuma escala de produção substitui uma identidade bem construída.
Imagem: Divulgação/O2 Filmes/Prime Video









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