Entre o fracasso de Kara’s Flowers, o fenômeno “Songs About Jane” e bilhões de streams, a banda de Adam Levine construiu uma das carreiras mais resistentes do pop
Maroon 5 chega ao Rock in Rio 2026 em uma posição rara para uma banda que começou ainda nos corredores de uma escola de Los Angeles: com mais de três décadas de história, um repertório capaz de alimentar um show inteiro apenas com músicas reconhecíveis nos primeiros segundos e uma relação bastante particular com o público brasileiro.
O grupo comandado por Adam Levine encerra o Palco Mundo no dia 12 de setembro, depois de Pedro Sampaio, J Balvin e Demi Lovato. O tamanho da procura dá uma pista sobre essa conexão: os ingressos de gramado da data foram esgotados em apenas 2h12 na venda geral.
É fácil olhar para “Sugar”, “Payphone”, “Girls Like You” ou “Moves Like Jagger” e enxergar uma banda praticamente fabricada para rádios, playlists e grandes arenas. A origem conta outra história. Antes dos Grammys, das bilhões de visualizações e da cadeira de Levine em “The Voice”, houve uma banda adolescente rejeitada pela própria gravadora e obrigada a repensar quase tudo que fazia.
Essa capacidade de mudança virou a maior qualidade do Maroon 5, e também sua crítica mais recorrente. O grupo que começou com guitarras, funk e soul passou por eletrônica, dance-pop, hip-hop, reggae-pop e produções cada vez mais moldadas por compositores externos. Para alguns, adaptação. Para outros, perda de identidade. Talvez a longevidade venha justamente dessa tensão.
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Kara’s Flowers: Antes do Maroon 5, Houve um Fracasso Adolescente

A história começa em Los Angeles, nos anos 1990. Adam Levine, Jesse Carmichael, Mickey Madden e Ryan Dusick estudavam juntos e formaram o Kara’s Flowers ainda adolescentes. O nome, segundo relatos da época, fazia referência a uma colega da escola chamada Kara, por quem os integrantes teriam desenvolvido uma espécie de paixão coletiva.
A primeira versão da banda tinha pouco da mistura de R&B e soul que posteriormente definiria o Maroon 5. O som estava mais próximo do rock alternativo e do power pop dos anos 1990. Eles chamaram atenção cedo, tocaram pela região de Los Angeles e conseguiram contrato com a Reprise Records enquanto ainda eram muito jovens. O álbum “The Fourth World”, lançado em 1997, recebeu uma resposta morna e não encontrou o público esperado. A gravadora encerrou o contrato.
A derrota poderia ter encerrado tudo antes mesmo de “This Love” existir.
Levine e Carmichael passaram um período em Nova York e encontraram ali outra educação musical. Hip-hop, gospel, R&B e artistas como Stevie Wonder, Missy Elliott, Jay-Z e Aaliyah começaram a ocupar um espaço muito maior em seu repertório de referências. Quando os músicos voltaram a Los Angeles, a sonoridade havia mudado.
James Valentine entrou como guitarrista, permitindo que Levine concentrasse mais energia na função de frontman. Kara’s Flowers virou Maroon e, posteriormente, Maroon 5. O grupo começou a circular por casas como Viper Room e Troubadour, acumulando experiências que seriam revisitadas décadas depois no projeto “Love Is Like”.
A transformação ensina bastante sobre o diferencial da banda. O Maroon 5 nasceu quando seus integrantes aceitaram que a primeira versão de si mesmos havia falhado. Em vez de tentar repetir o mesmo disco esperando uma resposta diferente, mudaram referências, arranjos, composição e dinâmica de palco.
Foi uma reinvenção artística antes de a palavra virar termo obrigatório em release de popstar.
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“Songs About Jane”: Quando um Término Virou Identidade Musical
O primeiro álbum lançado com o novo nome chegou em 2002. “Songs About Jane” carregava uma mistura difícil de encaixar em uma única prateleira: guitarras de pop rock, levadas de funk, melodias influenciadas pelo soul e a voz aguda de Levine navegando entre vulnerabilidade e uma certa arrogância romântica.
O disco demorou a explodir. A ascensão aconteceu progressivamente, puxada por “Harder to Breathe”, “This Love”, “She Will Be Loved” e “Sunday Morning”. O álbum chegou ao sexto lugar da Billboard 200 e ultrapassou a marca de 10 milhões de cópias, enquanto a banda conquistou o Grammy de Artista Revelação.
O título nasceu da relação de Levine com Jane Herman, uma namorada de sua juventude. A separação alimentou boa parte do repertório, embora o próprio cantor tenha explicado ao longo dos anos que nem todas as faixas funcionam como relatos literais sobre ela. Jane virou uma espécie de eixo emocional do projeto, muito mais próxima de uma musa narrativa do que de uma personagem com biografia detalhada em cada letra.
Isso ajuda a explicar por que o álbum envelheceu melhor do que muita produção pop do começo dos anos 2000.
As letras são diretas. Os refrões aparecem rápido. A instrumentação deixa espaço para guitarra, baixo e bateria respirarem. “This Love” ganha personalidade com sua guitarra de influência funk; “Harder to Breathe” possui um ataque quase nervoso; “She Will Be Loved” reduz a intensidade e aposta em melodia; “Sunday Morning” encontra um groove muito mais próximo de soul e jazz-pop. O Grammy destacou justamente essa simplicidade instrumental como parte da força do disco.
O Maroon 5 já carregava ali uma característica que continuaria rendendo dividendos por décadas: a habilidade de escrever refrões extremamente simples sem fazê-los soar imediatamente descartáveis.
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Adam Levine: do Garoto Apaixonado por Kara ao Rosto de uma Era do Pop

O sucesso fez de Adam Levine algo maior do que o vocalista da banda. Seu timbre agudo, o falsete, a postura de palco e uma imagem cada vez mais associada à cultura de celebridades colocaram seu rosto no centro da marca Maroon 5.
Essa centralidade cresceu de forma radical quando ele entrou para “The Voice”. Levine permaneceu por anos como técnico do reality norte-americano e virou personalidade televisiva reconhecível até para quem não acompanhava a discografia da banda. A exposição coincidiu com uma das maiores transformações musicais do grupo.
Também existe um fio curioso entre seus relacionamentos e sua composição. Jane está no DNA de “Songs About Jane”. Décadas depois, sua relação com Behati Prinsloo entrou de maneira mais madura no repertório. Levine contou que “Priceless”, primeiro single do álbum “Love Is Like”, foi inspirado na esposa. Ela também participou de produções audiovisuais ligadas à banda.
O interesse amoroso mudou; a disposição para transformar intimidade em pop permaneceu.
E existe a outra paixão famosa de Levine: carros.
O cantor mantém uma relação antiga com a Ferrari e já possuiu modelos como F12tdf, 275 GTB/2, 330 GTC, 250 GT Berlinetta Lusso e Daytona 365 GTB/4. À própria Ferrari, contou que a obsessão começou quando tinha cerca de nove ou dez anos. Seu primeiro carro da marca foi uma 330 adquirida em 2010.
A curiosidade combina estranhamente bem com sua carreira. Levine gosta de objetos clássicos, reconhecíveis e cuidadosamente projetados, enquanto passou boa parte da vida musical perseguindo exatamente esse efeito em canções pop.
De Banda de Soul-Pop a Máquina Global de Singles
O segundo álbum, “It Won’t Be Soon Before Long”, chegou em 2007 e mostrou que o primeiro sucesso tinha continuação. “Makes Me Wonder” se tornou o primeiro número 1 do Maroon 5 na Billboard Hot 100 e venceu o Grammy de Melhor Performance Pop por Duo ou Grupo.
Em “Hands All Over”, de 2010, a banda ainda preservava uma base ligada ao funk-pop e ao rock. O desempenho inicial, porém, ficou abaixo das expectativas. A virada veio um ano depois com “Moves Like Jagger”, parceria com Christina Aguilera.
A música foi mais do que outro hit. Ela mudou o modelo de negócios e criação do Maroon 5.
Composta com participação de profissionais externos e lançada no período em que Levine e Aguilera estavam expostos em “The Voice”, “Moves Like Jagger” levou a banda de volta ao topo da Hot 100 e ajudou a mostrar que havia um caminho comercial ainda maior fora da estrutura de banda tradicional. A partir dali, produtores e compositores externos passaram a ocupar espaço crescente nos álbuns.
“Overexposed”, de 2012, assumiu a guinada. “Payphone”, com Wiz Khalifa, e “One More Night” aproximaram o grupo de uma linguagem muito mais eletrônica e radiofônica. O segundo single permaneceu nove semanas no número 1 da Hot 100. “V”, em 2014, continuou nessa direção com “Maps”, “Animals” e “Sugar”.
Foi nessa fase que a velha pergunta começou a perseguir o grupo: Maroon 5 ainda funcionava como banda ou havia se tornado Adam Levine acompanhado por uma estrutura pop extremamente eficiente?
A crítica possui fundamento. A participação de compositores externos aumentou muito, a guitarra perdeu protagonismo e alguns discos parecem mais interessados em encontrar singles do que em estabelecer uma identidade sonora contínua. A Time, já em 2014, relacionava o sucesso de “Moves Like Jagger” à transformação do grupo em uma operação mais concentrada no pop mainstream.
Ao mesmo tempo, existe mérito nessa adaptação. Pouquíssimas bandas que surgiram antes do Spotify conseguiram compreender com tamanha rapidez as diferentes fases da indústria: rádio, MTV, download digital, YouTube, streaming, playlists, feats com rappers e colaborações globais.
O Maroon 5 frequentemente segue o pop. Em alguns momentos, consegue fazê-lo melhor do que artistas criados especificamente para aquela tendência.
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Do YouTube ao Streaming: uma Segunda Vida Para os Mesmos Refrões
Quando o YouTube surgiu, em 2005, o Maroon 5 já havia conquistado seu primeiro Grammy. A plataforma, então, teve outra função na história do grupo: transformar hits de rádio em produtos audiovisuais com uma vida praticamente infinita.
O canal oficial possui atualmente cerca de 38,1 milhões de inscritos. O clipe de “Sugar” ultrapassou 4,4 bilhões de visualizações, enquanto “Memories” e “One More Night” já passaram da casa de um bilhão.
“Sugar” representa bem essa compreensão da internet. O vídeo, dirigido por David Dobkin, constrói a fantasia de que a banda invade diferentes casamentos para tocar de surpresa. Independentemente das discussões posteriores sobre o grau de encenação envolvido, a proposta era perfeita para compartilhamento: reação, romance, celebridade e uma música que dispensa contexto.
“Girls Like You”, com Cardi B, utilizou outra estratégia. O vídeo reúne uma sucessão de mulheres conhecidas de áreas diferentes e termina aproximando Levine de Behati Prinsloo e da filha do casal. A canção liderou a Hot 100 e reforçou a habilidade da banda de transformar feat em acontecimento cultural, e não somente em crédito adicional na faixa.
No Spotify, os números continuam enormes em 2026. Dados reunidos pelo ChartMasters apontam cerca de 79,9 milhões de ouvintes mensais, aproximadamente 36,1 bilhões de streams como artista principal e 36 faixas acima de 100 milhões de reproduções. “Payphone” já supera 2,79 bilhões; “Memories”, 2,52 bilhões; “Maps”, 2,47 bilhões; “Sugar”, 2,37 bilhões; e “Moves Like Jagger”, 2,23 bilhões.
O dado talvez mais interessante esteja nas músicas antigas. “She Will Be Loved” soma mais de 2,14 bilhões de streams e “This Love” passa de 1,81 bilhão. Duas faixas de um álbum de 2002 continuam competindo diretamente com sucessos produzidos já na era do streaming.
Isso diz bastante sobre o que o Maroon 5 construiu. O catálogo envelheceu junto com quem ouviu a banda no rádio e ganhou outra geração que sequer lembra como era esperar um clipe passar na MTV.
Originais, Releituras e uma Banda que Nunca Teve Medo de Misturar Referências
O coração comercial do Maroon 5 sempre esteve nas composições originais, ainda que o processo autoral tenha mudado bastante. Nos primeiros trabalhos, a personalidade surgia do encontro entre Levine, os instrumentistas e produtores. Com o crescimento da banda, equipes maiores de composição passaram a entrar em cena.
A vantagem foi a elasticidade.
A banda já caminhou por funk rock, blue-eyed soul, R&B, pop eletrônico, dance-pop, reggae-pop e hip-hop. “Sunday Morning” possui uma delicadeza que parece pertencer a outro grupo quando colocada ao lado de “Animals”. “Moves Like Jagger” é quase toda construída para movimento. “Memories” remove boa parte da produção e deixa voz, melodia e repetição conduzirem o ouvinte.
E “Memories” guarda uma das adaptações mais interessantes do catálogo. A faixa utiliza elementos harmônicos e melódicos do “Cânone em Ré Maior”, de Johann Pachelbel, transportando uma progressão barroca extremamente conhecida para uma balada pop sobre perda.
O grupo também gravou e apresentou releituras ao longo da carreira. Entre elas aparecem “Three Little Birds”, de Bob Marley, “Ticket to Ride”, dos Beatles, apresentada em um especial do Grammy, e até “Garota de Ipanema”, cantada por Levine em português e inglês durante o Rock in Rio de 2017.
Essas versões ajudam a revelar o ouvido da banda. Por trás do pop extremamente polido existe uma formação abastecida por Beatles, soul, funk, reggae, R&B e música negra norte-americana. O Maroon 5 fica mais interessante quando essas referências aparecem no arranjo em vez de serem cobertas por camadas de produção.
Por que o Maroon 5 Continua Tão Adorado?

Reconhecimento imediato
Poucas bandas possuem tantos singles identificáveis em segundos. O falsete de Levine, determinadas progressões de guitarra e refrões construídos com poucas palavras criam uma assinatura muito eficiente.
Um catálogo que serve a públicos diferentes
Quem chegou por “This Love” encontra guitarra e soul. Quem conheceu a banda por “Sugar” encontra pop de arena. “Girls Like You” aproxima hip-hop; “Memories” funciona como balada; “Moves Like Jagger” ocupa festas. A discografia oferece portas de entrada para idades e gostos bem distintos.
A banda aprendeu a abandonar fórmulas antes de desaparecer com elas
O salto de “Songs About Jane” para a fase de “Moves Like Jagger” custou parte da antiga identidade, mas ampliou brutalmente a vida comercial do grupo. O Maroon 5 preferiu correr o risco de irritar antigos fãs a virar atração presa ao começo dos anos 2000.
Adam Levine possui presença de frontman
Essa constatação parece simples, mas se torna enorme em festivais. Ele entende pausa, coro, refrão e interação. Em 2017, o grupo precisou enfrentar uma plateia que havia comprado ingresso para Lady Gaga e conseguiu transformar aquela situação desconfortável em um grande karaokê coletivo.
Os hits funcionam ao vivo sem exigir contexto
Esse talvez seja o superpoder mais útil no Rock in Rio. Uma pessoa pode conhecer cinco músicas, outra quinze, outra o catálogo inteiro. Em algum momento, todas provavelmente terão um refrão para cantar.
Rock in Rio: uma Relação Construída Até no Improviso
O Maroon 5 já possui história suficiente com o festival para que a apresentação de 2026 pareça um reencontro.
A primeira passagem pelo Rock in Rio brasileiro aconteceu em 2011, durante a edição que marcou o retorno do festival ao Rio de Janeiro depois de dez anos. Naquele período, a banda estava entrando na fase de “Moves Like Jagger”, justamente o single que abriria uma nova etapa comercial.
Em 2017 aconteceu o episódio mais curioso.
Lady Gaga cancelou sua apresentação na véspera da abertura por questões de saúde. O Maroon 5, que já seria headliner no sábado, foi convocado para assumir também a sexta-feira. A banda acabou realizando dois shows consecutivos no Palco Mundo.
Na primeira noite, enfrentou uma multidão que esperava outra artista. A estratégia foi praticamente eliminar qualquer espaço para obscuridades: “Moves Like Jagger”, “This Love”, “Animals”, “Payphone”, “She Will Be Loved” e “Sugar” formaram um show montado para reconhecimento imediato. Levine ainda apresentou “Garota de Ipanema”.
No dia seguinte, a banda voltou para sua data original e manteve quase todo o repertório, substituindo a homenagem brasileira por “Lost Stars”, canção gravada por Levine para o filme “Mesmo Se Nada Der Certo”. A repetição pouco incomodou uma plateia que respondeu justamente ao volume de hits.
Aquele fim de semana resume muito bem o Maroon 5. É uma banda preparada para situações em que a música precisa convencer rapidamente. Não depende de cenários conceituais longos nem exige conhecimento profundo do álbum mais recente. Refrão, banda, vocalista e público fazem boa parte do serviço.
Do “Jordi” a “Love Is Like”: Ainda Existe Espaço Para Outra Versão do Maroon 5?
Depois de “Red Pill Blues”, a banda aprofundou a lógica de colaborações. “Jordi”, de 2021, recebeu esse nome em homenagem ao empresário Jordan Feldstein, morto em 2017, e reuniu artistas como Megan Thee Stallion, H.E.R., Stevie Nicks, Juice WRLD e Nipsey Hussle.
A estratégia rendeu números, embora também tenha reforçado a crítica de que o Maroon 5 funcionava cada vez mais como plataforma para a voz de Levine e convidados.
Em 2025 chegou o oitavo álbum, “Love Is Like”. O projeto trouxe participações de LISA, Lil Wayne e Sexyy Red e tentou recuperar parte da leveza melódica associada às origens da banda. Levine afirmou durante a divulgação que o processo buscava novamente uma criação mais orgânica e menos preocupada em definir exatamente onde o grupo deveria se encaixar.
A recepção crítica foi bem menos generosa. A Pitchfork enxergou um disco excessivamente moldado por fórmulas comerciais, produção polida e participações de celebridades, apontando uma distância entre a tentativa de reencontrar espontaneidade e o resultado final.
As duas leituras podem coexistir.
“Love Is Like” possui momentos em que baixo, funk e R&B recuperam algo da antiga fluidez. Também continua muito interessado na lógica moderna de single. Talvez esperar que o Maroon 5 volte a ser exatamente a banda de “Songs About Jane” seja ignorar toda a trajetória construída depois.
Em 2026, “Heroine” chegou como primeiro material inédito após a edição deluxe do álbum. A faixa olha novamente para melodias românticas e para uma estrutura que remete aos primeiros sucessos, oferecendo outra indicação de que o grupo parece interessado em dialogar com a própria história.
Top 10: as Músicas que Explicam o Tamanho do Maroon 5

O ranking considera impacto na carreira, desempenho comercial, força no streaming, permanência cultural e importância na mudança de fase da banda. Por isso, a ordem não reproduz simplesmente a lista atual do Spotify.
1. “This Love”
A música que apresentou a identidade clássica do Maroon 5 para o grande público. A guitarra marcada pelo funk, o vocal cheio de tensão de Levine e um refrão instantâneo entregam em poucos minutos a proposta de “Songs About Jane”. Décadas depois, continua entre as músicas mais reproduzidas da banda, com mais de 1,8 bilhão de streams no Spotify.
2. “She Will Be Loved”
Se “This Love” mostrou atitude, “She Will Be Loved” construiu o lado sentimental da banda. É uma das baladas definitivas dos anos 2000 e atualmente ultrapassa 2,1 bilhões de streams no Spotify. Sua força está na facilidade com que funciona tanto em um show gigantesco quanto em uma versão apenas com voz e violão.
3. “Moves Like Jagger”, com Christina Aguilera
A música que mudou o destino comercial do grupo pela segunda vez. Depois do desempenho mais discreto de “Hands All Over”, o single levou o Maroon 5 de volta ao número 1 e abriu definitivamente a fase de grandes produtores, compositores externos e pop eletrônico. Possui mais de 2,2 bilhões de streams no Spotify.
4. “Sugar”
Uma aula de música projetada para multidões. Refrão simples, groove leve e clipe pensado para circulação digital transformaram a faixa em um monstro audiovisual: são mais de 4,4 bilhões de visualizações no YouTube e cerca de 2,37 bilhões de streams no Spotify.
5. “Payphone”, com Wiz Khalifa
O começo de “Overexposed” encontrou exatamente a combinação que dominaria a década seguinte: banda pop, refrão melódico e rapper convidado. Curiosamente, tornou-se hoje a faixa do grupo com maior volume individual no Spotify, ultrapassando 2,79 bilhões de reproduções.
6. “Girls Like You”, com Cardi B
Um dos maiores exemplos da capacidade do Maroon 5 de permanecer conectado à conversa pop. O remix com Cardi B chegou ao número 1 nos Estados Unidos e o videoclipe ampliou a faixa com participações femininas de diferentes áreas. É uma música pensada para circular muito além do álbum que a originou.
7. “One More Night”
O reggae-pop encontra uma das melodias mais pegajosas da carreira. A faixa ficou nove semanas consecutivas no topo da Hot 100 e ajudou a consolidar “Overexposed” como o disco em que a transformação para o pop de grande escala deixou de parecer temporária.
8. “Maps”
A abertura de “V” transforma término e procura em uma música construída para crescer rapidamente. No streaming, tornou-se um dos maiores fenômenos tardios da banda: já passa de 2,47 bilhões de reproduções no Spotify, ficando atrás apenas de “Payphone” e “Memories” no catálogo atual da plataforma.
9. “Memories”
Uma das faixas mais simples e emocionalmente diretas da carreira. Criada após a morte de Jordan Feldstein, ela utiliza elementos do “Cânone em Ré Maior”, de Pachelbel, e transforma a progressão clássica em uma canção de luto acessível. Já soma mais de 2,52 bilhões de streams no Spotify.
10. “Makes Me Wonder”
Talvez menos gigantesca no streaming contemporâneo do que “Animals” ou “What Lovers Do”, mas historicamente indispensável. Foi o primeiro número 1 do grupo na Hot 100 e provou que “Songs About Jane” teria uma sequência comercial real. Também rendeu um Grammy.
“Sunday Morning”, “Animals”, “What Lovers Do”, “Harder to Breathe”, “Beautiful Mistakes” e “Don’t Wanna Know” formariam uma segunda seleção sem qualquer dificuldade. Esse excesso de opções talvez seja o melhor argumento para entender por que a banda continua ocupando posições tão altas em festivais.
O que Esperar do Maroon 5 no Rock in Rio 2026

O show de 12 de setembro acontece em um momento interessante. O Maroon 5 possui um álbum recente, “Love Is Like”, lançou “Heroine” em 2026 e poderia perfeitamente usar o festival para reforçar a nova fase. Ao mesmo tempo, o histórico do grupo no próprio Rock in Rio mostra uma compreensão muito clara sobre o que funciona no Palco Mundo: hits primeiro.
A tendência é que o repertório encontre espaço para o material atual sem sacrificar “This Love”, “She Will Be Loved”, “Moves Like Jagger”, “Payphone”, “Sugar”, “Maps”, “Memories” e outros títulos que sustentam o peso de headliner. Essa expectativa é uma leitura da trajetória recente e das apresentações anteriores; o setlist oficial do Rock in Rio ainda não foi divulgado.
Antes da Cidade do Rock, a banda fará outras três apresentações no Brasil. São José do Rio Preto recebe o grupo em 6 de setembro, o Allianz Parque, em São Paulo, em 8 de setembro, e Salvador ganha um show na Arena Fonte Nova em 10 de setembro. Dois dias depois, o Maroon 5 fecha o Palco Mundo no Rio de Janeiro.
Será uma sequência pesada de apresentações, mas também uma demonstração do tamanho atual da demanda brasileira.
O Rock in Rio descreve oficialmente o grupo como dono de mais de 100 milhões de álbuns e 750 milhões de singles vendidos, além de três Grammys. O número mais revelador, porém, talvez esteja nas 2h12 necessárias para esgotar sua data no festival.
Três décadas depois de Kara’s Flowers receber uma resposta fria da indústria, aquelas músicas adolescentes deram origem a uma banda capaz de colocar dezenas de milhares de pessoas diante de um palco para repetir os mesmos refrões juntas.
O Maroon 5 mudou muito para chegar até aqui. Em certos momentos, mudou até demais. A guitarra perdeu espaço, a máquina pop ficou evidente e alguns álbuns oferecem mais eficiência do que personalidade. Ainda assim, sobreviver durante tanto tempo dentro da música popular exige algo que algoritmo algum consegue fabricar sozinho: um catálogo ao qual as pessoas continuam voltando.
No dia 12 de setembro, o Rock in Rio deverá funcionar como o teste mais simples possível dessa teoria. Basta Adam Levine começar as primeiras notas de “This Love”.
A Cidade do Rock provavelmente termina o resto da frase.
Imagem: Reprodução/Maroon 5 (Via Site M5BR)


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