Novela de Walcyr Carrasco estreou em 8 de setembro de 2003 e, mais de duas décadas depois, ainda guarda histórias curiosas de seus bastidores
É difícil pensar em “Chocolate com Pimenta” sem lembrar de Ana Francisca, Danilo, Olga, Jezebel, Bernadete e, claro, das famosas guerras de tortas. A novela de Walcyr Carrasco estreou na Globo em 8 de setembro de 2003 e chegou ao fim em maio de 2004, com 209 capítulos.
Ambientada nos anos 1920, a história misturava romance, comédia, vingança e uma fábrica de chocolates que acabou se tornando um dos cenários mais marcantes da trama.
Mas, por trás das cenas que ficaram na memória do público, existiam detalhes que nem sempre eram percebidos por quem acompanhava a novela pela televisão. Confira 10 deles:
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1. A cidade de Ventura ocupava 6 mil metros quadrados
Ventura não existia de verdade, mas também não era simplesmente um cenário pequeno montado para algumas cenas. A cidade fictícia foi construída nos Estúdios Globo em uma área de aproximadamente 6 mil metros quadrados.
A cenografia foi inspirada em cidades como Gramado e Canela e recebeu uma fábrica de chocolates, hotel, igreja, praça e até uma estufa de plantas.

2. A fábrica de chocolates tinha produtos feitos especialmente para a novela
Os chocolates vistos na história não eram simplesmente produtos cenográficos reaproveitados. A produção criou toda uma linha de chocolates especialmente para a novela.
Durante as gravações, eram consumidos em média três quilos de bombons por semana. Para completar o visual da fábrica, foram produzidos mais de 10 mil bombons cenográficos, em 15 formatos diferentes.
3. Kayky Brito usou quase 300 mechas de cabelo
A caracterização de Bernadete exigiu um trabalho considerável. Para transformar Kayky Brito no personagem que todos acreditavam ser uma menina, foram usadas quase 300 mechas de cabelo.
O ator também usava vestidos, laços, sapatos de boneca e meia-calça. A meia era necessária, inclusive, porque Kayky começava a ter pelos nas pernas durante as gravações.
4. A “careca” de Lilia Cabral não era uma careca de verdade
Em determinado momento da novela, Bárbara aparece completamente careca. Só que Lilia Cabral não precisou raspar a cabeça.
O efeito foi criado combinando maquiagem, peruca e computação gráfica. O resultado ficou tão convincente que muitos telespectadores chegaram a acreditar que a atriz realmente havia raspado os cabelos.
5. Ana Francisca usou cerca de 40 vestidos pretos
A transformação de Ana Francisca depois da passagem de tempo não aconteceu apenas na história. O figurino também foi utilizado para mostrar a mudança da personagem.
Durante a fase de luto, Mariana Ximenes chegou a usar cerca de 40 vestidos pretos. Na segunda fase, Ana apareceu com cabelos curtos no estilo à la garçonne e roupas inspiradas na moda do fim dos anos 1920.

6. Havia uma bordadeira e uma chapeleira disponíveis para o figurino
O cuidado com a época retratada chegava a detalhes que provavelmente passavam despercebidos na televisão.
O figurinista Lessa de Lacerda tinha uma bordadeira e uma chapeleira de plantão durante a produção, já que esses elementos eram importantes para reproduzir a moda dos anos 1920. Grande parte das roupas foi confeccionada especialmente para a novela.
7. Algumas cenas que pareciam ser de Ventura foram gravadas na Serra Gaúcha
A novela não ficou restrita aos estúdios do Rio de Janeiro. A equipe também viajou para o Sul do país.
Foram utilizadas locações em Gramado, Canela e São Francisco de Paula. No desfile da fanfarra de Ventura, realizado na Ponte do Passo do Inferno, participaram cerca de 150 moradores da região como figurantes.

8. Os primeiros capítulos tiveram gravações na Argentina
Antes mesmo de Ana Francisca começar sua nova vida em Ventura, a produção levou parte do elenco para Buenos Aires.
Mariana Ximenes, Murilo Benício e Ary Fontoura gravaram cenas em locais como o Teatro Colón, o Rosedal e Tigre. Essas imagens aparecem nos primeiros capítulos da novela.

9. A novela virou uma campanha gastronômica antes mesmo de estrear
Essa é uma das curiosidades menos lembradas.
Antes da estreia, a Globo promoveu um festival gastronômico inspirado na novela. Restaurantes criaram pratos à base de chocolate e pimenta com nomes relacionados aos personagens.
A ação envolveu restaurantes do Rio de Janeiro e de São Paulo e funcionou como uma espécie de aquecimento para a estreia, marcada para 8 de setembro de 2003.

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10. Margarido foi uma homenagem de Osmar Prado ao próprio pai
O jeito caipira de Margarido, personagem de Osmar Prado em “Chocolate com Pimenta”, tinha uma inspiração muito pessoal. Ao ler a sinopse da novela, o ator percebeu que poderia usar o personagem para homenagear seu pai, que havia falecido recentemente.
Em entrevista à TV Press, publicada em outubro de 2003, enquanto a novela ainda estava no ar, Osmar explicou a relação entre os dois:
“O Margarido é meu pai escrito” afirma Osmar.
Segundo o ator, seu pai era uma pessoa muito interiorana e tinha um jeito bastante particular de falar. Por isso, Osmar aproveitou lembranças e expressões que faziam parte daquele universo familiar para construir Margarido.
“Peguei muito do vocabulário dele” conta o ator.
Expressões como “garre mão”, “carca mecha” e “vou me apinchar”, que foram incorporadas aos diálogos por Walcyr Carrasco, vieram justamente do vocabulário do pai do ator.
Osmar ainda explicou que aquelas palavras permaneciam guardadas em sua memória e que levá-las para a novela era uma maneira de manter viva aquela lembrança:
“Está tudo guardado na minha memória. Coloco em prática e faço uma homenagem ao velho” conclui Osmar.
A construção do personagem, portanto, foi além do sotaque. O ator também buscou no pai características de personalidade para Margarido, como o temperamento forte, o orgulho de ter conquistado tudo com sacrifício e sua relação especial com a comida.
23 anos depois, ainda existe muito para lembrar
“Chocolate com Pimenta” conseguiu criar um universo próprio, cheio de personagens exagerados, cenários grandiosos e situações que permanecem na memória de quem acompanhou a novela.
Talvez parte desse encanto esteja justamente nos detalhes que não apareciam explicitamente na história: os milhares de chocolates cenográficos, as centenas de mechas usadas em Kayky Brito, os figurinos produzidos especialmente para a época e até uma cidade inteira construída dentro dos estúdios.
No próximo 8 de setembro, quando a novela completar 23 anos de sua estreia, essas histórias ajudam a lembrar que, por trás de uma produção aparentemente leve e divertida, existia um enorme trabalho de pesquisa, caracterização, cenografia e produção.
E algumas dessas pequenas escolhas acabaram se tornando tão inesquecíveis quanto a própria história de Ana Francisca.
Imagem Destacada: Divulgação/TV Globo


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