“As vezes vale a pena ficar vermelho por alguns segundos do que amarelar pelo resto da vida.
Rir é correr o risco de parecer tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e ideais diante da multidão é correr o risco de perder a amizade das pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Porém os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada.
A pessoa que não corre nenhum risco não faz nada, não tem nada, não consegue nada.
Ela pode até evitar sofrimentos e desilusões, mas não sente , não muda, não cresce, não ama, não vive.
Acorrentada por suas atitudes, ela torna-se escrava e priva-se da liberdade. por isso, somente a pessoa que corre riscos é totalmente livre”.

Este texto, que recebi de um amigo, me fez pensar em você. Em como o teu silêncio me incomoda, e como, às vezes, as tuas palavras parecem ser ditas nas horas erradas; em como você parece ignorar os efeitos que elas podem causar na minha cabeça e no meu coração.

Tenho um cuidado extremo em medir as palavras, em dizer apenas o que precisa ser dito, no esforço supremo de não magoar, guardar segredos; muito mais os seus do que os meus. Nossos segredos, ninguém, além de nós vai saber. São nossos segredos.

Pessoas deixam de amar para não correr riscos. Mas o maior risco é o de não ser amado. Jamais.
Teu silêncio me faz pensar em você acuada e sem resposta. E o que posso esperar, senão a agressividade de um rato preso a um canto da parede?

Quais são os riscos de uma conversa franca de dois adultos dizendo um outro o que pensam? Cada um disposto a ouvir o que o outro quer dizer, mesmo que doa, mesmo que seja difícil e doloroso de ouvir? As pessoas desconhecem todas as facetas da língua e da função da cada uma das suas regiões. São elas que percebem o amargo e o doce e, às vezes, não suportam o quente ou o frio. Na maioria das vezes a gente fala e foge, se recusa a ouvir.

Falo como homem, do desejo de homem, da necessidade de homem, do machismo que encobre as fraquezas, que encobre as tristezas, que encobre as amarguras e a sensibilidade que aflora na pele do homem, que, por vezes, se vê chorando às escondidas. Se vê só.
Não é amor, o sentimento que aprisiona. Não é amor, o sentimento que ameaça. Não é o amor, o sentimento que faz cobranças.

O meu sentimento por você é imutável e independe das circunstâncias. Circunstâncias  que, aliás, às vezes nos afastam, às vezes nos aproximam. Nem sempre é possível explicar o silêncio. Nem sempre é possível estar no lugar de sempre. Nem sempre é possível dizer aquilo que se deseja. Nem sempre se reage como se espera, diante do inesperado.

Eu quero te contar as coisas que me aconteceram na tua ausência e ser solidário com as coisas que te aconteceram na minha ausência. Vi os teus desabafos, li os teus desaforos, um misto de raiva e saudade. Sintomas de uma personalidade inconstante.

Eu quero te explicar o que eu pensei.  Sei que eu não tinha o direito de pensar coisa alguma. Mas eu pensei. E me guardei. E me recolhi. E me arrependi.

Estou a dias tentando terminar este texto. Tentando te dizer tanta coisa… Mas as palavras vão se perdendo entre uma interrupção e outra. E eu fico querendo conversar. Conversar com você. Mas você não está. Eu, ávido uma por uma de nossas conversas, moído pela imensa saudade que aperta o meu peito, me vejo submerso na escura solidão do meu quarto conversando com as paredes.

Por Ivo Crifar