Crítica (2): Rampage – Destruição Total

Em 2009, quando a Warner Bros. anunciou a compra da Midway Games, logo cresceu a expectativa em torno de versões cinematográficas de jogos como “Mortal Kombat”. Dois anos depois, a New Line, parceira do estúdio, revelou a intenção de adaptar “Rampage”, clássico do arcade. Esta semana, após sete anos de espera, chega finalmente às salas de exibição “Rampage – Destruição Total” (Rampage, 2018), resultado desse projeto.

Estrelado por Dwayne ‘The Rock’ Johnson (“Velozes & Furiosos”“Jumanji: Bem-Vindo à Selva”), o filme introduz Davis Okoye, um primatologista do Santuário da Vida de San Diego. Davis, homem tranquilo e recluso, mantém uma estreita relação de amizade com George, gorila albino por ele resgatado. Certo dia, entretanto, o animal começa a crescer incontrolavelmente e a apresentar comportamento violento. Okoye conhece, então, Kate Caldwell (Naomie Harris), especialista em edição genética capaz de ajudar o primata. Juntos, porém, eles descobrem que George não é o único afetado. Como consequência de experimentos patogênicos da Energyne, empresa liderada pelos irmãos Claire (Malin Åkerman) e Brett Wyden (Jake Lacy), surgem também um lobo e um réptil gigantes em outras partes dos Estados Unidos.

A dupla de vilões, a propósito, consiste em um dos grades problemas da produção. Munidos de personagens caricatos, Åkerman (“Watchmen – O Filme”, “Terror nos Bastidores”) e Lacy (“Carol”“Armas na Mesa”) pouco conseguem fazer para reverter o quadro. Suas atuações, ao contrário, voltam-se para o ridículo e infantilizam ainda mais o já debochado roteiro. Já “The Rock”, como de costume, prende-se ao estereótipo do grandão musculoso, enquanto a Harris (“Moonlight – Sob a Luz do Luar”, “Extermínio”) faltam motivações dramáticas. Completa o elenco principal Jeffrey Dean Morgan, o ator de Negan em “The Walking Dead”. No papel do investigador Harvey Russell, ele aparenta estar mais à vontade que os demais, mas tampouco contribui para elevar o padrão das interpretações.

A narrativa nivelada para entendimento de crianças contrasta-se com a violência das imagens. O longa-metragem sofre, desse modo, para encontrar o seu público-alvo. De um lado, o enredo imaturo afasta os jovens e adultos. Do outro, contudo, a classificação indicativa para maiores de 14 anos impede o acesso dos pequenos. Com o prejuízo de ambas, portanto, a história de Ryan Engle (“Sem Escalas”, “O Passageiro”) e a direção de Brad Peyton (“Terremoto – A Falha de San Andreas”“Viagem 2 – A Ilha Misteriosa”) nunca parecem entrar em acordo. Por conseguinte, o filme carece tanto dos riscos físicos do gênero ação quanto do humor inteligente da comédia. Resta, assim, apenas a estúpida e repetida cena do macaco George mostrando o dedo médio para Davis. Essa imagem, por sinal, talvez antecipe o comportamento do espectador após o final da sessão, indignado com tamanha perda de tempo.

Se há algum aspecto positivo a se destacar, provavelmente os efeitos visuais merecem elogios. Até eles, no entanto, mal aproveitados por Peyton, perdem parcialmente o seu impacto. Os robustos monstros, dessa forma, não se impõem diante da audiência nem mesmo quando dela se aproximam pelo recurso do 3-D. Tornam-se, de outro modo, inofensivos chamarizes, e a sua presença jamais cria momentos de suspense e apreensão.

“Rampage – Destruição Total” insere-se, enfim, no extenso rol de malsucedidas transposições do videogame para a telona. Falha, afinal, não só em despertar a nostalgia dos amantes do arcade, mas também em atrair o interesse de uma nova geração. Para ambos os grupos, o melhor conselho é passar longe dos cinemas.

* O filme estreou hoje, dia 12, quinta-feira.

 

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