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CríticaFilmes

Crítica: Bright

Avatar de Oswaldo Marchi
Oswaldo Marchi
26 de dezembro de 2017 4 Mins Read

Bright poster“Bright” é a nova produção da Netflix e a sua primeira tentativa de fazer um grande blockbuster, com um custo de, suspostamente, 90 milhões de dólares e um elenco de nome, cabeceado por Will Smith. O filme é uma mistura de gêneros, tendo a essência de uma ação buddy cop dos anos 80, mas com elementos de fantasia como “O Senhor dos Aneis”. Sob a direção de David Ayer, do infame “Esquadrão Suicida”, e escrito pelo excêntrico Max Landis, o resultado final é um meio termo entre estranho e problemático.

A trama se passa em uma Terra na qual humanos conviveram toda sua historia ao lado de outras raças fantásticas como orcs, elfos e anões, e conta a história de Daryl Ward (Will Smith), um policial de Los Angeles que tem como seu parceiro o novato Nick Jakoby (Joel Edgerton), o primeiro orc a entrar na polícia. Quando os dois respondem a uma chamada de emergência, descobrem uma elfa (Lucy Fry) com uma varinha mágica de grande poder, que apenas seres identificados como brights podem usar. Os policiais devem, então, proteger o objeto e sua portadora de gangues que querem pegá-lo e de Leilah (Noomi Rapace), sua dona original que quer usar o seu poder para reviver o antigo Lorde das Trevas.

Já é perceptível como o universo de fantasia urbana criado no roteiro é complexo, mas a sensação que o longa passa não é de um desenvolvimento inteligente, mas sim de uma bagunça incompreensível. A maior parte do que está acontecendo é explicado através de diálogos expositivos sem nenhuma sutileza, e a trama está recheada de personagens dispensáveis – a mulher do protagonista aparece uma vez e depois some do enredo – e de cenas desnecessárias, como um momento que dois agentes da corregedoria entregam um gravador para Ward registrar uma confissão de Jakoby, e nem os agentes e nem o gravador são vistos novamente. O uso de diversas frases clichês de filmes de ação, de maneira não irônica, também só prejudica a produção.

Em questão de direção, Ayer parece não ter aprendido em nada com seus erros em “Esquadrão Suicida”. Os créditos iniciais, que contam a história desse mundo atravésde grafites nas paredes da cidade, são o único momento interessante do filme, e o restante se resume em sequências de ação com cortes e movimentos de câmera rápidos, que deixam a cena difícil de entender, e em usos inapropriados e muito longos de slow motion. Até mesmo a tentativa de humor nos diálogos dos personagens principais é estranha e ineficaz, o que se deve tanto a falta de ritmo do diretor quanto aos atores.

Enquanto Will Smith já provou várias vezes ser uma personalidade carismática, em “Bright” ele parece apenas cansado e desinteressado. É também lamentável como uma boa atriz como Noomi Rapace é desperdiçada em uma vilã genérica, com uma motivação fraca e que quase não tem falas. Em compensação, Joel Edgerton se mostra mais uma vez ser um ator versátil, já que sua interpretação de Jakoby é um dos pontos altos do longa.Bright

Os efeitos digitais e o design de produção são decentes e conseguem criar bons visuais quando,  por exemplo, ocorre um uso de magia ou aparece uma criatura diferente.  A maquiagem dos orcs também é um dos destaques do filme, apesar de seu figurino ser bastante caricato e não intencionalmente cômico.

Outro ponto que Ayer também parece ter trazido direto de seu ultimo filme é a trilha sonora, que consiste em músicas de rock e pop tocando em momentos inapropriados. Uma cena curiosa envolve os dois protagonistas discutindo uma “música orc” que toca no rádio, mas que na verdade é uma música do grupo de Death Metal Cannibal Corpse, o que pode até não ser muito grave, mas que quebra a imersão no universo do filme, pelo menos para quem conhece a banda.

E, claro, não se pode fazer uma crítica sobre “Bright” sem mencionar a sua tentativa de comentário social, que quer falar sobre racismo, mas o faz de maneira óbvia e nada sútil, apenas substituindo afro-americanos por orcs. Isso acaba sendo apenas infantil, o que é irônico, já que a mesma crítica é feita de maneira muito melhor por “Zootopia”, uma animação que, teoricamente, é destinada a crianças.

Pode se considerar que o primeiro blockbuster da Netflix não foi uma aposta muito boa. A produção é ambiciosa, mas tenta incluir aspectos demais em um espaço curto de tempo para desenvolvê-los. Por fim, enquanto tem seus momentos bons e algumas qualidades, “Bright” não impressiona e serve, na verdade, como um lembrete de que, às vezes, menos é mais.

Reader Rating3 Votes
9.8
5.5

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Tags:

Joel EdgertonNetflixWill Smith

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Oswaldo Marchi

Publicitário formado no Rio de Janeiro, tem mais hobbies e ideias do que consegue administrar. Apaixonado por cinema e música, com um foco em filmes de terror trash e bandas de heavy metal obscuras. Atualmente também fala das trasheiras que assiste em seu canal do Youtube, "Trasheira Violenta".

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