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CríticaFilmes

Crítica: The Titan

Avatar de Rita Constantino
Rita Constantino
7 de abril de 2018 4 Mins Read

The Titan posterNo catálogo da Netflix, “The Titan” parece um filme tão grandioso quanto seu nome sugere – os rostos de Sam Worthington e Taylor Schilling destacam-se, imponentes, sob um céu infinito de estrelas. As pistas para a qualidade de seu conteúdo, porém, não estão no material de divulgação do serviço de streaming, mas no seu pôster quando ainda ia ser lançado por outra distribuidora, a Voltage Pictures. Nele, a imagem é muito menos sofisticada e bem mais próxima da realidade: uma montagem tosca da face do protagonista dividida metade na sua versão humana, metade na de uma criatura alienígena que parece saída da última atualização do The Sims 4.

Tolice essa que, infelizmente, impera no longa-metragem de estreia do diretor Lennart Ruff, mais um investimento da Netflix este ano no terreno da ficção-científica que não foi bem-sucedido. Coragem da parte da empresa, já que para cada bom título como “Aniquilação” e “Altered Carbon”, há bombas como “Mudo” e “The Cloverfield Paradox” – hall que agora adentra “The Titan”.

A trama não poderia nos ser mais familiar: em 2048, depois da superpopulação, das guerras e da extração descontrolada de recursos, a Terra está próxima de se tornar inabitável. Diante desse cenário, o governo dos Estados Unidos desenvolve o “Programa Titã”, um projeto que pretende levar humanidade para a popular Titã, a maior lua de Saturno, região que tem atmosfera e ecossistema similares ao do nosso planeta.

Para habitá-lo, contudo, a operação não pretende modificar a estrutura do satélite, mas sim a dos próprios seres humanos. Assim, acompanhamos Rick Janssen (Worthington), ex-soldado que se muda com a esposa, Abigail (Schilling) e o filho (Noah Jupe) para uma casa na base no Pacífico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a fim de ser voluntário em testes que transformarão, a nível genético, pessoas em super-humanos capazes de viver na superfície dessa lua. Entretanto, a medida que as experiências de “evolução forçada” vão sendo postas em prática, o homem e sua família percebem que elas são mais perigosas do que lhes foi contato.The Titan 1

“Ele disse que estamos nos tornando titãs e vamos a Titã”. Esse tipo de obviedade é uma constante no roteiro escrito a quatro mãos por Max Hurwitz e Arash Amel, que, perdido entre superexposição e clichés do gênero, não consegue entregar nada que ultrapasse o desinteressante. Inócua, a nova produção com selo “Original Netflix” se atém ao primário, fazendo pouco tanto para desenvolver seus personagens quanto as questões que seu argumento abre precedente.

Rick e Abigail são o centro do projeto e sua dinâmica familiar é um de seus pontos positivos, mas é frustrante – para não dizer constrangedor – a atenção dispensada aos demais. Introduzindo personagens só para fazer volume, não é raro nos pegarmos questionando o porquê de certas situações postas. Por que o script faz questão de inserir uma demonstração de petulância do voluntário Hernandez (Diego Boneta), se ele é simplesmente esquecido durante o resto da exibição? O palpite é simples: porque ele serve apenas de engrenagem à narrativa.

O problema de composição não se limita aos personagens secundários. Penoso também é o vilão interpretado por Tom Wilkinson, que construído nas bases do  estereótipo de “cientista malvado” apresenta um comportamento sem sutilezas, às vezes, beirando o ridículo. Basta um espectador que tenha visto mais de meia dúzia de filmes do gênero para prever logo nos seus primeiros segundos de aparição que ele é o antagonista.

É fato, porém, que em meio a série de escolhas pedestres, a produção surpreende no visual. Fotografado em formato anamórfico – a razão de aspecto do projeto é 2:35:1, o que abre nosso campo de visão –, o projeto aposta em planos abertos que, apesar de elegantes, intensificam a hostilidade do ambiente high-tech. A paleta de cores, carregada no azul, também é interessante, já que, coincidência ou não, se associa a transformação final do protagonista.

Boas ideias, mas que se tornam inofensivas perto da vergonha que se torna o longa no terceiro ato. Se nos dois primeiros ele tem dificuldade de mostrar a que veio, na última parte, põe tudo a perder. Entrando, em uma espiral de reviravoltas previsíveis e diálogos constrangedores, “The Titan” coloca a inteligência do espectador à prova. Com mais de um século de cinema, esperamos mais que capangas que dramaticamente mudam a mira do mocinho para o bandido e ataques surpresa que de surpreendentes não têm mais nada.

A resposta para truques velhos que não são atualizados só é uma: tédio.

 

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Rita Constantino

1995. Cobra criada em Volta Redonda. Um dia acordou e queria ser jornalista, não sabia onde estava se metendo. Hoje em dia quer falar sobre os filmes que vê e, se ficar sabendo, ajudar o Truffaut a descobrir com que sonham os críticos.

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