“Esse é pra Casar” inverte tudo e tira das telas do cinema para as páginas do livro diversão, caos, comédia e luto
“Esse é pra casar”, no original “Husband Material” é a sequência direta de “Procura-se um Namorado”. Nessa nova fórmula, Alexis Hall usa como inspiração “Quatro Casamentos e um Funeral”, uma famosa comédia romântica britânica de 1994 estrelada por Hugh Grant e Andie MacDowell, com roteiro de Richard Curtis.
A história acontece dois anos após o fim do primeiro livro, com ambos já em um relacionamento saudável, ou tão saudável quanto possível para os protagonistas, levando em consideração que Luc demorou cinco anos para melhorar de um dos seus traumas mais pesados, e Oliver está fazendo terapia para entender melhor os seus. Com isso vemos um amadurecimento de Luc para com o primeiro livro, ele está mais consciente de seus atos e evita ao máximo não ser sarcástico e debochado, mas é praticamente uma batalha perdida, principalmente em seus pensamentos que continuam um verdadeiro caos divertido de se ler.
“Coloquei canela demais porque derrubei a colher, mas até aí, canela era um daqueles ingredientes que nunca são demais. Tipo, sei lá, gengibre ou alho. Ai, meu Deus, eu tinha herdado as habilidades culinárias da minha mãe…”
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A história se desenvolve em cinco partes, sendo elas três casamentos de conhecidos e amigos, o casamento dos protagonistas e um funeral de um personagem relativamente importante para a história e que tem um impacto grande para um dos protagonistas, que chega a abalar o relacionamento de ambos. Cada casamento mostra que talvez eles não sejam tão compatíveis assim, já que eles têm muitas diferenças entre como eles se projetam para seus amigos, seus colegas de trabalho, família e até para si mesmos.
O ponto central é o desenvolvimento do romance entre os dois e também o que é ser “gay da forma certa”, já que a comunidade LGBT é um tópico recorrente nas discussões deles, e visto que Oliver não se vê incluído pela comunidade e é até repelido por ela, enquanto Luc sente falta de estar presente em um lugar que ele se sente acolhido, representado e querido.
“Só era mais esquisito ouvi-lo dizendo aquilo no casamento do meu ex-namorado, cercado pelos meus ex-amigos. Porque havia uma parte de mim que ainda pertencia àquele lugar e odiava que ele não pertencesse.”
O livro continua sendo muito divertido, ou até mais do que o primeiro, mas aborda alguns temas um pouco mais sérios, como o luto, relacionamentos, transtornos psicológicos, traumas de infância, e ainda assim a leitura é muito fluída e de fácil imersão. Principalmente quando já se está habituado com o tipo de escrita do autor, ou pelo menos, com a narração de Luc O’Donnell que continua tão boa quanto no primeiro livro, ou melhor.
Nem as partes mais tensas, como o luto, a briga de casal e uma suposta traição conseguem estragar a leitura, embora sejam partes mais delicadas e que foram muito bem trabalhadas e exploradas pelo autor. Esses momentos poderiam ser um tópico negativo se não tivesse a sensibilidade de como abordar o assunto, diferente de algumas séries e livros que banalizam tópicos sensíveis apenas pelo “choque”, o que, ainda bem, não acontece aqui.
Por fim, “Esse é pra casar” funciona porque souberam medir entre o amadurecimento dos personagens com momentos divertidos, e sendo o que é para ser: uma comédia romântica baseada em um clássico britânico. Ele segue sendo uma leitura gostosa que merece cada página lida que tem.
Imagem Destacada: Divulgação/Gerada por inteligência artificial


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