Desejos Perversos distorce e brinca com o nosso senso moral e o anseio por poder
O livro “Desejos Perversos” foi escrito por Aurélio Nery, um escritor brasileiro formado na UESB que iniciou sua carreira literária ainda no Wattpad, um site famoso pelo gênero de Fanfic. É onde muitos escritores dão os seus primeiros passos, e Aurélio é um exemplo de que pode-se alcançar novos horizontes.
A história é contada pela perspetiva de Adrian, uma pessoa completamente ordinária, com um relacionamento nada ordinário. Ele se vê preso em um relacionamento abusivo, onde já foi traído diversas vezes pelo seu namorado de longa data Jonas. Nesse primeiro momento, é apresentado a personalidade de Adrian, que é ciumento, possessivo, inseguro e extremamente ansioso, e ao decorrer da história entende-se bem o porquê disso. Mas a principal característica de Adrian é a obsessão que ele tem, e que ele vai descobrindo ao decorrer da sua história.
“Ele sabe que é atraente, faz questão de mostrar, e os homens, que não são bestas nem nada, olham. Mas Jonas não os está encarando agora, ou porque não se interessou ou porque me viu indo em sua direção.”
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O enredo é rapidamente alterado, quando Adrian faz sem querer um contrato com o gênio Iesley, que pode conceder dez desejos, quase que ilimitados, podendo matar, ressuscitar, e quase tudo o que ele quisesse fazer, com restrições apenas referente aos próprios desejos, como ter mais pedidos, por exemplo. A partir daí, Adrian tenta desesperadamente usar os seus pedidos para fazer com que Jonas escolha ele em todas as alternativas possíveis, ao invés de simplesmente desejar que ele o ame exclusivamente, Adrian tenta fazer com que o seu namorado escolha por ele.
A problemática maior é em relação ao Adrian que não é bom em fazer os pedidos, sendo que por ser ansioso acaba pedindo no calor do momento e assim fazendo com que os desejos muitas vezes saindo errado por ele não saber medir as palavras e nem as consequências de seus atos.
“Então vamos acabar logo com isso para que você possa se ver livre de mim. O Jonas não vai parar de fazer o que faz, sempre vai haver uma opção, não importa o quanto eu tente criar situações favoráveis. Então eu desejo ser o único para ele, desejo que entre todos os homens do mundo ele só veja a mim.”
Ele aborda tópicos sensíveis com maturidade como suicídio, relancionamento tóxico e abuso, principalmente da parte de Iesley que é obrigado a atender qualquer pedido de seu amo, mesmo que ele despreze a pessoa ou não que aquilo vá contra a sua moral. Embora esses temas sejam recorrentes na obra, ela é uma leitura fluída e muito gostosa, com uma trama bem escrita e amarrada. A sensação de ler o livro é uma mistura entre prazer, dor, perda, luta e uma vontade indescritível de querer mais.
Ele apresenta alguns personagens secundários interessantes que fazem bem o seu papel e que não tem muita importância para trama, e outros personagens são de grande importância para o desenvolvimento de Adrian e a relação dele com Iesley, sempre acrescentando a obra e nunca tirando ou ficando “desnecessários” em uma cena.
Por isso que “Desejos Perversos” é um livro interessante. Ele te faz questionar sobre o seu senso moral, é errado o que o Adrian faz, mas ao mesmo tempo ele só é humano, mesmo sabendo que ele está ferido, machucado e doente, ainda assim não se deve passar pano para o que ele fez, mas o autor brinca com isso e torna difícil não torcer por ele. Pode-se ser comparado a uma grande história trágica grega, só que moderna e com homens gostosos e uma trama que te deixa com uma sensação estranha no estômago e implorando por mais.
Imagem Destacada: Divulgação/Gerada por inteligência artificial


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