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Review: Undone

Imagem: Divulgação/Amazon Prime Video

Com a bolha do Streaming se tornando cada vez mais uma realidade no Brasil, o grande diferencial das empresas acaba sendo o “conteúdo original”. E se já, há algum tempo, a qualidade dos originais Netflix tem sido no mínimo questionável, o Prime Video parece estar indo no caminho inverso lançando séries bem recebidas como The Boys”  e agora lançando sua primeira série animada original, “Undone”.

A série acompanha a jornada da jovem Alma (vivida por Rosa Salazar, de “Alita: Anjo de Combate), que após um acidente de carro começa a ser visitada pelo seu falecido pai. Agora cabe a ela se adaptar a sua vida após o acidente, enquanto busca respostas sobre seu passado.

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O elemento que mais chama atenção na série, de cara, é a rotoscopia. Essa excêntrica técnica de animação que consiste em animar por cima de uma filmagem com atores reais, aqui usada diegeticamente, dá a série uma identidade bem própria.

Logo após o acidente, alma passa a ter uma outra percepção da realidade, tanto de tempo quanto de espaço. Enquanto muitas vezes a rotoscopia foi usada para dar movimentos mais realistas/fluidez de animação , em Undone, ela é usada como transliteração da visão de alma sobre sua vida.

A inconstância do traço que nunca parece fixo, mesmo em cenas do dia-a-dia, causa um estranhamento que reflete os sentimentos da protagonista em relação a sua rotina. Isso é bem enfatizado pelo roteiro de Kate Prudy e Raphael Bob-Waksberg (também criador de “Bojack Horseman”).

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Já no primeiro episódio, o roteiro faz questão de criar uma elipse de tempo que deixa clara sensação de estagnação na rotina da personagem principal, e assim seguindo o princípio descrito por John Truby em seu livro “The Anatomy of Story” o roteiro coloca a personagem em primeiro lugar e os elementos da construção de mundo para criar uma manifestação detalhada dos personagens.

Imagem: Divulgação/Amazon Prime Vídeo

Estilo esse de escrita que WalksBerg mostrado cada vez mais domínio nos últimos anos. Isso sem contar a facilidade que o roteirista encontra em criar um humor com fortes comentários sociais. Como as piadas do “o culpado é sempre um namorado”, deixando claro o quão comum é agressão a mulheres por parte de seus parceiros.

Aliado ao afiado texto está a performance de Salazar, que mesmo sobre o redesenho de suas expressões, consegue dar alma a Alma (perdão pelo trocadilho). Através dos pequenos momentos em suas relações, vemos seu desejo pela mudança e ao mesmo tempo seu medo de prejudicar os personagens que a rodeia, como ela mesmo diz: “Somos pessoas problemáticas, e pessoas problemáticas fodem as outras”.

É praticamente impossível, não adorar Alma, e mesmo pode ser de quase todos a sua volta, já que o roteiro faz questão de enfatizar que mesmo as más decisões de alguns personagens, não são tomadas por um caráter dicotômico vilanesco, mas sim por suas falhas em entenderem uns aos outros e acabarem assim desrespeitando os seus espaços pessoais. Como o acaba acontecendo diversas vezes com seu pai (Bob Odenkirk, de “Better Call Saul”), que não entende a prioridade que filha prefere dar ao seu relacionamento, em vez de se jogar de vez nas aulas sobre “realidade”.

É inclusive nas lições do pai, que a série acaba caindo em ou outro momento mais óbvio/derivativo de histórias de ficção científica (como a própria negação inicial de alma). Mas é engraçado como mesmo trabalhando com clichês mais óbvios o roteiro ainda consegue brincar com a iconografia de já estabelecida em narrativas parecidas. Visto o momento em que Alma está comprando feijão e suas duas opções de enlatados estão nas cores vermelhas e azuis (como em Matrix) ou quando ela remete ao mito da caverna, brincando com uma de suas alunas.

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Inteligente, socialmente consciente e visualmente excêntrico“Undone” é, não só a primeira animação, mas também uma primorosa adição ao catálogo do Prime Video.


Imagens e vídeo: Divulgação/Amazon Prime Video

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8.5

Cinéfilo assíduo desde que se conhece por gente,e um amante da nona arte. É da linha de David Lynch que acredita no potencial onírico das artes.

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