Com contrato assinado, Mick Jagger assume o controle criativo do projeto e exige um ator desconhecido na casa dos 20 anos para encarnar a perigo e o swing dos anos de formação da maior banda de rock do mundo
Na atual onda em Hollywood para transformar a mitologia de grandes nomes da música em celuloide, os Rolling Stones finalmente decidiram colocar suas fichas na mesa. Mas, como era de se esperar de uma banda que sobreviveu a seis décadas de excessos, tragédias e reinvenções, o movimento dos Glimmer Twins é calculado com precisão cirúrgica. Mick Jagger (83), Keith Richards (82) e Ronnie Wood (79) selaram o contrato com a produtora norte-americana 101 Studios — a mesma força por trás de dramas de forte apelo visual e narrativo como “Yellowstone”, “Landman” e “O Dono de Kingstown”.
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Para uma banda que sempre exigiu o controle absoluto de sua imagem — da estética perigosa e libertária dos anos 1960 ao verniz corporativo das grandes turnês de estádio —, a escolha da 101 Studios sinaliza a busca por um tom visceral. “O acordo está fechado”, confirmou uma fonte ligada às negociações. Embora o projeto ainda esteja em fase embrionária de roteiro, a premissa é clara: colocar a saga dos Stones em mãos capazes de capturar a crudeza do grupo.
A navalha narrativa e o fantasma dos vinte anos

A grande questão que paira sobre a sala de desenvolvimento é como comprimir mais de 60 anos de caos e triunfos na tela grande. Jagger, que traz no currículo a experiência de ter produzido a cinebiografia de James Brown (“Get On Up – A História de James Brown”, 2014), já indicou que prefere a abordagem de recorte temporal focado a uma cinebiografia genérica estilo “linha do tempo”. A referência mencionada pelo vocalista é o formato de recortes curtos, como a recente produção focada em um janela específica da vida de Bob Dylan.
No quesito elenco, a visão do frontman é inflexível e descarta as soluções óbvias do marketing de estúdio. Esqueçam grandes estrelas pop como Harry Styles (32), a quem sempre foi atribuída uma semelhança com o vocalista dos Stones na juventude. Jagger é categórico: quer um ator jovem e relativamente desconhecido, na casa dos 20 anos, capaz de recriar a arrogância crua e a eletricidade de quando ele tinha apenas 19 anos nos clubes de blues de Londres.
A guerra dos mitos nas telonas

A empreitada dos Stones ganha corpo em um momento de absoluta efervescência para a história do rock no cinema. Enquanto Sir Sam Mendes filma sua ambiciosa tetralogia simultânea sobre os Beatles para 2028 — com Harris Dickinson, Paul Mescal, Joseph Quinn e Barry Keoghan nos papéis do quarteto de Liverpool —, os Stones escolhem o caminho de um longa único focado na sua própria essência.
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A notícia do filme chega escoltada por mais um feito comercial impressionante da banda. Em julho, o álbum “Foreign Tongues” alcançou o topo da parada britânica, marcando o 15º disco do grupo a atingir o número um no Reino Unido. Se os Beatles representam a utopia pop celebrada em estúdio, a cinebiografia dos Rolling Stones chega para lembrar ao cinema que o rock and roll sempre foi, antes de tudo, uma questão de perigo, atitude e sobrevivência. Vale lembrar que a banda já foi retratada em uma obra ficcional biográfica, “Stoned: A História Secreta dos Rolling Stones”, focada no guitarrista Brian Jones, morto em 1969.
Imagem destacada: Divulgação/Rolling Stones


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