Aquém do antecessor, mas ainda assim vigoroso.
Com a diferença de apenas um dia, “Wicked: Para Sempre” estreou no Brasil. Com exatos 364 dias de discordância, a segunda parte do aguardado musical chegou aos cinemas nacionais. De lá para cá, muito se especulou e esperou sobre a conclusão dessa duologia. Não podemos dizer que o longa perde a essência do livro nessa segunda parte, mas, de fato, ameniza algumas coisas e romantiza outras. Embora crie outros momentos, ele segue mais fiel ao musical da Broadway.
Para quem ainda não sabe, o Universo de Oz, vai muito além do clássico livro, de 1900, e do filme, lançado em 1939. Na verdade, a coleção tem, ao todo, treze livros que são histórias profundamente políticas, sociais e humanas. “Wicked” é um livro de um outro autor que mergulhou na obra de Oz e resolveu escrever um prequel, uma narrativa antecessora ao que foi apresentado em o “O Mágico de Oz”, e deu muito certo. Por aqui, já falamos sobre toda essa trajetória na nossa crítica da Part. I.

Com a magia do cinema, floresceu-se no público à ideia de que “OZ” pauta num romantismo colorido e infantil, num simples conto de fadas e, de certa forma, na nossa nostalgia. Nostalgia ao se lembrar da época de ouro do cinema estadunidense, onde criou-se no público uma memória afetiva visual, mas que nos bastidores foi repleta de problemas. Se não sabe do que estamos falando é só dar um Google para você descobrir todo o caos do filme de 1939.
Dividido em duas partes como o musical, essa segunda parte também sofre com problemas de ritmo em seu retorno. Enquanto o musical tenta aplacar o final grandioso para o intervalo feito com “Defying Gravity”, no filme o objetivo é fazer com que o espectador se localize na narrativa da história, uma vez que o diretor Jon. M Chu escolhe desconectar alguns pontos para ir conectando-os à medida que se desenvolve. Outra igualdade entre o filme e a peça é a duração menor. Com mais 2 números musicais adicionados no filme, sua duração ainda ficou inferior a seu predecessor.
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“Wicked: para Sempre” se mantém fiel ao que foi apresentado inicialmente e fez o público se apaixonar. Um Designer de Produção primoroso, figurinos encantadores e, claro, o poder da magia do cinema. É impossível não aplaudir todo o trabalho construído e executado, quando concluímos a exibição. Visualmente o conjunto estético nos traz para esse lugar, mágico colorido e até glamuroso no sentido infantil da coisa. E ao mesmo tempo, nas entrelinhas de seu texto, nos coloca como adultos a refletir sobre nós mesmos.
É nessa humanidade, ou no questionamento existencial dela, que o texto sutilmente nos leva e pauta as básicas e grandes questões pessoais: “Quem eu sou, para onde vou, o que eu represento?” Ou, indo um pouco além: “O que eu acredito? Até que ponto sou leal a mim e a quem me cerca?” Ou ainda: “Nós queremos a verdade ou só dizemos isso da boca pra fora, pois, nosso desejo é nos mantermos ignorantes para nos sentirmos confortáveis?” Daria para escrever aqui milhares de outras teses, sobre vários os pontos que são apresentados. Mas os devaneios humanos do roteiro, vamos deixar por aqui.
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Além de seu ritmo, outra coisa que deixa a desejar são os efeitos visuais. Existem momentos bons. Existem momentos regulares e existem momentos muito ruins. Fato é que, inevitavelmente, não podemos deixar de nos perguntar o que aconteceu com os profissionais do início da década de 2000, que desenhavam e produziam efeitos tão incríveis para aquela época. Com a evolução tecnológica, esperava-se uma melhora, uma representação mais real, ainda que seja fruto do imaginário, mas o resultado é o tem sido uma afirmação constante do artificial.

Quando se propõe a fazer algo de tamanha grandiosidade e perfeccionismo temos muitos caminhos que podem levar a grandeza, que acontece com o longa, mas também a execuções não tão interessantes e até errôneas. Nesse caso, estamos falando do departamento de caracterização. O resultado do Homem de Lata à primeira vista passa, mas à medida que vai aparecendo, não podemos afirmar que ficou boa. Isso vale para o Espantalho, que francamente parece que foi feito com o que sobrou de orçamento. E os cílios da Ariana colados com espaçamentos diferentes de um olho para o outro em algumas sequencias?!
E por falar em Ariana, vamos ao elenco, que mais uma vez brilha na tela. Que escolha absurdamente assertiva foi Ariana e Cintia como as protagonistas. Elas mais uma vez disputam a tela, a atenção do expectador e nos entrega voz, emoção, carisma, humor e profissionalismo. Os demais seguem seu fluxo dramático sem grande destaque, entregando o que precisam, mas o filme é delas e para elas.
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Antes de chegarmos ao final desse texto, não poderíamos deixar de comentar a escolha da atriz Bethany Weaver para viver a personagem Dorothy, mas que ao longo do filme jamais tem seu rosto mostrado. Segundo o diretor, em uma entrevista para a revista “People!” a escolha de não ter seu rosto exibido foi para não interferir na imagem que cada expectador tem da personagem em sua mente. Para nós, essa justificativa é plausível, mas ainda podemos enxergar de outra maneira. Essa escolha também pode ser vista como uma homenagem e uma demonstração de respeito a Judy Galland, que aos 16 anos viveu e eternizou a personagem. Pagando um preço muito alto, na época, para tal façanha.
Ao chegar à reta final do filme, ao som de “For Good”, é impossível não se emocionar. Como escrevemos no título, a produção foi feita por fãs e para fãs. A conclusão da superprodução pode até não agradar tanto, mas é uma bela e louvável entrega. Ousamos dizer que, pelos próximos 50 anos, ninguém vai ousar readaptar “Wicked” para o cinema. Memorável, emocionante e divertido.
Imagem: Divulgação/Universal Pictures Brasil



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