Personagens que você só quer segurar e falar: “Querida, para de ser doida”
Personagens brasileiros que deveriam seriamente se consultar aparecem em diversos livros, e, se nos seus livros tivessem psicólogo, não teria história. Anteriormente fizemos um post falando de alguns personagens que precisam de carinho, de compaixão, de alguém para falar para parar de surtar e que estão fazendo merda. Entre as opções, acabou sendo citado apenas um livro brasileiro, mas acontece que existem tantos livros brasileiros com personagens assim. E o pior: em alguns dos livros até tem, só que eles simplesmente não dão a mínima.
É importante salientar que saúde mental é, sim, um tópico sensível e bem importante, que deve ser cuidado com o devido respeito e seriedade por profissionais qualificados. Só que esse post tem um intuito mais leve e de divertir, e não de ser algo pesado. Ainda assim, serão abordados alguns tópicos que podem vir a ser sensíveis, como tentativa de suicídio e relacionamentos tóxicos. Por conta disso, é necessário que cada leitor esteja bem e fique ciente do que será abordado aqui.
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Ragnar Forja-Chumbo | “As Bruxas de Outrora“

Escrita por Tati Vieira, a obra apresenta Ragnar como um homem cruel e amigo de infância de um dos protagonistas, que estava fazendo um genocídio com o seu Coven de bruxas. Só que é nos capítulos extras desse livro que se entende a motivação do grande vilão, que não é nada mais e nada menos do que ter levado um pé na bunda, e com razão, da bruxa Vanora.
Então, toda a desgraça do mundo de Guanabarae acontece só porque um homem não conseguiu aceitar o fim de um relacionamento, e o interessante é que, se ele tivesse alguém para colocar juízo naquela cabeça, talvez, e bem no talvez, desse para consertar alguma coisa. Mas isso realmente só se ele não fosse tão mente fechada e conspiracionista, afinal, Ragnar surtou conspirando que Vanora tivesse o enfeitiçado para se apaixonar por ele.
Claro que, a princípio, ele não era um caso perdido e poderia muito bem dar uns passos para trás e tentar entender que aquilo que perdeu foi um amor, mas teria outros e que não precisaria se prender em um relacionamento ao invés de remoê-lo até ficar doente e insano, e não no sentido de perder a mente ou ter uma doença mental, mas sim insano de ser uma pessoa repulsiva.
Bella | “Paris & Roma“

O romance escrito por Ana Laura Moura conta a história de duas mulheres lésbicas, talvez uma possível bissexual. O romance foca em Luna e Bella, embora tenha outros casais LGBT e personagens do mesmo espectro. Aqui, no entanto, temos um problema: mesmo que as duas se amem de verdade, as duas têm questões seríssimas. E, embora as questões da Luna sejam as que mais sobressaem na obra, por seus posicionamentos e pelas ações que ela toma, é a Bella que será trabalhada, por ser muito mais sutil à sua maneira.
Bella é uma mulher muito dependente, parecendo muitas vezes ter um apego muito doentio pela Luna, parecendo até que ela teria Borderline. Não se sabe se foi a intenção da autora, mas essa dependência emocional que ela nutre pela Luna não é normal, vai além do amor romântico e parece uma obsessão em alguns pontos. O que faz a história ou a personagem ser ruim? Não. Faz a personagem ser trouxa? Meio que sim, já que ela perdoou uma “Não traição”, já que elas tecnicamente não estavam namorando, mas estavam juntas, em que a Luna acabou engravidando do seu melhor amigo gay.
Se a Bella tivesse feito uma boa terapia, ou tivesse algum amigo real que desse um choque de realidade, ela entenderia que não precisaria se envolver tão intrinsecamente com a Luna e provavelmente não teria o final que teve. Ela não precisava colocar a pessoa que ama em um pedestal e poderia, sim, viver como um ser à parte.
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Adrian | “Desejos Perversos“

Obra criada por Aurélio Nery, esse livro mistura o sobrenatural com o romance de um modo espetacular. Não há críticas para fazer para esse livro, que é disparado o favorito. Mas convenhamos que todo personagem bem construído sempre vai ter uns probleminhas, e o autor sabe fazer isso muito bem, já que Adrian é tão cheio de problemas que teria que pegar mãos e pés emprestados para conseguir listar. Dentre eles, Adrian é inseguro, obcecado, dependente emocional e talvez um pouquinho perverso, mas essa última não seria considerada um problema.
Acontece que Adrian é tão dependente do seu namorado traidor, galinha, cachorro e gostoso, que ficou perdendo oportunidades incríveis e acidentais proporcionadas por uma esbarrada no banheiro de uma boate gay.
Diferente dos outros dois que foram citados, Adrian tem alguém que está ali por ele e o orienta a não fazer besteira, como desperdiçar desejos à toa com coisas inúteis só para fazer com que o namorado galinha que ele tem fique com ele. Iesly é tão importante para o amadurecimento do Adrian que, mesmo no seu momento mais difícil, é Iesly que está com ele, puxando-o do literal abismo, até porque pro Iesly não tem esse papo de “eu olho pro abismo e ele te olha de volta”, com o Iesly é ele te puxando do abismo mesmo.
E é esse choque de realidade que faz com que Adrian faça os seus últimos desejos e consiga curar parte da ferida que machucava o seu gênio. É bonito ver que ambos se ajudaram, se apoiaram e, de certa forma, consolidaram o amor que nutriam um pelo outro.
Até porque alguém dessa lista tinha que ficar com um moreno alto de dois metros de altura e ficar feliz no final.
Imagem Destacada: Divulgação/Canva


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