Crítica (2): Transformers – O último cavaleiro

Outro enlatado repleto de efeitos

Cartaz oficial Transformers - O último cavaleiro

Dez anos depois do início de uma das franquias cinematográficas mais megalomaníacas de todos os tempos, chega às telonas o quinto filme da série sobre robôs alienígenas que encontram na terra um lugar para sobreviver após da destruição do planeta Cybertron.

“Transformers” tem sua origem a partir dos brinquedos Hasbro de grande sucesso, e das famosas animações que fizeram a cabeça da criançada nas décadas de 80 e começo dos anos 90. O retorno em relação a tais personagens é tão grande, que as adaptações para os cinemas renderam bilhões em bilheterias, como o próprio diretor Michael Bay tem orgulho de falar. Sem contar uma infinita série de produtos que vai da própria atualização dos brinquedos à roupas e alimentos contendo a marca do filme. Devido a todo esse reconhecimento do público, que difere totalmente da opinião negativa da crítica especializada, os estúdios continuam a investir na temática, acreditando no impacto que os gigantes enlatados podem ainda garantir.

“Transformers – O último cavaleiro” chegou ontem aos cinemas brasileiros, depois de já ter estreado em outras praças. A história da vez aporta de forma audaciosa, tentando responder algumas perguntas deixadas no ar durante as últimas produções. Contudo, estremece ao longo do caminho proporcionando uma enxurrada de possibilidades que servem mais para tentar distrair (leia-se: enganar) do que qualquer outra coisa. A trama começa com uma atmosfera mais fechada, esforçando-se para recriar um cenário ao melhor estilo “Stranger Things”, ou até mesmo algo parecido com os clássicos “Goonies” e “Conta Comigo” – mostrando em seguida uma das passagens dos Transformers na terra. Para isso, a trama acaba  envolvendo a lendária história do Rei Arthur e a famigerada távola redonda. Logo após somos trazidos novamente ao presente, três anos após os acontecimentos da “Era da Extinção”, momento em que reencontramos o mecânico/inventor Cade Yeager – foragido, mesmo depois de salvar o mundo da ameaça anterior. Com a ajuda de alguns Autobots e Dinobots, ele se afasta ao máximo de sua filha para mantê-la em segurança. Contudo, um novo perigo aparece quando Optimus Prime decide voltar a Cybertron em busca de respostas e encontra Quintessa, criadora de todos os Transformers. Enquanto é caçado pela TRF (Transformers Reaction Force), pelos decepticons e por Prime, Yeager descobre que precisa se unir a dois novos aliados: um historiador inglês chamado Sir Edmund Burton e Vivian Wembley, uma professora da universidade de Oxford. Juntos, eles entendem uma misteriosa conexão capaz de levá-los à uma solução que poderá impedir a erradicação de toda vida terrestre.

Se tem uma coisa em que “Transformers – O último cavaleiro” é extremamente eficiente, e ninguém pode reclamar, é o magnifico trabalho realizado pela produção – que envolve nomes como Steven Spielberg e Don Murphy. Com uma concepção gigantesca, eles provam que realmente compreendem o assunto. E aqui eles vão além e idealizam o projeto mais bem elaborado de toda série (no quesito grandiosidade). Um verdadeiro complexo de Deus, que nos deixa pensando: O que temos além disso para essa história?!

Pensamento esse que nos leva a cair no roteiro. Enquanto eles sabem lidar muito bem com os diferentes tipos de efeitos, temos no script o maior problema do filme. No primeiro filme tínhamos uma novidade, que foi se repetindo ao longo dos anos até ficar totalmente desgastada. As sequências traziam enredos praticamente iguais, que recebiam uma injeção de detalhes preguiçosos que tiravam toda a graça da franquia. Em alguns momentos, ainda surgia um pequeno respiradouro que tentava criar uma instigante alusão que interligava a história dos alienígenas a da humanidade. Entretanto, a narrativa desenvolvida pelos roteiristas sempre terminava em algo desconexo e mal estruturado. Até então, nunca tivemos uma estrutura bem elaboradora, personagens de impacto ou diálogos enriquecedores. E no quinto episódio da produção, despencamos de vez nesse maçante abismo chamado “mais do mesmo”. Quando imaginamos que poderíamos ter uma maravilhosa reviravolta no roteiro de Art Marcum (“Homem de Ferro”), Matt Holloway (“O Justiceiro – Em zona de guerra”) e Ken Nolan (“Falcão negro em perigo”), ele retroscede e traz o mesmo desenrolar entediante de sempre. E ainda vai além, conseguindo proporcionar diversos seguimentos desnecessários à história, introduzindo personagens que são esquecidos no meio da trama e um final completamente decepcionante.

A fotografia de Jonathan Sela, o mesmo por traz dos filmes “John Wick – De volta ao jogo”  e o ainda inédito “Atômica”, casa muito bem com o trabalho do diretor tentando fornecer um aspecto mais sombrio – principalmente nas cenas iniciais e nos flashbacks apresentados. Com rápidos movimentos de câmera e angulações interessantes, torna-se uma boa conquista para produção.

O departamento de arte, juntamente com o figurino de Lisa Lovaas, abraçam fielmente a assinatura de Michael Bay, o que acaba sendo um desperdício. O resultado é um amontoado de clichês repleto de patriotismo, que chega a ser desnecessário.

Mark Wahlberg encabeça o elenco do filme pela segunda vez, como Cade Yeager. O ator entrou substituindo Shia LaBeouf na produção anterior e apresenta aqui um desempenho insosso, sem nenhuma profundidade. Sir Anthony Hopkins está bem na pele de um inteligente lorde inglês, mas oferece uma interpretação que traz certo automatismo em algumas cenas. Já Laura Haddock, sósia mais talentosa de Megan fox, chega na franquia bastante convincente e agrada. Isabela Moner, em sua estreia em longas, já pega um produto de tal potência e consegue segurar sua personagem, muitas vezes sendo superior ao próprio protagonista.

Steve Jablonsky, de “Horizonte Profundo” e “Tartaruga Ninjas – Fora das sombras”, nos proporciona uma trilha sonora modorrenta e exagerada, que não se encaixa em diversas cenas, nos levando a lembrar de alguns filmes de terror classe “C”, capazes de empurrar a música goela abaixo na intenção de fazer o espectador embarcar ainda mais no momento.

Todavia, se você gosta de muita ação e uma tempestade de efeitos práticos e visuais, “Transformers- O último cavaleiro” é um filme que não pode passar batido de suas escolhas para uma noite agitada com os amigos no cinema. Assista, e melhore ainda mais a opção em Imax ou 4DX.

Crítica (2): Transformers - O último cavaleiro
5Pontuação geral
Produção7.5
Roteiro0.2
Direção7
Fotografia6.5
Direção de Arte4
Figurino4
Elenco5
Trilha sonora4
Votação do leitor 1 Voto
0.8