Crítica: Nasce Uma Estrela

Bradley Cooper vem se provando cada vez mais em Hollywood, depois de se mostrar capaz de transitar entre grandes blockbusters como “Guardiões da Galáxia Vol. 2 e dramas renomados como “Sniper Americano” (com o qual foi indicado ao Oscar), ele agora se arrisca na direção, apostando em um remake do clássico de homônimo de 1937, em Nasce Uma estrela.

Jackson Maine (Bradley Cooper) é um cantor no auge da fama. Um dia, após deixar uma apresentação, ele para em um bar para beber algo. É quando conhece Ally (Lady Gaga), uma insegura cantora que ganha a vida trabalhando em um restaurante. Jackson se encanta pela mulher e seu talento, decidindo acolhê-la debaixo de suas asas. Ao mesmo tempo em que Ally ascende ao estrelato, Jackson vive uma crise pessoal e profissional devido aos problemas com o álcool.

A primeira coisa a se notar na direção de Cooper é sua eficiência  em estabelecer os personagens e a caracterização dos mesmos. Já nas suas primeiras cenas, o diretor consegue dizer muitos sobre seus protagonistas, algo que aliás é muito notável com seu uso de neon, o vermelho alaranjado passa a ideia de impureza e dor (que permeia o personagem de Cooper), enquanto o azul nos mostra a pureza e o conforto que a personagem de Gaga oferece à crise de vida de seu parceiro. Além disso, a montagem ajuda a estabelecer a química entre os atores, intercalando os personagens e dando espaço para os diálogos enquanto cria um dinamismo visual.

E tudo isso se torna ainda mais interessante quando os atores interagem entre si, a química entre os dois é inegável. A tristeza transmitida por Cooper entra em perfeito contraste com a energia de Gaga, desde o primeiro momento em que ele a assiste cantando “Feeling Good” (o que aliás cria uma rima perfeita para como a personagem faz com que ele se sinta), e os diálogos tem um toque naturalista que cria momento muito palatáveis entre o casal. Isso tudo somado a riqueza de detalhes em pequenos gestos que cada um dos atores dá a seus personagens, cria a melhor história de amor que o cinema tem a oferecer em 2018.


Claro que nem tudo são flores, e o filme sofre de um problema clássico de Storytelling, que é ausência de conflito no segundo ato. É preciso ressaltar que o segundo ato cobre boa parte de um filme, e o conflito é base de uma narrativa interessante, deixe o segundo ato sem o conflito e a narrativa vai ficar estagnada. Apesar da energia e do dinamismo do primeiro ato, boa parte da ação que cobre o segundo é desinteressante por não criar nenhum tipo de conflito para a personagem de Gaga. Chega a ser incrível o quão fácil as coisas ficam para a personagem após apenas cantar em um show. Toda e qualquer possibilidade de conflito é anulada, a personagem simplesmente passa a conseguir cada vez mais coisas sem gerar nenhum tipo de consequência para a mesma ou para a narrativa em si. Em paralelo a isso, seu agora marido, passa a perder a audição e se afundar cada vez mais no alcoolismo, criando um arco mais interessante que acaba em segundo plano.

Mas, no início do terceiro as coisas voltam a ganhar energia, quando o filme passa a discutir melhor a questão da toxicidade do relacionamento do nosso casal protagonista. Relacionamento esse o qual já se mostra como abusivo.

“Nasce Uma Estrela” mostra o não só o grande potencial que Bradley Cooper tem como diretor, mas também sua grande capacidade de releitura e atualização de um clássico, inserindo temas contemporâneos e os discutindo de uma maneira sóbria.

Crítica: Nasce Uma Estrela
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