Crítica: Next Gen

A Netflix ama produções com temas futuristas, principalmente as que envolvem a mudança que a tecnologia traz para a vida das pessoas. Talvez porque a própria faça parte dessa revolução tecnológica, mudando o jeito de assistir filmes, totalmente independente de cinemas e se tornando um dos marcos na indústria audiovisual nos últimos anos. As séries e os filmes desse gênero têm feito muito sucesso no Streaming, bons exemplos são “Black Mirror” e Extinção, algo em comum nesses filmes é que a tecnologia caminha para destruição da essência do que deveria ser humanidade.

E aqui está “Next Gen”, se encaixando perfeitamente nesse jeito da Netflix de falar do futuro. O filme aborda o tema de forma infantil, mas não menos profunda e nos mostra como substituímos ações corriqueiras por praticidades tecnológicas. Isso durante todo o filme é jogado na nossa cara, desde uma escova de dente que escova sozinha a um carteiro robô que atira contas na sua cara. A função disso é esclarecer que as máquinas não têm sentimentos e é isso que as distanciam do afeto humano. E é nessa reflexão que “Next Gen” se faz um filme atual e necessário.

O filme conta a história da jovem Mai, uma adolescente rebelde criada pela mãe e órfã de pai. A mãe, para esquecer a perda do marido, se consome pelo vício tecnológico e não enxerga o sofrimento e os dramas da filha. Mia por sua vez se vê diferente, como se não se encaixasse em um mundo onde as coisas giram em torno da tecnologia. Tudo muda para Mai, quando no acaso do destino, ela se torna amiga de um robô superinteligente, Project 77. Ele, por sua vez, está no meio de uma trama perigosa, criada pela empresa que domina o mercado tecnológico mundial.

O filme é carregado de cores, a animação em si é muito bonita e ágil. Os personagens possuem bastante gesticulações e feições humanizadas. O longa segue um padrão que lembra a animação da Disney,  “Operação Big Hero“. Mas nesta, o destaque maior vai para as sequências de ação que são recheadas de cenas com cortes rápidos e mudanças drásticas, mas sem buracos, nem erros de continuidade.

O enredo consegue nos passar uma mensagem realista, de como perdemos tempo com coisas fúteis e nos habituamos a facilidades tecnológicas, por fim esquecendo de viver a vida real. Outro assunto debatido e que não é deixado tão às claras é a responsabilidade de quem faz sobre o que faz, e como aquilo pode afetar as pessoas ao redor. O domínio tecnológico e o poder de realizar, criar o novo, precisa passar pela parte ética de se perguntar se realmente deve ser feito.

A trilha sonora não possui momentos realmente marcantes tampouco influencia a história. O filme é levado em dois pesos principais que equilibram a balança, a história bem fundada e o visual rico de detalhes. O primeiro peso trabalha muito com dramas e as relações entre os personagens, tudo sempre palpável, e o segundo peso é o visual rico em cores e detalhes, com cenários sempre imponentes e cheios de possibilidades.

No ato final, o filme traz a sua melhor sequência de ação, e também a sua parte mais emocionante. A mensagem passada se esclarece, e vai direto para uma geração que cresce  rodeada de tecnologia e praticidade, que está mais atual do que nunca. Dessa forma, seria mais correto que a partir de já, começássemos a aprender e ensinar como lidar com tamanho poder que temos nas mãos ao invés de ser dominados por ele. Gerações futuras precisaram mais que nunca ir além da praticidade que as tecnologias oferecem e buscar o equilíbrio entre o real e o virtual.

Crítica: Next Gen
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