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CríticaFilmes

Crítica: O Bar

Avatar de Oswaldo Marchi
Oswaldo Marchi
9 de janeiro de 2018 3 Mins Read

O Bar posterUm dos diretores mais consistentes do cinema cult espanhol atual é Álex de la Iglesia, que usa seu estilo único de humor negro para fazer filmes memoráveis e surreais, como “O Dia da Besta” (1995) e “Mi Gran Noche” (2015). O último registro do cineasta é o thriller-comédia “O Bar”, de 2017, que conta com o mesmo elenco de suas outras produções e é uma ótima porta de entrada para sua filmografia.

A trama se passa em uma manhã, no centro de Madri, quando um grupo de pessoas se encontra preso dentro de um bar por conta de um atirador desconhecido, que mata todos que tentam deixar o local. Esses oito estranhos tem então que descobrir o que está acontecendo e como escapar do lugar, porém, essa tarefa se dificulta quando começam a surgir suspeitas de que a culpa possa ser de um deles.

O primeiro aspecto que é notável no longa é a sua direção. Mesmo sendo filmado quase todo em apenas três sets pequenos, ele nunca fica cansativo ou repetitivo, já que De La Iglesia consegue ser criativo com seus enquadramentos e técnicas, sendo o maior exemplo disso o plano que abre o filme. Se iniciando nas ruas de Madri, a câmera acompanha três personagens fazendo seu trajeto até o bar, alternando entre cada um sem cortes. Enquanto isso, vários detalhes da trama são escondidos no fundo – como personagens que serão importantes mais tarde passando casualmente pela rua – ou em diálogos proféticos que resumem todo o enredo.

Outro aspecto positivo da direção, assim como da montagem, é o ritmo da produção. Quando se trata de um roteiro no qual diálogos são mais prevalentes, geralmente se imagina um filme que se mova mais devagar. Porém, em “O Bar”, todas as falas são disparadas com agilidade, acompanhadas de muita movimentação de câmera e cortes rápidos, quase como se a discussão entre os personagens fosse uma cena de ação.

Em questão de fotografia, é interessante como a paleta de cores muda de acordo com a situação em que o grupo se encontra. Quando tudo aparenta estar normal no início, o ambiente é todo colorido, assim como o figurino, porém, quanto pior fica a situação, mais a tonalidade se torna monocromática, até chegar ao ato final, que é quase todo em preto e marrom.

Em uma premissa desse tipo, um dos elementos mais importantes são os personagens. Felizmente, o roteiro, assinado por De La Iglesia e por Jorge Guerricaechevarrìa, constrói personalidades críveis, como o publicitário Nacho (Mario Casas) e a jovem rica Elena (Blanca Suárez), e dá espaço para cada pessoa do grupo ter seu “momento de brilhar”. Além disso, como de costume para o cineasta espanhol, o script também mistura estilos, tendo momentos tensos intercalados com humor negro, e até com cenas mais exageradas, como se tiradas de um episódio de “Os Trapalhões”.O Bar2

Porém, se os pontos positivos do estilo do diretor são visíveis, o mesmo acontece com os negativos. Assim como em outros filmes de De La Inglesia, o ato final parece se arrastar por muito mais do que o necessário, ficando bastante exaustivo. As reviravoltas da história também são decepcionantes, já que um mistério muito grande é construído em volta da situação surreal em que os personagens se encontram, para a sua revelação ser algo bem corriqueiro e anticlimático.

Outro ponto conflitante é a atitude de certos personagens que parece mudar de uma cena para a outra, deixando difícil definir quem é “bom” ou “mal”. Apesar de funcionar bem com a proposta, essas mudanças não são feitas de modo natural, beirando a autoparódia, o que, considerando o histórico do diretor, parece ser proposital.

Todos esses aspectos do roteiro só funcionam graças às atuações, que vão de sutis a cômicas. Os maiores destaques são Secun de la Rosa como o barman Satùr, fonte de grande parte do humor do filme, e Jaime Ordoñez como Israel, um mendigo alcoólatra e religioso, que é exagerado sem ser forçado.

Por fim, “O Bar” é um filme que entretém e que consegue misturar bem suas partes mais tensas com as mais cômicas. Quase como “Pânico” fez em 1996, o longa é uma paródia de suspenses, ao mesmo tempo em que é uma produção competente do gênero. Não é o melhor trabalho de De La Iglesia, mas é divertido na medida certa.

“O Bar” está disponível na Netflix.

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Oswaldo Marchi

Publicitário formado no Rio de Janeiro, tem mais hobbies e ideias do que consegue administrar. Apaixonado por cinema e música, com um foco em filmes de terror trash e bandas de heavy metal obscuras. Atualmente também fala das trasheiras que assiste em seu canal do Youtube, "Trasheira Violenta".

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