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Crítica

Crítica: Os Imperdoáveis

O western spaghetti foi o subgênero do western responsável por atrelar a imagem de Clint Eastwood, como ator, à esse tipo de filme através de sua parceria com Sério Leone. A famosa trilogia dos dólares, que tinha o ator norte-americano como protagonista, talvez seja a obra mais reconhecida dentro desse tipo de produção que, apesar de europeia, retratava um momento da história dos Estados Unidos com um olhar tão autêntico e diferenciado. No entanto, se os filmes mais famosos de Leone são datados da década de 60 e desde então a imagem de Eastwood ficou firmada como uma das caras mais reconhecidas do velho-oeste, “Os Imperdoáveis” vem como contraste muito interessante para com o legado desse tipo de cinema.

Já no início da década de 90, Clint Eastwood pode repensar sua carreira e o papel que desempenhou nos filmes que retratavam o velho-oeste, agora não apenas mais como ator, mas como diretor também. Isso fica bastante evidente conforme a projeção vai correndo, e percebemos o olhar mais maduro e melancólico que é colocado aqui. Existe uma espécie de tentativa de apagar o passado, ou deixá-lo esquecido que é sempre falha em “Os Imperdoáveis”, de forma que Eastwood parece optar por uma visão muito fatalista para seu roteiro, como se o destino de seus personagens fosse inevitável. É nesse sentido que se dá que a trama envolvendo Bill Munny (Clint Eastwood), pistoleiro aposentado que acaba precisando voltar para a ativa, uma vez que o ator que o interpreta também não se envolvia com westerns fazia tempo, e assume essa função de volta já em um momento completamente diferente de sua vida.

Assim, o velho-oeste apresentado ao público não é nada romantizado ou idealizado, como muitas produções com olhar mais saudosista podem ter. O mundo de “Os Imperdoáveis” é violento, cruel e vem em grande medida da impulsividade dos homens, de sua incapacidade de controlar seus vícios e sua insegurança. Por mais que seja assim, no entanto, ela acaba sendo o meio pelo qual os conflitos são resolvidos no longa-metragem. Há uma desconstrução da glorificação da violência aqui, mesmo que o diretor mostre também sua inevitabilidade e que toma força dada qualidade do elenco do filme. Não apenas o próprio diretor, mas Morgan Freeman possui papel importantíssimo e atua com primor.

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Por outro lado, algumas referências aos grandes clássicos do gênero são feitas. Se o roteiro desconstrói parte delas, Eastwood não joga fora sua totalidade. Dessa forma, a fotografia de tons épicos que retrata os pistoleiros cavalgando com apenas suas silhuetas aparecendo nos remete à outros grandes westerns, bem como as lindas tomadas externas gravadas. Visualmente, para além dos temas e da temporalidade, é indiscutível o gênero ao qual “Os Imperdoáveis” pertence.

Apesar de relativamente recente, “Os Imperdoáveis” é um clássico desde jovem. Discute temas bastante universais mas que também dialogam muito com a carreira artística do próprio Clint Eastwood e que conta isso de modo envolvente e tocante. Na realidade, pode até mesmo argumentar-se que “Os Imperdoáveis” é uma espécie de épico ao seu modo.

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Imagens e Vídeo: Warner Home Video Brasil

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Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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