O filme “A Última Caçada” é baseado em um fato real, ocorrido em 1909 em que as autoridades dos Estados Unidos realizaram a última caçada humana a um fugitivo, no caso Willie Boy, um índio apaixonado pela sua compatriota Carlota.
Em um enredo bem parecido com Romeu e Julieta, comprovando que a vida real pode ser mais intensa que a ficção, os dois tiveram que fugir da sua aldeia para celebrar seu amor, pois o pai de Carlota não autorizava em hipótese alguma essa união.

Quando um acidente fatal ocorre na aldeia, a procura pelos dois amantes predestinados escala para o nível da caçada do título e agora, não somente pela busca de uma adolescente fugitiva e apaixonada, mas de um criminoso perigoso a ser abatido…
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As tramas se desenrolam primeiramente nos arredores da aldeia, mostrando os rituais entre os indígenas, suas relações, interações diárias e é quando descobrimos que Willie Boy é um “runner” ou corredor de longa distância da tribo Chemehuevi, que conhece as montanhas como ninguém e consegue percorrer grandes distâncias mais rápido do que qualquer pessoa na região.
Após todos os eventos que desencadearam a caçada, se conhece mais sobre e mãe de Carlota, Lily Gladstone, indicada neste ano ao Oscar pelo filme “Assassino da Lua das Flores” (2023), numa atuação sofrida e digna, com todo fardo que uma mãe carrega ao lidar com uma situação em que se divide entre a posição do esposo ou apoio a sua filha.
Temos também, Jason Momoa que faz o papel de um dos “caçadores”, mas é bem coadjuvante e aqui uma curiosidade, ele é um dos produtores do filme.
Para uma continuidade cronológica da situação, entra em cena o lado da lei, claro composto por homens brancos que são convocados pela própria mãe de Carlota, temendo pela vida de Willie Boy e do desenrolar dos acontecimentos, pois há um índio específico que está com sede se sangue e se necessário, passará por cima de todos, para cumprir o que considera sua “missão”.
O xerife responsável pela caravana, está em um momento delicado por uma tragédia pessoal e com dificuldade de controlar seus comandados, cada um com sua agenda e opinião sobre os índios em geral e o casal de amantes em particular.
E é nas tradições indígenas americanas mostrando as alegrias, as conquistas, o luto e a luta desse povo, que esse filme deixa alguma marca e o diferencia um pouco dos pretensos faroestes revisionistas que geralmente nos são apresentados.
O choque entre a modernidade que começava a chegar na reserva onde os indígenas residem e a diferença de costumes com as pessoas caucasianas é notória e evidente, porém não traz nada de novo a não ser monotonia e atitudes já esperadas, mas que poderiam e deveriam ser levadas para um outro lado, considerando a situação de interações forçadas já ilustradas em diversos outros filmes.
O casal de atores principal, é correto e carismático na medida e evocam nossa torcida logo no começo, pela história em si, mas não tanto pelo alcance dramático.
A direção não se destaca em nada efetivamente, mas a fotografia é correta e sem riscos, diferenciando alguns os ambientes e retratando a época com uma certa precisão, além de tentar nos posicionar nos espaços da ação, mas não raro tem-se a impressão de que os cenários ao ao livre se repetem com cenas diferentes, ou seja, parece às vezes que os personagens não se movem, circulam entre os mesmos locais e é um pouco confuso.
A trilha sonora melancólica, evoca demais a de “O Último dos Moicanos” (1992), e para quem conhece esse filme, gera um ruído que a depender da lembrança, pode distrair.
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Com um final que acrescenta o que parece ser uma reviravolta poética na história real, os créditos finais nos apresentam em fotos reais os protagonistas predestinados e seus destinos.
Uma tentativa válida, com clichês e algumas falhas na realização, mas bem válida.
Disponível no Streaming Adrelina Pura





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