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CríticaFilmes

Crítica (2): A Mula

Avatar de Mauro Machado
Mauro Machado
18 de fevereiro de 2019 3 Mins Read

a mulaPoucos são os artistas que deixam sua marca em Hollwyood como Clint Eastwood. Notório pelos papéis feitos nos filmes de Sérgio Leone, Eastwood criou para si uma persona que logo viraria clichê em filmes de western. Nesse sentido, sua representação do pistoleiro americano ficou tão contundente que até mesmo sua atuação em “Fuga de Alcatraz” acaba remetendo a ele, um homem solitário e antipático que age de forma fria e calculista. Felizmente, o legado do ator se estende na medida em que este também passa a atuar enquanto diretor e, muitas vezes, faz isso enquanto também interpreta, missão nada fácil.

Eis que, dentro desse contexto, “A Mula” surge como celebração dessa trajetória, trazendo um Clint Eastwood já em idade avançada carregando boa parte da produção sozinho. Ele, importante dizer, não pretende esconder tal fato e isso inclusive faz parte da premissa principal que é apresentada. Tudo segue mais ou menos dentro do padrão já consagrado por filmes como “O Poderoso Chefão” ou a série “Breaking Bad”, acompanhando as transformações de um protagonista que passa a cometer atos ilícitos e moralmente duvidosos por circunstancias não controladas por ele. Nesse sentido, o personagem principal sustenta o filme de forma bem eficiente, trazendo tanto nuances de certeza de suas ações quanto de dúvidas. Pode não ser a melhor atuação de Clint Eastwood, porém seria um erro categorizá-la como fraca ou insuficiente. As questões que fazem referência a sua própria biografia estão lá, carregando paralelos e imperfeições criadas a partir da vivência de Eastwood.

Além disso, o protagonista se encontra tanto em momentos de drama como os mais leves, se tornando elemento principal na transição entre um e outro clima. Como exemplo, é possível citar as questões tidas por ele com a tecnologia, quesito que parece alienígena para o papel de Eastwood. É claro que há piadas mais superficiais com essa temática, mas ela também funciona para compreendermos melhor os momentos mais dramáticos e os arcos narrativos que assistimos.

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Infelizmente, não é uma qualidade vista em todos os aspectos do filme. “A Mula” apresenta personagens secundários fraco e, muitas vezes estereotipados. O núcleo envolvido com o tráfico de drogas mexicano é a maior demonstração disso, uma vez que são personagens rasos e não possuem desenvolvimento. Existe até um plot twist com participação desses, e este carece de força por apenas ocorrer para que a trama do protagonista siga em frente. “A Mula” possui desequilíbrio exagerado entre a força do personagem central e aqueles que o cercam. Como dito anteriormente, tudo parece servir para que o indivíduo no qual a trama se cerca conclua seu arco.

Assim, “A Mula” traz o talentoso Clint Eastwood em boa forma, ainda que excessivamente auto centrado. Em termos de direção, pouco se destacam as tomadas e enquadramentos, já que na maior parte do tempo temos esse quesito ocorrendo de forma bem burocrática. Poderíamos ter melhor desempenho do cineasta/ator aqui, como ele próprio já fez em sua própria carreira. Porém, não há como não reconhecer os méritos feitos e a celebração a toda uma produção artística de uma vida.


Fotos e Vídeo: Divulgação/Warner Bros. Pictures

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Tags:

Bradley CooperCinemaClint EastwoodCrimeWarner Bros. Pictures

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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