7 de dezembro de 2019

Nada melhor para um filme de terror do que ter em seus créditos James Wan, o cineasta responsável por Aquaman, e que fez seu nome com produções como “Jogos Mortais”, “Invocação do Mal”, e “Sobrenatural”. Claro que o marketing usa da falta de conhecimento do público em geral, que não vê diferenças entre produção e direção de um longa. Por isso, quando se estampa no poster: “com produção de…”, as pessoas não fazem distinção e aprovam previamente qualquer coisa. É dessa aprovação prévia que “A Maldição da Chorona” depende, já que, ao longo de seus noventa minutos de duração, não demonstra qualidades que o sustentem como uma história no mínimo razoável.

A trama é das mais prosaicas: a assistente social Anna Garcia (Linda Cardellini) resgata dois irmãos que aparentemente são maltratados pela mãe. As crianças possuem marcas de queimaduras nos braços e são encontradas trancadas em um armário. Após isso, elas misteriosamente somem do abrigo para depois serem encontradas mortas por afogamento. Evidentemente que a casa onde a família morava era assombrada pelo espírito maligno de uma mulher que afogou seus dois filhos para punir o marido que a traiu. O fato aconteceu no México alguns anos antes e agora a força maligna da tal mulher leva todas as crianças afim de substituir as suas. Ela é chamada de chorona porque sua primeira aparição sempre se dá com o som de uma mulher chorando, o que atrai suas vítimas. Pois bem, agora sãos os dois filhos de Anna que correm perigo.Dependendo da habilidade de um cineasta em criar sequências que surpreendam o espectador pelas suas bizarrices ou que proporcionem medo genuíno (vide o excepcional “Hereditário”), um roteiro de terror simples pode gerar um filme assustador – infelizmente não é o caso de “A Maldição da Chorona”. Todos os sustos planejados pelo diretor Michael Chaves (que parece ser um protegido de Wan, já que dirigirá “Invocação do Mal 3”), são previsíveis. Sua câmera sempre se direciona para a parte mais escura da tela nas costas dos personagens, aguçando o espectador a pensar: “algo surgirá dali”. E sim, sempre uma “surpresa” surge da escuridão. Essa antecipação, reforçada pela trilha sonora exagerada, é extremamente prejudicial para a imersão, mostrando a mão pesada por trás das câmeras.

Outro fator mal trabalhado é a maquiagem da Chorona. É difícil conter o riso quando ela aparece em close. Seu rosto pintado de branco e as lentes de contato amarelas lhe dão um ar de fantasia de Halloween amadora. Além disso, é frustrante quando, em um filme de terror, as cenas minimamente inventivas são as cômicas, que acontecem com algumas quebras de expectativas, ou com piadas aleatórias desferidas pelo padre/curandeiro Rafael Olvera (Raymond Cruz). O que sobra são momentos de correria, gritaria e lagrimas falsas.

Nem mesmo a analogia que poderia ser feita em relação aos imigrantes indesejados que vão para os EUA levando suas maldições com a atual era Trump é válida, afinal, os roteiristas não procuraram toda essa profundidade na escrita do texto. A intenção por trás de “A Maldição da Chorona”, perceptível depois de uma superficial reflexão, era puramente comercial.


Fotos e Vídeo: Divulgação/Warner Bros. Pictures

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Rodrigo Chinchio

Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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