Crítica: Um Dia Para Viver

Astros dos anos 80 e 90 já traçaram algumas retomadas vitoriosas de suas carreiras com filmes de ação. Bruce Willis com o seu Duro de Matar, Keanu Reeves com o excelente John Wick… Tom Cruise tem algumas franquias poderosas em suas mãos também, com Missão Impossível, o frustrado Dark Universe e mais recentemente a notícia do resgate de Top Gun. Já o astro de “Um Dia Para Viver”, que estreia dia 7 de junho, é Ethan Hawke, do excelente Dia de Treinamento, de uma das melhores trilogias do drama romântico (Antes do Amanhecer, Antes do Pôr do Sol e Antes da Meia-Noite) e do meia boca Sete Homens e Um Destino. E ao que tudo indica, ele também começa a entrar no time dos galãs de meia-idade engajados em tiro, porrada e bomba. Se ele consegue igualar Cruise, Willys e Reeves? É o que vamos saber agora.

Hawke entra de cabeça na produção que é assinada pelos mesmos produtores de John Wick. E essa chamada por si só é promissora, não é mesmo? Melhor não se animar. Um Dia Para Viver misturou boas ideias e um bom ator a um roteiro confuso e sem o mesmo peso dos antecessores citados aqui. A direção é de Brian Smrz, experiente coordenador de dublês de uma penca de filmes de ação. É pouco provável que você não tenha visto algum com sua assinatura neste quesito. Acompanham Hawke no núcleo principal o veterano Rutger Hauer (Blade Runner) e Paul Anderson (Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras), Qing Xu e Liam Cunningham (o sir Davos de Game Of Thrones).

O filme poderia facilmente ser uma grande obra dos anos 90. Aliás, a impressão ao assistir é essa, de voltar no tempo para os clássicos filmes de ação dos anos 80 e 90. A fotografia e o tom artístico em algumas cenas são dignos de ícones. Mas estamos na segunda década dos anos 2000, e certas coisas não funcionam tão bem. Principalmente na história. Em algum momento alguém levou a liberdade artística ao extremo e esqueceu de fechar pontos, valorizar situações e não ser tão apressado. E tudo isso jogou a obra de um ex-militar (não necessariamente de uma milícia oficial e “do bem”) em filme que fica sem muita identidade. Hawke é Travis Conrad, ex-assassino que é contratado para uma nova missão após a sua aposentadoria, precipitada pela morte da esposa e do filho. E já na missão, que ele aceita com certa facilidade, as coisas começam a se embolar. Primeiro vemos que ele é uma mistura de James Bond com John Wick, não só abalando inimigos com facilidade, mas conquistando a agente da Interpol, Lin Bisset (Qing Xu), o que deveria ser seu alvo. Por este deslize, ele acaba sendo morto pela própria vítima. E aí começam as doideiras.Um dia para Viver é a tradução de 24 horas para Viver, e em português, dependendo da forma que se lê, pode-se ter outra ideia do que ele realmente significa. Neste caso, é o tempo de vida que Travis terá após ser milagrosamente ressuscitado por uma organização criminosa (a mesma para a qual ele trabalhava!). A partir daí saímos do senso comum – e isso não é necessariamente um elogio – de um justiceiro que vai vingar alguém ou uma causa para misturar passado, alucinações e um alvo que sabe dos tais experimentos. Não falei que era confuso?

Além de confuso, poucas coisas são fáceis de comprar no filme. Justamente pela falta de convencimento ou motivação. Mesmo produções mais galhofas, como Rampage: Destruição Total ou mesmo a franquia Adrenalina conseguem ser um pouco mais convincentes. Aqui o senso de gravidade é levado a sério demais pela própria produção, e isso incomoda o espectador, ao ponto de parecer que o filme vai acabar em vários momentos. Mas ele não acaba, e as situações vão sempre se complicando um pouco mais, gerando tomadas de decisões que cada vez mais tiram o prazer que um filme de ação deve provocar. Apesar dos deslizes, as cenas de ação são bem executadas, e Hawke pode sim iniciar uma sequência de filmes desse gênero. O mérito em colocar o contraste de sua fisionomia com o sangue dos inimigos dá a esperança de que existe sim um personagem que pode ser explorado, mas com mais inventividade e menos pressa, e talvez até menos seriedade.

 

Crítica: Um Dia Para Viver
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