Dez dias de muitos acontecimentos cinematográficos
Criado em 1999, da junção entre a Mostra Banco Nacional e o Rio Cine Festival, que faziam parte do calendário cultural da cidade desde os anos 80, o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro se tornou um dos maiores eventos cinematográficos do país e um dos mais famosos do mundo. Em sua 17ª edição não foi diferente, durante 10 dias ele possibilitou ao público assistir aos mais diversos filmes, de clássicos a futuros lançamentos, de mais de 60 países.
Antes do Festival começar, havia organizado uma programação para assistir a 28 filmes, mas devidos a algumas circunstâncias, que explicarei algumas delas melhor abaixo, consegui alcançar a marca de 23 longas, entre eles os vencedores das categorias “Melhor Longa de Ficção: Fala Comigo” e “Melhor Documentário Júri Popular: Divinas Divas”, “Melhor Montagem: Era o Hotel Cambridge” e “Prêmio Especial do Júri: Redemoinho”, correndo de um lado para o outro.
Nesses 10 dias, ocorreram lançamentos de longas nacionais e internacionais, com direito a tapete vermelho e muitos rostos conhecidos (e desconhecidos também), que abrilhantaram as produções. Em alguns dos casos conseguimos, junto ao público, conversar e debater sobre os filmes exibidos com equipe e elenco durante os ótimos “Cine Encontro”.
Porém, nem tudo foram flores e fazer essa maratona cinematográfica não foi fácil. Por vezes houve cansaço, ainda que sejamos apaixonados pela Sétima Arte. Além disso, existiram alguns pequenos contratempos, além do transito carioca e o não funcionamento da linha 4 do metro nos finais de semana e feriados, que relato abaixo como crítica construtiva. Afinal, fazer um evento desse porte não é nada fácil e sabemos que existem diversas barreiras que vão além da financeira.
Começando pela cerimônia de abertura, que foi comandada pela atriz Christiane Torloni, como mestre de cerimônias, e o discurso humano das diretoras do Festival, Walkíria Barbosa e Ilda Santiago. Então, tivemos a exibição do excelente “A Chegada” e depois um coquetel, que foi insuficiente para atender aos convidados, pela quantidade e porque demorou a ser servido devido ao atraso do início do evento mais o tempo da cerimônia e a exibição do filme. Reclamações sobre isso não faltaram, inclusive de pessoas consagradas do mercado.
No dia seguinte, o Festival já começaria com sua enorme programação, era o momento de pegar a credencial e os convites para os filmes que almejava ver, mas veio a triste notícia que existia o limite de 20 filmes por credencial – ok, era possível rever a lista de filmes. Porém, foi quando descobrimos que não era permitido retirar convites dos filmes que seriam exibidos no Roxy, o mundo de todos que faziam a cobertura de imprensa, principalmente os críticos, foi ao chão e a maior parte teve que rever suas grades de programação.
Como o cinema Roxy, em Copacabana, passou a ser “a casa” das premières nacionais do Festival, que antes aconteciam no Lagoon, como o Cinema Odeon, o pensamento foi que o acesso as produções continuaria, independente da mudança de local, mas não foi assim que aconteceu e não houve explicação. Então, basicamente, quem estava na assessoria de imprensa só poderia fazer o tapete vermelho no Roxy.
Como ter um cinema associado a um dos maiores festivais do país e vetar os críticos e jornalistas de assistirem aos filmes exibidos nele? O mesmo aconteceu no cinema do Oi Futuro Ipanema. A ordem era que os credenciados não podiam retirar os convites na bilheteria e não tinham passe para entrar, mesmo que houvesse lugar vago na sala.
O desafio de mudar a grade e não poder assistir aos filmes nos cinemas citados foi aceito, apesar da insatisfação pela restrição. Aí, veio outro desafio: a retirada dos convites na casa do Festival, na qual aconteceu também o evento RioMarket. A internet caia, o sistema da ingresso.com saia do ar, havia grandes filas, com pessoas que montavam suas grades na hora, atendidas por apenas duas pessoas, muito simpáticas e pacientes por sinal. Vale destacar que essas restrições e dificuldades de logística comprometeram parcialmente a cobertura do evento e tiveram impacto na avaliação da sua organização.
Com uma das melhores seleções dos últimos anos, nunca foi tão difícil escolher quais filmes assistir. É importante ressaltar que a expansão do evento foi significativa, fora os cinemas na Zona Sul e no Centro carioca, o Festival alcançou a Barra da Tijuca, os bairros Guadalupe e Freguesia, e a cidade vizinha, Niterói, tendo também exibições incríveis no telão ao ar livre, montado na renovada e badalada Praça Mauá.
A premiação que aconteceu dia 16 foi bem especial. Os premiados, que já listamos aqui, subiram ao palco para receber o Troféu Redentor, que é uma graça, inspirado no mais famoso cartão postal do Rio, o Cristo Redentor, feito de película. Nesse dia, pudemos conhecer alguns dos nomes dos filmes destacados pela crítica especializada e outras premiações que foram realizadas a partir do voto popular.
Os problemas chatearam, sim, mas não são difíceis de corrigir para a próxima edição do Festival. Porém, depois desses pequenos percalços de início, as coisas começaram a caminhar e os ânimos ficaram mais tranquilos para enfrentar a maratona cinematográfica. Corre daqui, corre pra lá, tapete vermelho, debates, cine encontros, votação, premiação, ficção, documentários, longas, curtas, pausa para selfie, pausa para um café, não dá tempo de almoçar que o filme já vai começar… Ufa, valeu a pena!
Além dos 28 longas que selecionei inicialmente, muitos ficaram de fora, como “Elis”, “A Serpente”, “Barakah com Barakah”, “Ma Ma” e outros. Finalizei com o total de 23 assistidos, que listo abaixo por ordem de classificação, do melhor para os não tão bons assim. Vamos à lista:
[divider]O MELHOR FILME[/divider]

Sem dúvida alguma, “Christine” foi o melhor filme que pude ver durante o festival. Selecionado no Festival de Sundance 2016, ele conta uma parte da história de vida de uma jornalista que cometeu suicídio ao vivo, durante um telejornal. Ele foi o único filme que assisti no Instituto Moreira Sales, que é um lugar muito agradável e com uma sala bem confortável, mas a inclinação das cadeiras não é das melhores e tive que me torcer um pouco para ler a legenda, entre as cabeças do público. Esse é um filme memorável que recomendo à todos.
Sinopse: Christine é âncora de um telejornal em Sarasota, Flórida, em 1974. Aos 29 anos, ela precisa lidar com as dificuldades de ser uma mulher independente na tumultuada década de 1970. Enquanto tenta construir sua carreira, entra em embates frequentes com seu chefe, o diretor do canal, que, aguçado pelo bom resultado de recentes reportagens sensacionalistas, exige que o jornal apele ainda mais para esse tipo de jornalismo. Agora, para chegar aonde quer, ela terá que reavaliar suas dúvidas mais íntimas. A história real da repórter que chocou os EUA ao se suicidar ao vivo, na frente das câmeras.
[divider]OS OUTROS DO TOP 10[/divider]
Essa lista apresenta grandes e gratas surpresas, entre elas o segundo lugar da minha lista para o extraordinário “O Monstro No Armário”, que confesso não ser fã de filmes com temática LGBT, o tocante e memorável “Fala Comigo”, que fui assistir por ter sido produzido por um amigo meu, o surpreendente “Era O Hotel Cambridge”, que jurava ser o pior filme da mostra quando vi o trailer disponível no site do festival, e o único documentário que vi nessa edição, “Divinas Divas”.
Os americanos “A Chegada” e “O Contador”, já se esperava que fossem bons. Para o francês “É Apenas o Fim do Mundo” e o italiano “As Confissões” criei uma certa expectativa e não me arrependi, mas o japonês “Confidencial: Mente Assassina” ganhou meu coração esteticamente, mesmo com alguns erros.
[divider]FAZENDO UM TOP 20[/divider]
Falando em expectativa, filmes como “Loving”, “Dois Amantes e Um Urso”, “No Andar de Baixo” e “O Intermediário”, não a superaram e ficaram até abaixo do esperado, mas ainda assim tem seus pontos positivos ficando entre os vinte melhores. Nessa lista vale ressaltar o primeiro longa do diretor José Luiz Villamarim, “Redemoinho” e o novo longa do mestre Domingos Oliveira, “BR 716”. Já “O Filho Eterno” não agradou e por muito pouco não ficou na lista negativa.
[divider]OS NÃO TÃO BONS[/divider]
“A Canção do Por do Sol” é um drama sem drama, um longa muito, muito, muito longo para pouco roteiro que, apesar de uma Direção de Arte impecável e uma bela Direção de Fotografia, eles não conseguem salvar a obra. Vindo na contramão “Wiener-Dog” é um dos piores filmes que vi nos últimos anos, não é um filme fofo de cachorro e nem um drama ou comédia de humor negro que te faz pensar na vida, me deixando frustrado por tê-lo visto e no lugar de outro longa.
As críticas das produções vão estar aqui no site para que todos possam conferir e saber o que aguardar nos próximos meses, nas salas de exibições. Vou ficando por aqui, agradecendo a toda a equipe pela força de vontade, pelo carinho e pelo trabalho realizado antes, durante e depois do evento. Até o Festival do Rio 2017, onde vou bater esse recorde e meu crachá não terá o “i” em “Olivera“.






















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